Como o ‘Enema of the State’ mudou a vida de Tom Delonge (Parte II)

Autor Por Maria Alice Azevedo em 28/10/2014

11275_1240268

O Enema of the State, que completou 15 anos em 2014, foi escolhido pela Wondering Sound para a estréia de uma iniciativa baseada na análise de álbuns antigos.

Leia abaixo a segunda parte da entrevista em que Tom Delonge falou sobre a importância desse disco.

Clique aqui para ler a primeira parte

O que você lembra sobre as pessoas envolvidas quando escuta as músicas?

Jerry Finn era muito engraçado, inteligente e espontâneo. Nós confiávamos nas opiniões dele e sabíamos o quanto ele era maneiro. Nosso engenheiro de som tinha um histórico na música country, mas ele era bom no que fazia. Foi incrível ter a presença de um cara tão preciso e exigente na engenharia e outro super relaxado na produção.

Eu lembro que ninguém acreditava em nós, nem mesmo a gravadora. Demorou um ano e meio, mas nós conseguimos emplacar um hit no nosso primeiro lançamento, Dude Ranch. Nós levamos esse tempo todo, mas de alguma maneira deu certo com “Dammit”. Não era uma música perfeita para as rádios, mas graças a Deus e Alá deu tudo certo. Foi como se Jesus e Alá se unissem para fazer essa música estourar. Logo depois nós lançamos o Enema e surpreendemos a gravadora.

Eu me lembro de um encontro com o presidente da gravadora em seu escritório. Na época eu usava boné pro lado, piercing. Eu junto com meu empresário, Rick, e o presidente me disse três coisas, “Você vai ganhar mais dinheiro do que você jamais imaginou ter. Você vai ser mais famoso do que imaginava ser possível. E você vai tocar em arenas em breve”. Eu olhei para o Rick e dei a maior e mais alta gargalhada da minha vida. Eu disse que ele estava louco ou chapado. Se ele me dissesse que um Papai Noel de verde com um chapéu de disco voador estava na rua seria mais fácil de acreditar. Mas todas as três coisas aconteceram. E foi um dos momentos mais inacreditáveis da minha vida, ainda mais quando me lembro dessa reunião.

Você se arrepende de alguma coisa?

Eu não me arrependo de nada, só em relação às letras, se eu pudesse mudaria algumas coisas, mas mesmo assim ainda é um ótimo álbum. Chega a ser fenomenal para a época. Nós fomos a única banda famosa de pop-punk que cantava músicas que soavam como canções de ninar degeneradas. E eu costumava desejar que as estações de rádio valorizassem essa banda tão poderosa, atraente, acelerada, juvenil e angustiada. Rancid e Green Day queriam seguir os passos do Clash, Offspring, Ramones; eles faziam mais a linha da Epitaph Records, que eu adoro, mas era diferente da gente. Eles nos colocavam no mesmo patamar dessas bandas, mas nós estávamos em níveis diferentes. O blink não queria usar jaquetas de couro e fingir que não ligava pra nada. Nós já nos sentíamos assim, mas não nos importávamos porque só queríamos saber de diversão e sacanagem [risos]. Mas cada um conseguiu se encaixar de alguma maneira. E hoje somos todos amigos, eu sou próximo do Mike Dirnt, baixista do Green Day, e o Travis é super chegado ao Tim Armstrong, vocalista do Rancid.

Quando postei no Facebook que estava revisitando sua música recebi muitas manifestações saudosas de pessoas com quem não falo há anos, alguns até contaram que escutavam o álbum escondido dos pais.

Nosso conteúdo foi restrito após o lançamento do Enema. O congresso nos listou como uma das três bandas mais ofensivas, ao lado de 2 Live Crew e Eminem, eles queriam censurar a indústria musical e nos usaram como exemplo. Eu me orgulho bastante disso.

O quanto de suas músicas antigas os seus filhos já escutaram e o que você acha disso?

Eles já escutaram boa parte. Nós tocamos muito ao vivo – eu não acho que eles tenham escutado os álbuns, mas conhecem a maioria das músicas e gostam delas. E o interessante é que eles não conseguem diferenciar o blink-182 e o Angels and Airwaves. Eles gostam do meu trabalho, mas não conseguem distinguir as duas bandas. Espero que isso inspire a noção de diversidade deles.

Sei que há um lançamento do Angels and Airwaves chegando. Fale-me sobre ele.

É um grande acontecimento para mim. Tudo o que posso dizer é que estamos gravando há dois anos e o Halloween vai ser o grande dia. E essa situação envolve muito mais coisas. O AVA funciona junto de uma grande companhia, e nós vamos lançar uma grande quantidade de material intelectual, filmes, livros, animação e trilhas sonoras, esse álbum influenciará num projeto muito maior, ambicioso e diferente. É uma evolução para a banda e espero que as pessoas gostem. Dia 31 será a apresentação.

Também fiquei sabendo da produção de um novo álbum do blink-182. Qual é a previsão sobre isso?

Eu espero que isso aconteça até o verão, veremos.

Você já começou a gravar?

Nós nos reuniremos para uma discussão sobre as composições e escolha das primeiras faixas em breve.

003

O Enema Of The State foi um disco importante na sua vida também? Clique aqui e veja as camisetas inspiradas nesse clássico do blink-182!