Exclusivo: entrevista completa de Travis Barker para a KROQ

Autor Por Mona em 30/01/2015

Travis Barker deu uma entrevista para a rádio KROQ, conhecida por outras persas entrevistas e lançamentos envolvendo o blink-182.

O baterista foi convidado ao programa Kevin & Bean, de Kevin Ryder, para falar um pouco mais sobre os últimos acontecimentos em torno do blink-182.

A tradução completa você confere abaixo:

Kevin Ryder: Você tem uma vida estranha, cara. Muitas coisas acontecem nela, você está acostumado?

Travis Barker: É como o filme mais legal que você já viu (…) Eu amo tocar, já disse isso um milhão de vezes, adoro todas as oportunidades que aparecem no meu caminho.

Kevin: Estávamos comentando como você é o tipo de cara que tocará em uma banda de rock até que seu coração exploda. Você nunca irá se aposentar, deixar as baquetas de lado, certo?

Travis: Sim, você teria que cortar minhas mãos fora, mas não quero ficar dando ideias. É o único jeito de me fazer parar.

Travis Barker - KROQ

Kevin: É sempre bom ter você por aqui, Travis. Muitas coisas estão acontecendo, temos muito sobre o que falar (…) O Musing Festival já está em sua 8ª edição! E acho que esse é o melhor lineup que vocês já fizeram.

Travis: Estou muito empolgado com Rancid, Sick of it All, Bad Religion, Ignite, Yelawolf e Blink. (…) Isso começou há meses, eu estava selecionando as bandas antes do natal e estava louco para contar para todo mundo, mas finalmente chegou a hora de pulgar isso.

Kevin: Existe alguma parte do seu corpo que você pensava que nunca faria uma tatuagem, e agora está coberta por elas?

Travis: Minha cabeça (…) Todas as mulheres com que estive me diziam “não tatue sua cabeça, ou eu vou te matar”. Mas no minuto em que me tornei solteiro, fui tatuar minha cabeça (…) Não me importo se isso vai afastar garotas agora, porque na verdade não me importo com o que os outros pensam.

Kevin: O Musink Festival acontece em março (…) e a apresentação do blink-182 provavelmente chamou mais atenção do que vocês esperavam por conta das últimas notícias. Talvez tenha acontecido um tipo de negatividade em torno do show, porque os fãs não vão poder ver o blink-182 que conhecem. O que está acontecendo, Travis?

Travis: Realmente é uma situação diferente. Em novembro nós três concordamos em fazer esse show, talvez no fim de outubro. E um dia antes da véspera de ano novo, recebemos o e-mail do empresário do Tom dizendo que ele estava fora por tempo indeterminado; ele não sabia dizer por quanto tempo, poderia ser para sempre, deu a entender que seria para sempre. Disse que não faria nada relacionado ao Blink, fossem shows ou a gravação do novo CD, e estávamos prontos para entrar em estúdio dia 5 de janeiro, então ficamos sabendo disso cinco dias antes. Você precisa entender que o estúdio estava alugado, nossos equipamentos já haviam sido transportados, todo mundoestava pronto para começar. Essa foi a quarta vez que isso aconteceu.

Kevin: Então você sabia o que aquilo significava. Quando recebeu o e-mail, pensou “lá vamos nós de novo”?

Travis: Com certeza. Então trocamos mais alguns e-mails, e recebemos a resposta definitiva por parte do Tom.

Kevin: É incomum que vocês tenham recebido essas notícias por e-mail? É normal que vocês não se falassem por telefone ou pessoalmente?

Travis: Foi exatamente isso que aconteceu há 10 anos atrás, nenhuma ligação por parte do Tom e a comunicação por meio do seu empresário “não incomodem o Tom, ele está fora, deixem-no em paz”.

Kevin: Vocês se falavam quando as coisas estavam bem, ou não?

