Archive for the ‘Colunas’ Category

Todas as pequenas coisas

Monday, March 8th, 2010

O meu dia estava, se me permitem o vocabulário, uma merda. Eu tinha acabado de sair de um teste de física, a minha cabeça estava latejando e eu estava andando embaixo do sol usando calças compridas e uma blusa preta (tudo bem, tinha um “what’s my age again?” gigantesco escrito nela e um logo do Action também, mas o calor já estava insuportável). Meu humor não estava dos melhores e as minhas feições estavam tão fechadas que era perigoso alguém que passasse por mim na rua acabar me confundindo com um buldogue.

Então um garoto falou “Hey, você” e eu levantei o olhar para ver se era comigo que ele estava falando mesmo. Ele apontou para a minha blusa e disse “Olha, blusa do Blink! Legal”.

Bom, depois disso, meu dia melhorou bastante. Juro. Alguma pessoa reconhecer uma frase do Blink em uma blusa e ainda por cima comentar sobre isso quase me fez ter esperanças na humanidade outra vez. O buldogue que eu estava encarnando foi embora e em três segundos eu estava sorrindo que nem uma idiota (coisa que eu faço quase o tempo todo, mas enfim).

Antes que você feche essa página, se perguntando “Ok, e o que diabos eu tenho a ver com isso?”, calma! Foi só para puxar assunto mesmo. A questão é: Quem aí já notou que por causa de coisas simples, pequenas e inesperadas, o nosso humor melhora (ou piora) consideravelmente?

Sério. Ninguém espera sair de casa e se deparar, por exemplo, com um bando de borboletas voando majestosamente na sua direção e, oh, meu dia agora está muito mais colorido! Se você espera isso, ou é a Branca de Neve ou um integrante do Cine. Daí eu não me responsabilizo mais por você.

Brincadeiras à parte: devíamos, sim, aprender a valorizar coisas que podem parecer ínfimas, mas que nos afetam mais do que o esperado. Tipo um sorriso, um abraço, uma música que começa a tocar na rádio, uma flor que de repente nasceu na sua calçada, uma mensagem no celular, a reprise de algum programa que você goste, chuva no fim de tarde, uma barra de chocolate, uma carta, um sanduíche de bacon, mãos dadas. Ou uma lágrima, um palavrão ou uma frase. Tanto faz – uma vez que eles estão lá, já causaram um efeito irremediável em nós. Talvez uma faca você consiga retirar antes de chegar ao seu coração, mas não se consegue fazer o mesmo com uma palavra ou um gesto.

Então entra aquele papinho de “seja a mudança que você quer ver no mundo” e “faça aos outros o que você deseja que façam a ti” e blábláblá, que, convenhamos, é bem verdade. Igual o dia em que eu disse a um rapaz na academia que o all star dele era legal e ele ficou tão feliz que parecia que eu tinha dito que agora ele era imortal e nem precisava brilhar ao sol (piadinha infame, mal aí). Ignorar alguém às vezes é pior do que agredi-la fisicamente tanto quanto sorrir para alguma pessoa também pode ser mais eficaz do que qualquer palavra de conforto. Nós temos mais poder do que pensamos – ainda mais sobre os nossos iguais – e muitas vezes ignoramos isso ou deixamos passar despercebido.

Eu já quis defender a tese de que todas as “pequenas” (e importantíssimas) coisas deveriam ser consideradas, por questão de justiça, “grandes” coisas. Mas então viveríamos mais em função de notar esses detalhes do que o necessário e arruinaríamos a surpresa agradável que sentimos quando nos deparamos com um deles.

Isso seria banalizar o inevitável e tornar comum o raro. Então eu desisti de transformar o pequeno em algo grande, porque… Ah, porque daí todas as coisas pequenas perderiam a graça.

Laís Cerqueira Fernandes tem 16 anos, é estudante do Ensino Médio, futura estudante de Jornalismo, aspirante a escritora e pede sinceras desculpas pela falta de novas colunas, além de colocar a culpa disso no seu atual status de “vestibulanda”, razão pela qual ela também não anda esbanjando muita criatividade – vide o título da coluna de hoje.

Tom Delonge: Onde está a novidade?

Thursday, March 4th, 2010

A mais recente notícia sobre Tom Delonge entristece os fans: ele diz que é 100% AVA e apenas 30% blink-182.

Mas onde está a novidade?

Ele sempre deixou bem claro isso para mim, porém é fato que nossos ídolos são focados sempre no seu projeto atual. Como posso explicar esse meu ponto de vista?

