Duas cabeças pensam melhor do que uma

Autor Por brunobld em 20/04/2009

Juro que não é preguiça – embora eu esteja extremamente assoberbado nos últimos dias. No entanto, os motivos que me levaram a confeccionar esta coluna com minha amiga Jéssica já vêm de algum tempo. Foi uma idéia que partiu de meus ideais democráticos e de uma camiseta minha que diz “Information Libre” – tá certo, a camiseta não me influenciou em nada nesse processo… mas, é uma bela camiseta. Espero que todos apreciem o ótimo pensamento da Jéssica e que se esforcem para compreender os meus comentários finais – porque eu não entendi nada… brincadeira.  Vou ficando por aqui, e enquanto ouço algum pop punk, vou aprontando os meus afazeres. Espero que apreciem.

Continuar junto pelas crianças?

Separação. Situação complexa e que vem se tornando bem comum em nosso século XXI. Mas, por que há cem anos atrás as pessoas não se separavam? Motivo: a Igreja Católica não permitia e até hoje não permite, mas agora as pessoas já não são tão fiéis à religião. Elas eram bem ligadas às questões de fé e hoje, à minha concepção, Deus já não é presente na vida do ser humano.

Hoje as pessoas se casam, já pensando que se qualquer coisinha não der certo elas poderão se divorciar. Algo que era pra ser eterno tornou-se comum; algo que era tão importante perdeu o sentido.

Muitas vezes é assim: o homem e a mulher se conhecem. Depois de seis meses vão morar junto e a moça fica grávida. Então a criança cresce e os pais se “separam”. Na verdade, os pais vão cada um para sua casa e o filho vai para a casa da mãe na maioria dos casos.  Então, como é que fica a cabeça da criança? Um mar de confusões e com razão.

O casamento de um século atrás já não existe. Foi substituído pelo prático “morar junto”. Aquela união de amor selada pelas palavras do padre “até que a morte os separe” tornou-se careta e antiquada.  Agora, é diferente quando o casal realmente se casou por amor. Construiu uma família porque acreditavam um no sentimento do outro. As brigas e discussões pesaram em sua relação e chegaram a conclusão que seria melhor colocar um ponto final, depois de várias tentativas de reconciliação. Esse é outro caso.

As pessoas confundem muito amor com paixão. Aí elas casam apaixonadas e a ardente paixão simplesmente vai acabando. Salvo alguns casos que o amor vem depois, apesar de ser bem raro, porque amor é confiança, segurança, compreensão, paciência. A paixão é uma onda de sentimentos extasiantes que nos tiram a razão, deixa nossa emoção no auge e depois tudo se acalma.

O que acontece é que não temos mais a estrutura de anos atrás. Antes, garotas de dezesseis anos já eram maduras para se casar, sabiam que suas responsabilidades seriam cuidar da casa, educar os filhos e ser um alicerce para o marido, dando apoio e atenção quando fosse necessário. Mas hoje em dia isso fica bem longe… Não dizendo que nós somos irresponsáveis e sim que com essa idade estão distantes desses. Colocamos em primeiro lugar a nossa liberdade e independência. Queremos sair, viajar, estudar e não depender de nenhum homem. Tudo bem, porque não somos casadas. Mas há muitas mulheres que se casam e querem ir pra balada, deixando os filhos na casa da avó! Isso é muito diferente, não é?

O ponto é: não se deve casar pensando em se divorciar. Ou pelo menos se você pensa assim, não tenha filhos! Deixe as conseqüências de seus atos para você, não envolva um inocente nisso.

“Nenhum poema estúpido poderia consertar esta casa”  – Stay Together for the Kids

Avaliando esta frase, podemos perceber a decepcionante experiência de ter os pais brigando e de repente ver o casamento desmoronar. E isto por quê? Falta de estrutura, falta de amor, falta de Deus. Quando falta tudo isso, nada pode consertar, nem palavras, nem gestos, nem lembranças. Ou então, o próprio casal se decepcionou com o casamento, imaginando algo e descobrindo outra coisa bem diferente.

“Vinte anos agora perdidos, isto não está certo” – Stay Together for the Kids

Pensando por outro lado, será que não está certo acabar com uma união em que tudo se desgastou, acabou? Talvez seja muito injusto ficar casado por causa dos filhos. Todos temos o direito de sermos felizes. E às vezes o fim de um casamento não deve ser visto como algo perdido desde que enquanto ele existiu havia amor, compreensão, companheirismo. Deve-se tirar dele lições de crescimento e aprendizado. Sem contar que dele surgiram frutos: os filhos, a nossa continuação aqui na Terra.

Jéssica Fernanda (jeh_nanda182)

Considerações do colunista

A meu ver, o amor no século XXI é igual ao amor do século passado e assim por diante. Não se iluda, o nosso maior problema, como bem retratou a Jéssica em seu texto, é que as pessoas raramente sabem o que é amor. Existem diferenças gigantescas entre a paixão e o amor. Aquele sentimento arrebatador do início do namoro tem de ceder espaço para um sentimento mais sereno, mais puro e confortante: o amor.

Aquele fogo cinematográfico que muitos casais esperam que seja a trilha de seus relacionamentos por muitos e muitos anos não passa de pura ilusão, truque de espelhos. Um engano aos desavisados. Mas eu não culpo os casais. Seus relacionamentos apenas refletem o que vivenciam no dia-a-dia: compra e venda, propagandas, relações mercadológicas. Digo isso porque entendo que, ao invés do amor, os casais atuais entram em um relacionamento com ideais muito parecidos com os que temos ao comprar pão na padaria da esquina: mero escambo. Mas, acreditem, amar é eterno. O que não é eterno é a paixão, é o pão de cada dia. Descubram o amor.

“Não revele sua identidade! Prefiro o mistério, prefiro a dúvida. Não saberia conviver com a verdade, com a minha ilusão perdida. Fuja e não olhe para trás. Você verá que o teu grande amor, pequenino amorzinho, é apenas um espectro do que sempre imaginou – apenas uma débil luzinha de natal, solitária entre as demais queimadas. Portanto, não pare! Tire os sapatos e corra o mais rápido que puder. Não deixe que te enganem com falsas imagens desenhadas em papel de prata, com penas de ouro –  viver é contrabandear sentimentos. Não perca tempo, pegue apenas o extremamente necessário e fuja. Não quero saber o teu destino, apenas que chegou a algum lugar.” – Eu, provavelmente bêbado, falando de amor há muitos anos.


LEANDRO DANI (leandro.feh) ainda tem 21 anos. No entanto, faz aniversário no meio do ano, e todos estão convidados. P.S.: menos você.