Travis: Logo depois que voltamos do Reading & Leeds e alguns shows em Las Vegas, Tom me ligou e disse que estaria em Los Angeles (onde eu moro, ele mora em San Diego), e nós fomos jantar juntos porque nunca tínhamos feito isso, e foi muito legal fazer algo juntos fora dos shows. Dois meses depois aqui estamos. (…) Mas não podemos fazer um homem adulto a fazer algo que não quer, se seu coração não está nisso, não se incomode. Há 10 anos tínhamos um grande show marcado que tivemos de cancelar pelo mesmo motivo, foi muito ruim para nós, para os fãs, para todo mundo; e agora a mesma coisa aconteceu com o show do Musink, nos comprometemos com isso e agora vamos em frente. Já aconteceu antes, eu perdi toda a turnê da Austrália e um baterista substituto foi contratado (…)

Kevin: Eu te conheço, Travis. Sei que você é um cara que odeia drama, sei que não tem tempo para isso. Isso deve estar te incomodando.

Travis: Eu não gosto disso, prefiro resolver a situação diretamente com a pessoa. Não gosto desse disse-me-disse (…). Se você tem algo para me dizer, me ligue..

Kevin: Você disse uma coisa na entrevista para a Rolling Stone que machucou meu coração. Você disse que não sabia porque tinham se reunido, no final das contas (…) O que você estava querendo dizer, você estava contestando a motivação do Tom com o Blink desde então?

Travis: Foi estranho. Gravamos um álbum logo depois disso e ele não escutou nenhuma das mixagens, nada que foi gravado. Isso foi estranho, era nosso primeiro trabalho depois do hiato, você está louco? Depois do meu acidente de avião, voltamos a nos falar e decidimos fazer música juntos novamente, no momento todos estavam preocupados comigo e com certa pena de mim; logo que isso passou, a situação ficou estranha, como você pode não ouvir as mixagens da sua banda? Por isso eu questionei porque nos reunimos em 2009

Kevin: Você diria que ainda são amigos?

Travis: Eu não odeio ninguém. Acho que ele ainda é meu amigo, só não quer mais estar na nossa banda.

Kevin: É algo com “se você não quer estar aqui, eu também não quero que você esteja aqui”.

Travis: Sim, é como seu uma garota chega para você e fala “eu não quero te ver nunca mais, não quero mais ficar ou sair com você”; e você não vai falar para essa garota “venha aqui agora, fique comigo agora”. Você precisaria dar espaço para a garota, deixá-la seguir em frente. É a mesma situação.

Kevin: Então você deseja o bem dele, só quer continuar a fazer suas coisas enquanto ele segue em frente com as coisas dele.

Travis: Sim, com certeza. Eu sempre tive persos projetos paralelos, já trabalhei com milhares de artistas, e mesmo assim o Blink-182 sempre foi minha prioridade. Sou apaixonado pela banda, e ela sempre esteve na frente de todos os meus outros trabalhos. Porém, quando você está em um trio, fica muito difícil quando um dos integrantes não se importa mais.

Kevin: Em algum momento você e Mark quiseram que o Tom deixasse a banda?

Travis: Não! Isso nunca foi como uma conspiração repentina minha e do Mark, já vim ao seu programas mais de 10 vezes, e sempre que você me perguntava sobre o Blink, eu tinha que te dizer “estamos nos programando para gravar, as coisas estão seguindo em frente”; então foi um alívio para nós tirar esse peso das nossas costas e finalmente esclarecer qual a real situação, não precisamos mais adiar as coisas ou mentir (…).

Estamos felizes por não ter que permanecer enrolando os fãs (…) Sempre tivemos que cobrir o lado do Tom, já que ele não queria iniciar as gravações do novo álbum. Tentamos por quatro ou cinco vezes, tínhamos o interesse de gravadoras, esperamos por ele o tempo que aguentamos; mas ainda sim recebemos aquele e-mail do empresário dele.

Kevin: Você se sente pressionado por tantas pessoas amarem a banda como ela é? Por exemplo, uma das minhas das minhas bandas preferidas é Rage Against the Machine, e infelizmente eles se separam há cada 10 anos, nunca fazem shows ou lançam coisas novas (…) Os fãs querer poder ver suas bandas preferidas no palco como são.

