“Eu não consigo nem lembrar de mim antes, para ser honesto.”

Autor Por Márcio Medeiros em 11/09/2010

Confira a tradução desta matéria que saiu na The Source e logo abaixo, as scans:

Tradução: Belle.

Em minha mente

Depois de mal sobreviver a um acidente fatal em um avião e depois de lidar com a morte de seu amigo, DJ AM. Apenas 11 meses depois, o Super-Baterista e produtor Travis Barker foi para o inferno duas vezes nos últimos dois anos.

Vindo de um silêncio mortal onde ele passou um tempo para se recuperar de tudo que ocorreu, Travis revela porque ele se doou ao máximo em seu novo álbum solo de estréia, Give The Drummer Some.

Gentilmente me perdoe Travis Barker, por tirar um pouco do seu tempo. Seria eufemismo sugerir que os últimos dois anos têm sido tumultuados para o baterista do Blink-182.

Eles têm sido, e é claro que antes dele dizer alguma palavra, Ele pensa muito para descobrir a quem ele pode ou não confiar a sua história. Quando você receber a luz verde de Barker, quando você esperar o tempo que leve para ele desdobrar os braços, relaxar em um sofá em seu estúdio no norte de Hollywood e falar abertamente sobre o terrível acidente de avião que ele e seu amigo e colaborador, DJ AM, sobreviveram milagrosamente, você vai ouvir algumas verdadeiras jóias.

“Eu não consigo nem me lembrar de mim antes, para ser honesto”, ele disse lentamente sobre o acidente, enquanto, esfregava sua mão no pescoço e alisava toda as tatuagens que cobrem boa parte de seu corpo. “Logo depois eu não tinha tanta certeza de quem eu era… Eu não podia sequer pensar de forma coerente. Demorou um tempo para eu viver normalmente, para ser honesto…”, ele despista.

Sinceramente, Barker está tentando viver normalmente. Dois setembros atrás, Barker escapou da morte quando o Learjet 60 em que ele era passageiro sofreu um acidente em Columbia, Carolina do Sul. O jato estava fazendo seu caminho de volta para a Califórnia e de acordo com a National Transportation Safety Board, os quatro pneus ficaram sem pressão e como o avião estava a 150Km/h, os 4 pneus explodiram e os freios falharam após pedaços dos pneus terem atingido o sistema hidráulico do avião. O jato saiu da pista, bateu contra uma cerca, atravessou uma pista próxima, bateu em um barranco e explodiu em chamas.

Barker e DJ AM, que também estava no avião, foram hospitalizados e internados em condições criticas. Quatro pessoas foram mortas, incluindo o assistente de Barker, Chris Baker, e seu amigo e ocasionalmente segurança pessoal, Charles Still. As costas e pernas de Barker foram cobertas de queimaduras de segundo e terceiro grau, e o médicos disseram que demoraria pelo menos um ano para que ele se recuperasse totalmente. Barker e AM eventualmente superaram o acidente terrível. Mas a historia de Barker não termina por aqui. Após vários shows e performances para mostrar a todos que ele e AM estavam de volta a ativa, deixando de ser os caras por trás de tudo e levando sua musica hip-hop-bateria-hibrida-mixada a novos padrões, Barker recebeu uma ligação falando da morte de AM com uma overdose acidental, no ultimo mês de agosto.

Barker tempera sua conversa com relatos daquele terrível momento na Carolina do Sul, as conseqüências posteriores e a morte de AM. Tudo isso vai permanecer com ele por toda sua vida. E se você puder ouvir entrelinhas, as batidas e melodias agressivas do seu primeiro álbum solo, Give the Drummer Some, o qual será lançado em setembro, você percebera a agressividade aqui também. O álbum tem 10 faixas, e esta por toda parte, da melhor maneira possível. O projeto é a culminação de todos os lados de Barker, desde seu interesse pelo Hip-hop de 1980 (ainda criança, ele curtia Run-DCM, Doug E. Fresh, Beastie Boys, Whodini e Grandmaster Flash) até punk rock do anos 90, os dois estilos tem lugar no álbum. Ele chama de álbum “sem gênero”, e apresenta uma eclética mistura de músicos, incluindo RZA, Lil Wayne, Rick Ross, Raekwon, the Cool Kids, Pharrell, Slash, Snoop Dogg, Slaughterhouse e Tom Morello do Rage Against the Machine.

É um projeto ambicioso, ele sonhava em gravá-lo desde antes de seu acidente de avião. Para começar ele planeja lançar cada faixa do álbum como um single e gravar clipes de todas elas.

Barker acena com a cabeça quando apontamos que mesmo que ele não tenha dado a nenhum dos rappers ou MCs uma direção sobre os versos, muitas das faixas parecem ter sido escritas por ele eu seu diário pós acidente e pós o falecimento de AM. Todos que estão no projeto são pessoas que conhecem o Barker na “vida real”, e ele compartilhou com os amigos e colaboradores tudo sobre o que aconteceu em seu mundo nos últimos anos, então é de se esperar que eles possam ter percebido o que ele estava sentindo e transformaram isso em palavras.
“Eu acho que em certas circunstâncias, sim. É como se, ‘o demônio estivesse comigo’ – Eu estava na turnê do Blink, cheguei no estúdio em nova Iorque, estávamos trabalhando no estúdio e eu descubro que o AM se foi. Quer dizer, eu literalmente comecei o som e todos estavam escrevendo. Royce está escrevendo, todos estão escrevendo, e eu descubro que o AM morreu e a sessão virou pó”, diz ele. “E talvez, quem sabe, isso fez tudo ficar tão escuro, ou qualquer coisa. (com o) Cool Kids, nós escrevemos, nós fizemos aquela musica toda em uma sala todos juntos, então isso foi um tipo de inspiração.”

