Box Car Racer" alt="nome da noticia">

“Foi a melhor e a pior coisa para o blink-182”, diz Tom sobre o BCR

Autor Por Márcio Medeiros em 09/06/2017

Box Car Racer - Box Car Racer

Tendo sido criado em 2001 e lançado seu único álbum em 21 de maio de 2002, o Box Car Racer foi o começo do fim do blink-182, como já pontuamos aqui.

Após 10 anos 15 anos do lançamento do disco autointitulado, Tom DeLonge conversou com a Billboard e disse que queria explorar novas formas de se trabalhar na época. “Quis fazer algo em estúdio que fosse muito mais rápido, dinâmico, emocional e alinhado com as raízes do punk rock em que eu sempre estive inserido”, diz o músico ao relembrar como o Box Car Racer surgiu.

Essa busca por algo novo “foi a melhor e a pior coisa para o blink-182”, afirmou DeLonge durante a entrevista. A criação do BCR trouxe tanto tensões para o trio Tom, Mark e Travis, como, também, deu para o mesmo trio novas possibilidades no campo musical – vale lembrar que, no ano seguinte, a banda começaria a gravar e produzir aquele que, para muitos fãs, é o melhor disco do blink-182: o Untitled.

Abaixo você pode ler a primeira parte da entrevista traduzida e conhecer um pouco mais do contexto em que este projeto surgiu e quais foram suas consequências positivas e negativas. Para ler o restante dela e saber o que os fãs podem esperar de um futuro para o projeto, clique aqui.

Para os que não conhecem, você pode passar um resumo de como o Box Car Racer surgiu?

Nós tínhamos alguns grandes disco com o blink, e eu sabia que precisávamos progredir. Eu sempre considerei meu trabalho no blink em arquitetar novos arranjos e sons que empurrasse a banda para frente. Eu assumi esse papel, e não era apenas eu – todos contribuíam nas músicas que fazíamos – mas eu fiz disso minha paixão, eu fiz disso meu foco. Eu sabia que precisávamos ter um álbum de transformação, mas eu não estava totalmente certo do que era ainda, então quis fazer algo paralelo e completamente me livrar do protocolo de como nós escrevíamos e de como nós gravávamos. Era muito constrangedor para mim sentar lá e tentar obter um tom de guitarra por 10 horas sem parar, e então depois começar a gravar até meia-noite. A maneira como nós fazíamos isso era realmente muito difícil para mim, então eu quis fazer algo em estúdio que fosse muito mais rápido, dinâmico, emocional e alinhado com as raízes do punk rock em que eu sempre estive inserido. Não que eu não estivesse inserido no pop-punk; o pop-punk estava obviamente em meu DNA, mas havia muitas outras coisas em que eu estava inserido e que eu queria fazer que não era apenas punk rápido, mas era mais post-hardcore e o início do movimento do que as pessoas começaram a chamar de emo. Eu sempre acompanhei essas bandas anteriores fazendo essas coisas, mas de maneira mais afastada.

Então eu fiz o álbum do Box Car Racer e eu estava escrevendo as músicas e pensando: “Merda, eu preciso de alguém para tocar bateria nisso”, e por que eu não perguntaria ao Travis? Ele é o melhor baterista do mundo e eles entrar e arrebentar. Bem, uma vez que começamos, queríamos fazer o melhor que pudéssemos, então não havia qualquer motivo para criar uma nova banda; era literalmente um projeto de arte, mas acabamos ficando extremamente orgulhosos dele e meio que criou muitas possibilidades para nós, artisticamente falando, e nos deu um pouco de abertura para como poderíamos progredir a música que nós amávamos e fazíamos, mas que também não queríamos nocautear a cabeça das pessoas com algo radicalmente diferente do que eles poderiam entender. Foi apenas uma progressão natural, uma progressão bonita naquele momento.

Muito disso foi levado para o Untitled do blink. Há muitos exemplos, como “Stockholm Syndrome” e “All Of This”, que poderiam estar em um disco do Box Car.

Com certeza, teve todo esse efeito. Eu sempre digo às pessoas que aquele disco foi o melhor do blink-182 por conta do disco do Box Car Racer. Não tinha nada a ver com qualquer outra coisa, na minha opinião, pois havia muito drama da banda ao redor do álbum do Box Car Racer que chegou um momento em que perguntaram para mim: “Olha, que tipo de coisa, musicalmente falando, você está procurando?”, e eu disse: “Esse tipo de coisa eu quero fazer. É mais dinâmico, mais emocional”, e todas as outras coisas que já disse aqui antes. Então todos nós concordamos: “Bem, vamos fazer isso”.

Então alugamos uma casa e não gravamos em um estúdio. Mudamos a forma como gravávamos e mudamos o que estávamos dispostos a fazer – não apenas ser complacente e satisfeito. Muito do  punk rock é assim. Isso é o que as pessoas odeiam no punk: Você ama até três discos e depois vocês está dizendo: “Que merda! É tudo a mesma merda!”. Então, como você progride algum que parece impossível? O Untitled veio por que eu fui para a “escola de música” com Travis e nós forçamos a porta completamente e fizemos muito mais coisas.

Quando foi a última vez que você realmente ouviu o álbum do Box Car Racer?

Oh, meu Deus, eu não o ouço há… muito, muito tempo. Digo, se o disco foi lançado há 10 anos, meu Deus.

Há 15 anos.

Como assim, quanto tempo?

15.

Oh, 15? Oh, meu Deus. Achei que 10 era pouco. [Risos] Eu provavelmente não ouço desde então. Digo, normalmente eu ouço minhas músicas o tempo todo, porque faço as músicas para mim, sabe? Não é por vaidade, porque eu definitivamente acho que mal consegui algo quando se trata de habilidades musicais. [Risos] Eu só gosto do que faço, pois tudo o que estou fazendo é apenas celebrar a merda que eu amo, então estou pegando as formas e as cores de todas as músicas que amo e tentando combinar. Como: “Aqui tem algo do Journey e aqui tem algo do Fugazi. O que acontece quando você une as duas coisas?”. [Risos] Então você vai ouvir e será como: “Bem, ainda soa como Descendents” e eu digo: “Ugh! Eu estava me esforçando tanto!”. [Risos] Então eu ouço bastante minhas próprias coisas, mas então eu fico entediado e nunca mais escuto novamente. Então, respondendo tua pergunta, provavelmente faz todo esse tempo que não ouço.

Bem, apesar de não estar fresco em tua mente, olhando para trás, como você se sente sobre o álbum depois de todos esses anos?

Não, está fresco. Acho que é viciante. É uma versão mainstream das influências post-hardcore e punk rock em minha vida, mas também algo artístico. Acho que fizemos algo na gravação desse disco que nunca foi feito na maior parte, onde as variâncias, o volume e o alcance sonoro são apenas extremos. Esse foi o primeiro álbum que eu criei. Não gravado, criado – duas coisas totalmente diferentes.

Em retrospectiva, você acha que há algo que você gostaria de ter feito de forma diferente com esse álbum?

Não, não. É engraçado porque foi a melhor e a pior coisa para o blink-182. Foi o início de muita tensão na banda, mas também foi a coisa que nos levou a escreve canções melhores, então, o que você faz? A mudança é difícil para os fãs, para os membros da banda, e eu nunca quero mudar apenas por querer mudar. Eu sou bastante estratégico sobre como eu faço tudo e eu nunca vou variar a minha definição do que eu acho que é legal. [Risos]

Box Car Racer