Travis: Não. Você não pode forçar alguém a fazer algo que não queira fazer (…) Eu conheço pessoalmente todos os integrantes do Rage e os adoro, mas não gostaria de vê-los juntos nos palcos se eu soubesse que suas relações não estivessem 100% bem, o mesmo serve para o Blink, eu não gostaria de ver ninguém passar por isso (…).

Kevin: Mas cara, vocês escreveram uma música chamada “Stay Together for the Kids”!

Travis: (risos) Eu sei disso. Eu também não entendo, cara. (risos)

Kevin: Qual foi sua reação ao post do Tom depois da entrevista de vocês para a Rolling Stone, onde ele falava sobre o outro lado da história, todo o tempo que precisava dedicar ao Angels & Airwaves, todos os compromissos e contratos que já tinha assinado (…).

Travis: Depois que eu disse o que tinha para dizer me afastei (…) Então não li nada disso, mas se esse é o caso, não acredito nisso. Eu tenho em torno de seis outros projetos além do do Blink-182. Não é como se tivéssemos uma turnê inteira e trabalhássemos oito meses por ano; temos apenas um show marcado. A gravação do álbum tomaria de quatro à seis meses do nosso tempo. Eu consigo. Ainda assim eu continuo com minha parceria com o Yelawolf, com o Transplants, tenho a minha marca, passo muito tempo com meus filhos (…)

Kevin: Tom nega que tenha saído da banda, e no dia em que o comunicado de vocês saiu, ele twittou sobre uma conversa que teve com Mark sobre a possibilidade de você deixar a banda.

Travis: O motivo disso é quando a turnê da Austrália foi planejada, e eu disse para todos que faria o meu melhor para que conseguisse voar novamente (…) Eu fiz tudo o que podia, trabalhei com meus terapeutas, eu realmente achei que conseguiria. Quando as coisas deram errado, o promoter da turnê começou a falar na internet que estava perdendo dinheiro porque não compareci. Cara, eu estive em um acidente de avião, por que ele discutiria isso comigo? E Tom não gostou da maneira como falei com o promoter. Eu sabia que estava certo do fundo do meu coração, não tive a intensão de causar uma briga enorme, mas eu já estava muito chateado por ter desapontado tantas pessoas, por não ter conseguido entrar no avião; e então o promoter vem me encher o saco, e Tom não me apoiou. Por que não mostrar algum respeito? Na época, acho que Tom não se importava muito comigo, já que eu não podia voar. Não sei muito sobre isso, foi Mark quem explicou a situação para mim e eu pensei “tudo bem, se é isso que ele quer”. Eu jamais faria o que ele fez agora, o disse-me-disse, eu falaria por mim mesmo (…) Não consigo achar nada de positivo no fato de você pedir para o seu empresário fazer o trabalho sujo.

Kevin: Qual o futuro do blink-182, seja com Matt ou qualquer outra pessoa?

Travis: Só consigo pensar no Matt Skiba, ele está em uma das minhas bandas preferidas. Estou muito empolgado para o show (…) Vamos tocar no Musink, vamos arrebentar e ver o que acontece. Os fãs precisam saber que isso não foi planejado, nós realmente queríamos tocar, por isso chamamos o Matt, não tocar não era uma possibilidade (…) Existe uma energia na banda agora, apenas conversar sobre os ensaios já é empolgante.

Kevin: Fico feliz em perceber que você realmente quer o melhor para o Tom. Você só quer seguir em frente, e pronto.

Travis: Eu desejo o melhor para qualquer pessoa. Não tenho inimigos, não desejo mal à ninguém. A vida é muito curta para pensamentos negativos ou para perder seu tempo desejando o mal de alguém.

Travis finalizou a entrevista dizendo que está ansioso para o lançamento de novos materiais de outros projetos paralelos, e está ansioso esperando pelo Musink Festival.