Entrevista com DeLonge direto do backstage da tour

Autor Por brunobld em 27/08/2011

Nossos amigos do site MCR Brasil nos enviaram a entrevista que a SPIN fez com Tom DeLonge e o baixista do My Chemical Romance, Mikey Way. Muito obrigado ao pessoal da equipe que nos enviou, e não deixem de visitar o site deles, clicando aqui.

Confira agora a entrevista completa:

O Blink-182 chamou o My Chemical Romance para se juntar a eles na Honda Civic Tour este Verão e Outono (Inverno e Primavera no hemisfério Sul). Blink está tocando músicas de seu álbum a ser lançado no dia 27 de Setembro, o Neighborhoods, o primeiro álbum da banda em 8 anos. O guitarrista e vocalista Tom DeLonge diz à SPIN que ele sempre quis fazer uma turnê com os roqueiros de New Jersey.
Horas antes do recente show de abertura em Holmdel, NJ, DeLonge e o baixista do MCR Mikey Way conversaram com a SPIN sobre a turnês, a influência música das bandas favoritas Weezer e Rancid, e a propensão a brincadeiras do companheiro de turnês passadas, Green Day.

Obviamente, houveram muitas brincadeiras e piadas. Em um certo ponto da entrevista, DeLonge pôs a mão no bolso e tirou uma palheta e a entregou para Way, que leu a inscrição na parte de trás da mesma para todos ouvirem: “Eu te quero dentro de mim.”

Eu imagino que vocês estejam constantemente rindo. Vocês pregam peças uns aos outros?
Tom DeLonge: Nós realmente não pregamos peças em ninguém. Bom, nós fizemos isso [em uma turnê anterior] com uma série de paralizantes feixes de luz durante um show do Jimmy Eat World. Nós fizemos isso aleatóriamente durante uma música. O [líder da banda] Jim [Adkins] estava lá cantando sobre uma garota e a gente acertava ele com os feixes de luz. Isso foi parcialmente ideia do Green Day, também.

Mikey Way: Quando nós estávamos em turnê com o Green Day, eles realmente nos pegaram na nossa última noite juntos. Eles encheram um daqueles sacos de lixo grandes com pipoca e o colocaram em cima de onde eu ficava. Quando fomos tocar eles abriram o saco e deixaram cair toda a pipoca. Eles também brincavam com as luzes e os diretores de iluminação deles vinham para fora e apontavam eles nas nossas caras! Toda vez que o Gerard tentava falar entre as músicas, eles ligavam os feixes de luz — e a banda subia no palco com sabres de luz e começavam a lutar enquanto nós tocavámos [risos].
Vocês têm alguma espécie de rituais pré-show?
TD: Eu disse a todos que não ia beber nesta turnê. Mas agora estou sentindo que posso começar aqui em breve[risos]. Eu não sei quanto a você [olha para o Mikey] mas eu passo uma boa hora escutando Van Halen e Descendents, e bebendo vodka com um pouco de suco de laranja.

MW:Esse é um bom ritual! Eu acho que simplesmente sento no backstage e faço exercícios de memória e fico na zona por volta de uma hora antes. Não é nem perto de tão maneiro quanto o seu ritual.TD: Eu sei. Exercícios de memória, nossa.

MW: Eu nem sequer faço exercícios normais para ter músuculos!

Mikey, você escuta alguma música para se preparar para um show?
MW: O Frank [Iero] normalmente sempre tem alguma playlist bem bacana tocando no backstage. Eu também costumava escutar bastante Weezer antes de entrarmos.

TD: Você gosta do “The Blue Album“?

MW: Eu amo o Pinkerton. Eu fui ao show do album Pinkerton, e o Weezer tocou o álbum inteiro — foi incrível! Eles tocaram o “The Blue Album” na noite anterior, mas infelizmente eu não pude ir..

TD: “The Blue Album” é tão bom, cara. Aquela música de “ir surfar” [“Surf Waz America”] é a coisa mais incrível de todos os tempos!

Vocês tiveram que reaprender algumas músicas para esta turnê? Ou elas já se enraízaram em seus cérebros…?
TD: Não, eu estive tocando algumas destas músicas por 20 anos agora.

MW: Tem algumas músicas que vamos tocar mais tarde na turnê que tivemos que reaprender. Vamos começar com um set parecido com o que estívemos tocando nos festivais europeus. Mas mais para o fim vamos mudar a set list, tem algumas músicas que não tocamos há provavelmente uns cinco ou seis anos. Acredito que vamos tocar essas em Setembro.

TD: A banda tem me feito cuidar de  alguns solos, também. Solos de vocal, na verdade, não na guitarra. Então temos que trabalhar onde os queremos [risos].