Barker, que produziu um dos melhores remixes de Hip-hop, incluindo “Forever” de 2009, ele fica inspirado quando fala sobre estar atrás de uma bateria, sem blusas – como nós costumamos vê-lo em seu melhor desempenho – atrás também de alguns dos mais sexys caras no Hip-Hop.

Houve um pequeno tempo depois do acidente em que ele não tinha certeza se voltaria de volta para lá.
Barker olha para sua mão esquerda antes de falar novamente, estica seus dedo e fecha o punho no ar. “minhas mãos, enquanto eu estava no hospital, pareciam que estavam em alguma merda do Freddy Krueger. Eu não tenho nem idéia de como você chamaria aquilo”, ele diz, “Mas, elas não tinham pele e eu não conseguia senti-la por um longo tempo após meu acidente.”

Na verdade, ele estava pensando em sua sobrevivência, mas ele precisava saber que poderia voltar a ficar atrás de uma bateria, batendo forte como quando estava na banda de pop-punk, Blink-182, a qual em alguns círculos é considerada uma das bandas mais influente nos últimos 20 anos.

“Primeiro você deve entender que você esta num hospital por dois meses, e você fica simplesmente tipo, ‘Yo, Eu não acho que vou conseguir dar a merda do fora daqui.’ Você simplesmente continua vendo os dias passarem e os médicos falando no corredor e você escuta merdas de coisas demais, tipo que isso pode durar mais do que você espera. E estava ansioso para sair,” ele diz. “Para ser sincero, eu não estava sequer falando a eles tudo que estava errado porque eu queria sair de lá e eu lidaria com essa outra merda depois. Esses eram meus pensamentos, e talvez, mais ou menos um mês depois que eu sai do hospital, eu estava tipo, ‘Minha mão, eu ainda não consigo sentir minha mão, E eu imaginava se eu deveria falar algo.”

Ele finalmente falou. Ele precisava. Sua carreira dependia disso, e mesmo que ele estivesse agradecido de estar vivo e ele precisava terminar o que tinha começado e fazer mais musica. “Bem, eu finalmente disse alguma coisa, e então você passa por esses testes loucos, muito loucos, de nervos, e eles descobriram que, por qualquer que seja a razão, talvez o impacto ou as queimaduras, eu tinha um nervo que estava completamente cortado, então eles não sabiam se poderiam repará-lo,” ele disse. “Então eles disseram, ‘Nós podemos ir para a cirurgia e ver o que podemos fazer, não é 100%. É tipo, 50% de chance que você recupere seu nervo.’ E eu fiz isso e eu recuperei o sentido de três dedos. Então agora, eu só não sinto esses dois,” Ele diz, mostrando seu anelar e dedo mindinho. Ele ainda está na fase de recuperação e tem de tomar suplementos, mas como ele diz, “De sentir nada para alguma coisa, é um grande passo para mim.” Assim que ele recuperou algum sentido nas suas mãos, Barker começou a praticar. É difícil retira-lo do estúdio ultimamente, e porque ele nunca mais vá voar de avião – ele já odiava voar antes do acidente – ele passou dias viajando de ônibus para a costa leste para trabalhar e descobriu que pode criar lá também. Quando ele foi para a Europa para uma reunião do Blink, ele foi de ônibus até Nova Iorque e depois pegou um navio para levá-lo através do mar.

Ele tentou brevemente fingir que nada havia acontecido, mas então decidiu simplesmente transformar isso em música. Aquele acidente de avião era algo muito grande para ignorar. “É meio como quando o 50 cent foi baleado, não importa quanta merda de vezes ele foi baleado, tipo, ele nunca vai esquecer aquilo. Ele vai para um lugar novo, ou qualquer coisa, que sabe o que se passa por sua cabeça. – Eu sinto mais ou menos a mesma coisa. Claro, eu nunca vou esquecer disso, faz parte de mim, mas eu lido com isso da melhor maneira que eu posso. O que resulta em mim batendo na minha bateria,” ele diz, rindo uma daquelas realmente boas e profundas risadas. “É por isso que sempre parece que eu tenho alguma coisa contra minhas baterias.”

Ele continua suas risadas, e isso soa bem vindo de Barker, quase como se ele precisasse que as pessoas entendessem que ele está bem e feliz, e pronto para fazer mais do que ele ama: colocar um baterista de rock misturado com Hip-hop, e vivendo sua vida o melhor possível. “Eu vou conhecer pessoas e elas vão ficar tipo ‘Oh, irmão, você quase… Como você se sente, você quase morreu ou qualquer coisa,’ e eu fico tipo, ‘Merda eu estou no palco com T.I. ou eu estou na E3 com o o Eminem ou quem quer que seja.’ E isso tudo é uma dessas grandes bênçãos também,” ele diz, sorrindo, “Então, eu não posso reclamar.”