Conheça o projeto de jogo baseado no blink-182 criado por um brasileiro

Autor Por Danilo Guarniero em 21/01/2014

1475816_553311668084930_365060315_nQuem tem uma conta no Tumblr e segue algumas contas relacionadas ao blink-182 pode ter visto a imagem acima sendo reblogada diversas vezes. Nós vimos e o que nos chamou a atenção foi a surpresa de descobrir que o autor é um brasileiro e que tem um projeto muito legal por trás disso (aliás, o Action182 também está no Tumblr, segue lá).

Quem fez as imagens em pixel do blink-182 foi o ilustrador freelancer curitibano Maykson Diego Santos, de 25 anos, que atualmente estuda Programação de Jogos Digitais. Elas fazem parte de um jogo baseado no blink-182 que ele está desenvolvendo e tem o objetivo de lançar ainda esse ano – aqui a página oficial do projeto.

Nós conversamos um pouco com ele para entender melhor tudo isso e você confere abaixo tudo o que ele contou para nós:

Como você teve a ideia de começar o projeto? Foi algo por acaso?
Desde criança, sempre tive um console como um de meus melhores amigos. Como gostava muito de desenhar e criar histórias, a vontade de criar um game não demorou muito a aparecer na minha vida. Como as coisas no nosso país são um pouco mais complicadas, eu logo acabei desistindo por ser algo “impossível”. Com o tempo fui aprendendo ilustração e animação por conta própria, até que um dia, acabei descobrindo que já existiam games brasileiros, alguns fazendo sucesso e mostrando grande potencial.

A vontade de fazer um game retornou instantaneamente!

Bem, então comecei a estudar o processo de criação de um game por conta própria novamente, mas tive muita dificuldade, pois linguagem e lógica eram muito diferentes de animação e ilustração, era totalmente fora do que eu entendia. Comecei a conhecer algumas engines (motores para criação de jogos), e descobri uma engine que era bem mais simples, bastava que entendesse de lógica para programar um game. Logo começaram a sair alguns protótipos, coisas básicas e nesse meio tempo comecei a estudar Programação de Jogos em uma escola técnica aqui de Curitiba.

Pronto, agora eu já tinha a base, mas ainda nenhum game.

Como sempre escuto algo enquanto estudo ou trabalho, estava lá curtindo o “Enema of the State” (meu favorito), quando pensei: “E se eu fizesse um game sobre Blink?!”

O pontapé inicial eu já tinha, mas não sabia ao certo o que fazer. Como eu sempre quis fazer alguma homenagem para o Blink, mas nunca soube ao certo o que fazer, essa era uma grande oportunidade! O Blink está comigo já fazem uns 11/12 anos, não sei bem ao certo a idade que comecei a escutar, mas me recordo vagamente que foi algo entre “Dammit” e “What’s my age again?”, então eu já tinha um bom conhecimento do conteúdo e como os clips do Blink possuem cenas e personagens clássicos, a ideia estava pronta! Surgia então um game de luta, “Blink, the game!”.

Comecei a produção, queria que fosse algo com a cara dos games do SNES e então fiz o Boomer, todo em Pixel Art. Mostrei para o meu irmão Fábio e ele curtiu demais! Então postei no Facebook, sem citar nomes, para ver se os meus amigos o reconheceriam — “É o Boomer!” Todos reconheceram e gostaram. Vi que aquilo tinha potencial e dei continuidade!

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Fiz alguns amigos que acabaram me conhecendo por conta do game mesmo, recebi muitas dicas até que decidi criar a página no Facebook, comecei a postar algumas coisas sobre o desenvolvimento do game e divulguei em alguns lugares. O pessoal começou a acompanhar a página. Nas notificações sempre apareciam nomes do tipo “Flávio, Edina, Maria, Paula” e de repente começaram a aparecer “Peter, Tyler, Shayla”. Comecei a achar estranho, mas tudo bem, continuei meus afazeres. No outro dia recebi um recado na página, era uma garota que me disse que havia visto uma imagem no Tumblr e que tinha curtido a ideia e o projeto em si. Confesso que fiquei bem assustado, pois já havia sido compartilhado por uma galerona mesmo. Isso me fez pensar: “Agora a porra ficou séria!”

Convidei um amigo para me ajudar, já que meu inglês é o basicão mesmo, e comecei a cuidar da página com maior atenção.

Certo dia resolvi buscar o nome do game, para ver se estavam falando algo, e acabei descobrindo que já existia um jogo intitulado de “Blink, the Game”. Tudo bem, esse era para ter sido apenas um nome provisório mesmo, então comecei a pensar na música mais conhecida do Blink-182 e o nome estava lá: All the Small Pixels!

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Para fazer o jogo você tem ajuda de alguém ou o trabalho é feito somente por você?
Eu sou um cara meio chato quando se trata de criar algo. Gosto de fazer tudo da minha forma, com minhas ideias e sem muitos palpites. Porém eu quero viver disso, pretendo montar meu próprio estúdio de games e isso não é algo para uma pessoa só.