MW: É, temos que pensar nisso.

Vocês seguiram a carreira uns dos outros através dos anos?
TD: Eu digo a todos que implorei aos pés deles, “Venham fazer essa turnê com a gente!” Eu queria que eles fizessem a turnê com a gente na primeira turnê de reunião do Blink; não funcionou por que eles estavam saíndo de um ciclo de turnê e nós ainda estávamos colocando a banda novamente junta. Mas eu posso dizer — aqui na frente dele [Mikey] — que eu penso que o My Chemical Romance é a próxima geração depois do Blink.  O escopo de sua perspicácia artística é radical e progressivo. Eu sou um pensador muito progressivo sobre música, então eu achei que isto [esta turnê e parceria] faziam todo o sentido. O My Chem já está circulando no ar acima de nós.

MW: Isso é incrível. Obrigado por dizer isso. Blink é uma das bandas que sempre admiramos e respeitamos. Há uma série de semelhanças em como começamos. Ambos viemos de cenários que parecia que não encaixavam conosco, mas mesmo assim todos viemos e fizemos aquilo que queríamos.

TD: O que é legal sobre isso que você disse é que as bandas de punk rock que não encaixavam são as que se tornam grandes, normalmente, como The Clash ou Police ou U2, que foram realmente bons tocando seus instrumentos. The Cure começou com “Boys Don’t Cry” e de repente eles estão escrevendeo “Just Like Heaven”. Eu vejo isso no My Chemical Romance e eu vejo isso em nós [Blink]. Eu sempre pensei que as bandas punk que não se encaixam são as que têm maior potencial.

MW: Absolutamente. As pessoas podem dizer o que quiserem, mas não dá para nos classificar em um único gênero. Somos apenas rock’n’roll, o que faz com que seja perfeito que estejámos finalmente nesta turnê juntos.

Então, Mikey, você era um fã de Blink enquanto crescia?
MW: Claro! O primeiro álbum que eu comprei foi [de 1994] Cheshire Cat. Acho que eu estava na nona série.

TD: Isso é muito louco!

O que explica o alcance etário neste show. É tão grande!
MW: Eu amo isso. Sem dúvidas. Com esta turnê vai ter crianças de 24 , 40, 60 anos. É um espectro tão grande.

TD: E quando o Rancid se juntar a nós, as nossas duas bandas vão provavelmente tirar aquelas noites de folga, sentar e apenas deixar o Rancid tocar. [risos].

Animados para que o Rancid se junte a vocês, huh?
TD: Nossa, eu não posso esperar. Eu sempre me irrito quando falo sobre eles, porque  na minha mente, aquela banda podia ter começado exatamente onde o Clash parou. Eles são tão profissionais e têm tantos hits, também. Eu ainda ouço Rancid toda noite antes de tocar, sem contar o resto que mencionei mais cedo.

As duas novas músicas do Blink lançadas até agora, “Up All Night” e “Heart’s All Gone”, mostram lados diferentes do som da banda. Tom, como você descreveria o álbum novo como um todo?
TD: Parece que pegamos todos nossos projetos paralelos (Angels & Airwaves do DeLonge, o LP solo Transplants do baterista Travis Barker e o +44 do baixista Mark Hoppus) e os pusemos em uma grande garrafa e chacoalhámos. Todos aprendemos muito em nossas respectivas carreiras, durante esse hiato de oito anos e não seria genuíno nem sincero não considerar isso. Por isso acredito que você vai escutar de tudo. Se você escutar as duas músicas que lançamos, tudo se encaixa entre as duas composições.

Os fãs têm a cabeça aberta para as suas bandas falando de riscos criativos?
TD: Eu acho que eles [MCR] construíram sua carreira nisso. Com o nosso último álbum [Blink-182 de 2003] começamos a andar nessa direção, mas nossos fãs são bem hardcore. Ter feito o Angels & Airwaves [durante o hiato do Blink] eu comecei a perceber por uma visão periférica o que o Blink realmente é. Eu aprendi o que o Blink era, depois que acabou. Quando voltamos eu estava tipo, “Okay, é assim que é.” Isso me ajudou a entender porquê fans são tão fatais sobre isso. Mas eu percebi isso porque eu sou dessa mesma forma acerca de  muitas outras bandas de punk rock. Eu fico tipo, “Não f**e com o que isso significou para mim como adolescente.

MW: Quando você muda [o som da banda] às vezes os fãs são teimosos e ficam tipo, “Ah cara, isso soa diferente.” Mas muitas vezes eles aprendem a gostar dessa mudança, mesmo que não seja imediato.

TD: É.. demora um pouco.

MW: Sim, demora. Mas então eles ficam, “Nossa, isso é até melhor!”