Quando o Blink-182 anunciou sua volta, os três estavam 100% em cima do blink-182. Pensavam apenas na tour, ensaiavam com a banda, pensavam nos projetos da banda, etc. E Tom nessa época falava pouco do AVA, e alguns fãs até comentavam coisas do tipo: “Ufa, ele esqueceu do AVA…”, “Poxa, e o AVA não vai ter mais?”.

Tem fã que gosta e tem fã que não gosta, e tem fã que gosta só por causa que é o Tom que canta na banda, é fato e óbvio isso.

A questão de toda essa polêmica está com a emoção dos fãs, que no momento que ficam sabendo que o Tom está apenas 30% para o blink-182, acha que ele está só pensando em AVA e quer que o blink-182 se foda. Mas não é isso. Talvez ele tenha se explicado mal, usado palavras erradas e talvez nem devesse ter falado isso, ou dessa forma.

Os três da banda já são pais, tem mulheres, famílias e também tem empresas, outros projetos, logo eles não pensam mais no blink-182, e apenas nisto, e pensam na vida deles como um todo.

Infelizmente eles não são mais aqueles 3 adolescentes do punk-rock que só queriam tocar, e com toda certeza que a maioria do público deles de hoje, ou a maioria do público do Action182, não viu nem um pouco dessa fase deles.

Bandas enormes são comerciais, e o blink-182 atual é comercial… não é algo que vem da minha cabeça e nem me crucifiquem por isto, mas é algo que está ai. Os três da banda amam tudo que fizeram por ela no passado e por isto ainda estão com ela, pois quando estão juntos eles se divertem, assim como foi na Summer Tour, e como pude acompanhar alguns shows do Blink-182 de perto, conseguia perceber isso em cima do palco, havia honestidade, sinceridade e alegria.

Para finalizar, fica a pergunta do título: Tom Delonge – Onde está a novidade?

Não há novidade em saber que hoje ele está com a cabeça no Angels And Airwaves e que amanhã poderá só estar pensando no blink-182.

Mas novamente os fãs voltam a criticar ele fortemente sobre tal atitude.

Gostaria de saber a opinião de vocês sobre isso, contribuam para o post!

Me siga no Twitter: @brunobld

Bruno Clozel (BLD) tem 21 anos, é designer, fotógrafo, baterista e dono do Action182. Acha que o Blink-182 será eterno e sempre apreciará o trabalho de seus 3 integrantes, e claro, sempre fará critícas e terá sua opinião. Gosta de AVA, porém aguarda o próximo album de inéditas do blink-182 e sabe que muita gente não vai gostar. Atualmente está focado em seu trabalho, em seu projeto musical pessoal (@bombshellmusic) e na construção de seu novo site, o brunoclozel.com.br. Entende a postura do Tom, mesmo que você me critique e ache cruel para o resto da vida. Mas sou legal, de verdade, é acho que isso pode ser só passageiro, quem sabe o Tom não esteja na menopausa! :P

Memória de Peixe

Friday, February 19th, 2010

Chacrinha já dizia: No Brasil nada se cria, tudo se copia! Seja os programas de auditório, os “reality-shows”, tudo que é enlatado e alterado o nome! Isso é ruim?

Depende. Até que ponto isso ajuda a gente a crescer?

Criatividade é algo que todos temos… Uns menos, outros mais (uns muito menos, outros muito mais). Só que a industria cultural mundial, e principalmente a brasileira, não tem interesse em acentuar nisso, claro. Somos mais maleáveis burros, isso é um fato para qualquer um que olha no twitter pessoas perdendo o tempo xingando fulano porque beijou cicrano em BBB’s da vida (tá eu gostei só do boquete da Tessália, traidora do movimento twitteira). E agora a nova onda é: O Rebolation! É ou não é?! …NÃO É! Se todos aí lendo ainda tem cérebro humanóide e não de peixe, lembra que até alguns anos atrás Rebolation era uma dança de variações eletrônicas, Psy, Techno Trance, Electro house… digitem no You Tube!

Aí aparece uma menina sem dente na tevê no Ratinho e fala que vai ensinar o Rebolation pro apresentador e ela nem tira o pé do chão, só coloca a buzanfa na câmera (ou o próprio câmera faz o trabalho).

