Confira a resenha do último show do blink-182 em Las Vegas

Autor Por Maria Alice Azevedo em 21/10/2014

winefestival

O blink-182 foi a atração principal de mais um evento em outubro, o Wine Amplified Festival, que aconteceu em Las Vegas. Veja abaixo o setlist e a tradução da resenha feita pelo site Punks in Vegas. No final do post você vê alguns vídeos da performance do trio no festival.

Eu nunca esperava fazer uma resenha de um festival de vinhos nesse site. Isso porque eu não bebo e também nunca imaginei que punk e vinho combinavam. Mas surpreendentemente o evento esse ano teve o blink-182 como atração principal. E graças a um amigo tive a oportunidade de ir e me encontrar cercado do público mais diversificado que já vi em um show, que cantava junto dessa grande banda de pop punk no mesmo local em que foi realizado o Warped Tour, de 2012. Quem poderia imaginar que essa banda eternamente imatura, que cantava “My love life is getting so bland / there are only so many ways I can make love with my hand” e afirmava “I never want to act my age”, um dia iria comandar um festival para adultos dessa maneira? Mas o Blink sempre superou todas as expectativas.

O show iniciou basicamente da mesma maneira que todos os shows do blink desde a reunião, em 2009 (que também aconteceu em Vegas, no The Joint), com Feeling This na abertura. A banda mantém um setlist muito consistente, sempre recheado de hits. Mas como muitos fãs do blink, eu também adoraria ver um setlist com faixas menos conhecidas (“Enthused”, mais alguém?), mas geralmente grande parte do público de festivais só conhece a banda pelo rádio, alguns dele até comentavam durante os refrões “Hey, eu conheço esses caras!”, não dá pra culpar a banda por manter a estabilidade nesse tipo de evento. Mas a energia do público estava bem elevada, considerando que a maioria passou o dia tomando vinho sob o sol de Las Vegas, e durante as performances de “What’s My Age Again”, “The Rock Show” e “Up All Night” as pessoas dançavam imitando os movimentos do baterista e apontando para o alto.

A balada “I Miss You” e a intensa “First Date” foram obviamente as favoritas do público (nota: eles não tocaram “Obvious”). A banda também incluiu um mini cover de Justin Bieber no meio de “Ghosts on the Dancefloor” e tocou a recente “Dogs Eating Dogs”, do EP de mesmo nome, com Mark impressionando nos vocais, mesmo com a recepção um pouco menos empolgada do público.

O blink mostrou sua capacidade de superação durante os anos, e mesmo com a separação e quase uma década desde o último single de grande sucesso, a banda se mantém relevante. Antes do show eu compareci a sessão de autógrafos do baterista Travis Barker, no Meadows Mall, e me surpreendi ao presenciar um público de pré-adolescentes e adultos na faixa dos 30 anos, isso quer dizer que o blink-182 já alcançou mais de uma geração. Eles sabem que as músicas da banda ainda agradam os adolescentes e fazem um ótimo trabalho ao focar nesse grupo.

Já em relação ao público do 9º Wine Amplified ainda tenho minhas dúvidas. Bandas como Young the Giant já tocaram no festival, que esse ano contou com Violent Femmes, Magic!, Train e New Beat Fund, entre outros. Eu nunca imaginei que o humor sórdido, a marca registrada do Blink (A banda tocou uma música chamada “I’m a Cunt”), seria bem recebido em um festival de apreciadores de vinho. Eu imaginava os refinados personagens da série Frasier tomando Dormaine de La Romanee e discutindo Chaucer ao som de Mozart, e não um bando de universitários que lotavam os shows pós-Enema que eu ia quando era mais jovem.

As reações do público foram diversas, se mostraram extremamente empolgados quando “All The Small Things” começou; surpresos com o “Hybrid Theory”, cover dos Misfits; e riram bastante durante o encerramento com a obscena “Family Reunion” (existe alguma banda, além do Blink, que adotou por tanto tempo sua contribuição na coletânea “Short Music for Short People”?). Podem me chamar de infantil, mas presenciar um grupo de senhoras tentando dançar ao som de uma homenagem a George Carlin é recompensador.

É a 12ª vez que vejo um show do blink-182, que nunca foi fantástico ao vivo, tecnicamente falando. E enquanto muitas bandas amadurecem com o tempo, eles permanecem com seu desajeitado charme juvenil. É justo que Travis seja considerado um dos melhores bateristas de rock atualmente, mas Mark e Tom não fazem o mínimo esforço para esconder a carência de técnica dos dois. E nessa noite em particular a voz do guitarrista estava bastante desafinada.
Por esse motivo eu nunca recomendaria um show do blink a uma pessoa que não é fã da banda. E se você não gosta de blink-182, certamente o show deles não vai te convencer do contrário, a não ser que você se divirta com as piadas do Mark e do Tom – em certo momento Tom disse que tocar no festival era como tocar na Lua, enquanto Mark discordava e dizia que parecia mais com a experiência de um primeiro encontro, para logo após iniciar “First Date”. Para os fãs da banda ainda é muito divertido escutar “Carousel” e “Dammit” ao vivo e isso faz com que os defeitos sejam facilmente esquecidos, mesmo que, na opinião do meu amigo Aaron, a ausência de “Josie” nos setlists seja um pecado.

Setlist:

Feeling This
What’s My Age Again?
The Rock Show
Up All Night
Down
I Miss You
Dumpweed
Wishing Well
Always
Stay Together for the Kids
Asthenia
First Date
Easy Target
Dogs Eating Dogs
Hybrid Moments (Misfits cover)
Man Overboard
Ghost on the Dancefloor
All the Small Things
Carousel

-Encore-
Violence
Dammit
Family Reunion

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