“All the Small Pixels” é algo muito pessoal, como disse, é uma homenagem e prefiro fazer tudo sozinho, tanto na parte dos gráficos, quanto a lógica e o áudio. Essa é uma parte que eu acho que a galera vai curtir, pois estou recriando cada trilha de cada fase, tudo no estilo 8/16 bits. Como tive banda por 6 anos, tenho um bom conhecimento de música, o que me possibilita estar fazendo tudo do zero.

Sabemos que é um processo longo de tirar do papel o projeto. Qual é a maior dificuldade de produzir esse jogo?
Depois da ideia inicial, eu comecei a trabalhar em um protótipo, pra ver se daria conta mesmo e depois de uns 3 dias de peleia, eu consegui criar a AI (inteligência artificial) do inimigo. Foi a parte mais complicada, pois nunca tinha feito nada parecido e a engine que uso é bem recente, então não havia muito material sobre AI para games de luta nos fóruns. Eu comecei a estudar lógica e linguagem a menos de um ano, meu conhecimento ainda é pequeno, então essa foi uma das dificuldades. Eu vivo em fóruns, muitas vezes viro a madrugada para descobrir como fazer algo. Como sou freelancer, posso “equilibrar” meu tempo, mas já tive que terminar trabalhos no dia, que levariam uma semana para serem feitos por ter me dedicado mais aos estudos.
Para criar todo conteúdo do game, procuro usar softwares free, então nem sempre é fácil encontrar algo de qualidade.

Vimos que cada fase se passará em um clipe do blink-182. Além disso, você tem no papel qual será a história do jogo? Conte-nos um pouco sobre qual será o objetivo e como será a jogabilidade. 
Eu estou me baseando em 3 games que faziam calos nos meus dedos, Street Fighter, Double Dragon do SNES e Metal Slug, então é um trabalho complicado. Eu escolho uma cena principal de cada clip, dou aquele print maroto para me basear e começo a reproduzir a cena. Sempre mantenho imagens dos games para poder entender como foi feita a arte de cada um. A partir disso é pixel por pixel!

Tenho planos de fazer um game pequeno e a princípio minha ideia é fazer no total 4 cenários, sendo que em cada um deles você enfrentará uma quantia X de inimigos — Dammit, por exemplo, será apenas um inimigo, mas prefiro que imaginem quem possa ser, já que existem várias possibilidades.

O jogo mesmo será basicamente como no SF, você terá a opção de escolher um personagem e enfrentará os outros até o, como falava a molecada da minha época, “Chefão”!

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Então o jogo será do gênero de luta?
Vai ser luta mesmo, como no Street Fighter! O cenário estático atrás e os dois lutadores na frente, com a barra de vida em cima da tela.

A página do Facebook diz que será lançado em 2014. Você tem algo planejado para o lançamento? Uma data, as plataformas (web, mobile) e divulgação?
Eu tinha em mente fazer apenas um game para a internet, talvez o Facebook, mas comecei a fazer uns testes em um sistema para mobile e a princípio funciona bem. A engine que uso é ótima, mas como ela é feita para produzir coisas em HTML5, uma compilação para mobile nem sempre fica 100%, e eu não quero lançar um game que trave, eu quero lançar um game que divirta. Para web já está certo que irei lançar, pois funciona perfeitamente.
Meu tempo está bem curto e estou produzindo no meu tempo livre, então não tenho ao certo uma data para lançamento, mas acredito que até o meio do ano eu consiga finalizar.
A divulgação será feito a princípio pelo Facebook, pelo sistema de gerenciamento de páginas. Como o projeto será totalmente free, ainda estou estudando essa parte.

Existe alguma forma que os fãs podem ajudar esse projeto ir pra frente?
Muitas pessoas questionam quando eu falo que esse projeto será free. Apesar de eu estar me dedicando ao máximo, esse é meu primeiro game, quero saber o que as pessoas vão falar, se vão gostar e se vão abraçar a ideia. No final é um game de fã para fã! Eu também não poderia querer lucrar em cima disso, pois existem os direitos autorais das trilhas, imagens e nomes que envolvem o blink-182.

Eu pretendo melhorar o game depois de lançado, quem sabe algumas fases, alguns personagens a mais e não pretendo parar por aí! Então a divulgação do projeto já seria uma ótima forma de ajudar a dar continuidade.

Pretendo lançar games totalmente autorais, quem sabe comprando algum deles, você estaria pagando simbolicamente pelo All the Small Pixels, ajudando assim a manter o game sempre ativo! ;)

Quem quiser continuar acompanhando esse projeto e dar uma força para o Maykson prosseguir com a criação do game pode curtir a página oficial do All The Small Pixels neste link!

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