Essa hora é a hora de me agredir, por que defender uma coisa tão banal? Simples, porque nós brasileiros temos essa mania de modificarmos tudo. Hardcore Emo que antes era bem aceito com CPM22 e Hateen, com bermudões, bonés e mochilas, se tornou franja, roupa preta e androginia.

Entendam, o mercado cultural gosta de nos tratar feito idiotas, não é de hoje. Eles acham uma chance no mercado, tudo se muda. Quantas bandas trocaram o estilo, quantas bandas aí foram demitidas dos selos por não quererem se “adaptar” a tendência. Por que andam tão preocupados em manter a industria falida do CD físico? Porque perderiam o controle autoral. O artista decidiria o que fazer, a Rihanna queria fazer um álbum de rock e a gravadora vetou, o cara quer fazer um duplo, a gravadora nega. Os artistas são quem? Então resumindo, existem pessoas não-criativas fazendo música e existem gravadoras querendo limar o que aparece. Pra sair algo de qualidade tem que ser uma peneira. Imagina os fãs de eletrônico o que acham desse tal (“novo”) Rebolation? Vamos tentar nos encaixar, é como se hoje, você ligasse a sua tevê e tivesse o Frank Aguiar (AU!) ensinando como é a dança do Bate-Cabeça, e soltando um forró assim: “BATE CABEÇA ÇA, BATE CABEÇA ÇA”!

Já basta termos que ver filmes com roteiros originais a conta gota no cinema (tudo se resume em Remake, Continuação ou Adaptação) ainda tem isso na música? Vamos todos é chacoalhar essa peneira bem para achar algo bom, mas também ir ler um livro, estudar. Se depender do Gugu, Faustão e Ratinho, você vai viver de bolsa-família.

Fernando Belucci tem 25 anos, estudante de jornalismo, diretor e apresentador do ActionCast, escritor,responsável também pelo podcast Na Latrina, e acha sim que podemos sim ainda escrever músicas e roteiros de filmes sem “homenagens autorais”.

Love

Saturday, February 13th, 2010

Do início do hiato do Blink 182, em 2003, até a data provável do lançamento do novo álbum da banda, em 2011, haverá um intervalo de aproximadamente oito anos. E, talvez, nada para sentir saudades. Os integrantes da outrora extinta banda pop-punk se dispersaram após o término da mesma, iniciando novos projetos e prometendo mundos e fundos aos órfãos do trio californiano. Entretanto, pode-se dizer que os três pouco entregaram do prometido. Travis Barker e Mark Hoppus, um pouco mais pés-no-chão do que Tom Delonge, criaram o (+44), lançando um álbum muito influenciado por seus trabalhos anteriores, mas que não que cativou o grande público. Delonge, que não poupou palavras para dizer o quão grandioso e surpreendente seria o som de sua nova banda, a Angels and Airwaves, foi bom publicitário para um produto fraco que, apesar da bela embalagem, não tinha condições de emplacar. No fim, foi o talento de Barker, juntamente com o falecido DJ-AM, que criou algo diferenciado e digno de boas críticas: os dois volumes do projeto Fix Your Face, onde a dupla assinou como TRV$DJAM.
Na sexta-feira passada, dia 12 de fevereiro, Delonge e sua trupe lançaram o mais novo trabalho da Angels and Airwaves, intitulado Love, de forma gratuita pela internet. Em poucas horas, milhares de fãs, principalmente do Blink 182, fato inegável, correram para fazer o download das novas músicas. Ao todo, são 11 faixas, todas extremamente elaboradas – e não no melhor sentido da palavra. Love é, por esse motivo, um grande álbum escondido por trás de muitos artifícios. Diferentemente de bandas como Radiohead, que utiliza de sintetizadores, teclados e computadores para criar sua música e transformá-la em arte, que cativa e surpreende, Angels and Airwaves soa excessivamente desajustada. É possível sentir ascos de cafonisse em alguns trechos mais desesperadamente elaborados.
Delonge, anteriormente conhecido por ser mestre em melodias simples, sujas e grudentas, peca agora pelo excesso de seus arranjos. Resumidamente, pode-se dizer que o grande pecado de Love, e aquilo que pode acabar crucificando-o é, como dito, o excesso. Não há como passar despercebido pelas faixas do álbum. Em muitos momentos chega a ser maçante a sinfonia de sintetizadores e efeitos gerados por software. No fim, a grandiosidade pretendida por Delonge nos três álbuns do Angels and Airwaves, além de não ter sido alcançada, acabou por tornar ainda mais evidente a falta que sua eterna banda punk faz.
Como anunciado, Delonge quis inovar na mídia e na distribuição de sua música. Entretanto, não conseguiu atingir o que com tanta ênfase se propôs. Não há inovação em Love, pelo menos nenhuma grande inovação como tentou Tom Delonge. A distribuição gratuita pela internet, por exemplo, já é realidade para muitas bandas famosas, embora seja sempre bem-vinda. Quem sabe o filme, prometido há muito tempo, elucide as escolhas desse disco. Talvez, assim, consigamos enxergar melhor a arte de Love.
Entretanto, há grandes momentos em Love, mais destacadamente três, e em sequência. Estou falando das faixas Hallucinations, The Moon-Atomic (… Fragments and Fictions) e Clever Love, esta última de uma sensibilidade digna de grandes artistas. Assim, ainda na primeira audiência de Love, fica claro que nesses anos todos de hiato é o dom de letrista de Tom Delonge que se revelou inegavelmente melhor do que de seu companheiro Mark Hoppus.
Para os fãs mais assíduos do Blink 182, Delonge sempre deverá agradar. Mas, caso seja possível, aconselho ao leitor tentar ouvir com atenção a música por trás da música que há em Love. Abstraia todos aqueles efeitos “oitentistas-new-wave” e curtam o que Delonge sabe fazer de melhor: a simples melodia de três ou quatro notas, pegajosa e divertida. Desso modo, um álbum totalmente diferente acabará por se desvelar aos seus ouvidos. No fim, esperamos todos ansiosos o novo álbum da velha banda de San Diego.

Leandro Dani / @leandrofeh

Parabéns ao cara que tem poucos amigos!

Thursday, February 11th, 2010

Um post bem rápido, em forma de coluna mas é pra homenagear uma pessoa que conheci em 2009 e ao decorrer do tempo se tornou um grande amigo e parceiro: Tony Aiex. Ou o cara que fundou o Tenho Mais Discos Que Amigos!

Esse vocês conhecem né?

Não sei se ele tem poucos amigos, ou se tem muito discos, mas o que importa é a grande amizade que tenho com ele! haha

Pois é, deixando a parte dos sites de lado, eu tive o prazer de conhecer esse cara, que é ponta firme em tudo, se transformou em um grande amigo, fora o apoio nos projetos profissionais.

Um graaaaande abraço ao Tony, muito obrigado mesmo por tudo que a gente já fez aqui nos sites, saindo por aí, se divertindo, tomando umas tequilas, dando risada, e falando dos manos do gueto do Curintia e a bambizada do São Paulo!

Obrigado principalmente pela amizade! Você é o cara!

Abração Tony!

E se você quer mandar um feliz aniversário para ele, envie por twitter: @guiltshow ou @mdiscosqamigos

Acesse: http://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com

Solidariedade nunca é demais

Sunday, January 17th, 2010

Eu sempre fui daquelas que ficava chocada – e, dependendo do meu humor no dia, até chorava (fazer o quê, né? Mulheres…) – quando sabia que alguma espécie de tragédia havia acontecido. Não precisava nem envolver algum conhecido meu na história; mesmo se fosse o primo do irmão da amiga da minha vizinha que tivesse sido atropelado, eu já me sentia, no mínimo, remotamente abalada.

Quando eu vi as notícias sobre o terremoto no Haiti eu estava viajando, hospedada na casa de uma tia minha, e eu lembro que, depois de ouvirmos sobre a catástrofe em um noticiário na TV, todos na sala ficamos em silêncio por uns bons segundos. É difícil acreditar que coisas desse gênero acontecem; parece que vivemos em outro mundo, outra dimensão, e aquele sofrimento no Haiti não passa de um sonho – ou melhor, pesadelo – remoto. Infelizmente não é.

Ainda assim, perante essa tragédia, ainda há aquilo que eu gosto de ver como fatos que renovam a minha esperança nas pessoas – a solidariedade de vários países, organizações e pessoas que estão se empenhando em ajudar as vítimas do terremoto. O próprio Blink-182 fez isso, como vocês devem estar acompanhando pelas notícias aqui no Action, o que só prova o quão merecedores eles são da nossa (no mínimo) admiração.

Claro, também existem aqueles que gostam de me mostrar que a frivolidade ainda existe e persiste, e estão mais preocupados com banalidades como, sei lá, os Colírios da Capricho (se você não faz a mínima ideia do que é isso, sorte sua) – né, Luks? – do que em dedicar três minutos fazendo qualquer doação que seja ou, não menos louvável, uma oração. Eu penso que nem em Deus você precisa acreditar para orar por outra pessoa; só a iniciativa de desejar o bem para ela já é mais do que o suficiente.

Muitos dizem que, para nos importamos com os outros, devemos nos colocar no lugar deles. Eu acredito nisso, e acho que o problema jaz justamente no fato de que muitos, muitos mesmo, possuem uma dificuldade tremenda em se colocar em uma situação como essa (na maioria das vezes, nem se dão ao trabalho de tentar). Imaginem vocês vivendo no país mais pobre do seu continente e, ainda por cima, esse mesmo país começar o ano sendo devastado por um terremoto, deixando tantos mortos que você começa a ver seus parentes e conhecidos no meio deles. Isso sem contar aqueles que também ficaram desabrigados, sem comida e sem água, e estão lutando para sobreviver a cada dia, contando só com a boa vontade do próximo. É uma situação tão aterradora que chega a ser surreal para nós – mas ela está acontecendo nesse exato instante e, felizmente, existem várias pessoas dispostas a ajudar. Se você não era uma, espero que depois de ler isso, seja.

OBS.: O @bielgvr, aqui do Action, postou uma compilação de links no twitter destinados a ajudar a população do Haiti, que você pode conferir AQUI. Se possível, ajude e dê RT!

Laís Cerqueira Fernandes tem 16 anos, é estudante do Ensino Médio, futura estudante de Jornalismo, aspirante a escritora e tem a doce ilusão de que conseguiu deixar o mundo um pouquinho melhor depois dessa coluna.

O Preço do Suor

Wednesday, January 6th, 2010

Resolvi fazer hoje uma coluna mais pessoal.Pelo menos no começo.

As pessoas insistem em me falar como devo pensar. Existe um jeito certo de pensar? Tirando o respeito com o próximo, tudo é direito (Não, não respeito cine pq eles não respeitam a música). Cara, vem gente falando: você não deveria fazer isso, isso não é modo de se falar, de agir. Quem deu direito pra uma pessoa falar isso pra outra? Sim, é automático do ser humano dar conselhos, mas conselhos são pedidos. Se vai falar merda, fica quieto… A vida é de cada um, quer beber, beba. Não quer? não beba! Todos podemos ser legais, apesar disso. A diferença das pessoas está nos nossos olhos. Nós criamos esses conceitos, criamos gêneros, criamos formas de viver, de tratar o próximo, ninguém nasceu com o dom total da Verdade.
Nem eu, não há forma certa de fazer nada: eu dito coisas e eu mesmo não sigo, a gente vota em pessoas que nem vão mesmo trabalhar a favor de nós! Acho que já disse isso aqui em colunas, mas não custa lembrar: Somos um bando de hipócritas! O primeiro passo é reconhecer isso e tentar melhorar. Estamos num dos maiores sites (senão o MAIOR) sobre Blink-182 DO MUNDO! E temos uma força tremenda: Já fomos aos Trending Topics, o blablabrá então, já é fichinha! Fizemos amigos pelo site esse ano, criamos desavenças, nos unimos como uma família. Dá trabalho montar tudo isso, não posso falar por todo mundo, mas só pela a minha parte e pelo esforço que vejo em todos da equipe, dá trabalho SIM, e não ganhamos nada além de suor. Mas é um suor prazeroso, pois vemos que em muitas pessoas o reconhecimento do nosso esforço existe.
Ninguém olha nossas caras, o que a gente tem, com quem a gente anda, só olha o esforço e determinação de cada um… E isso sim é belo. A rádio, o ActionCast, as colunas, os novos projetos, promoções e principalmente: as notícias, a base de tudo que temos aqui, é feito para vocês, visitantes assíduos, os eventuais…
Há idiotas que têm inveja, reclama de tudo,  tenta transformar num circo? Sim, sempre tem um idiota, em todo lugar. Mas notamos que quem respeita e prestigia nosso trabalho é a maioria absoluta, sem problemas pessoais, sem nos analisarmos por motivos de total irrelevância.
O Action182.com entra em 2010 com todos os louvores merecidos, se há algo pra se reclamar, deixamos claro, não escondemos dúvidas, notem a conduta da equipe: expomos problemas que se relacionam com o site, lutamos junto, não há o que esconder. Se a família 182 se tornou nós mesmos, é porque um amor de irmãos cresceu entre nós, de nos defendermos, de nos juntarmos quanto mais podemos (vide theus182 e Laís), é tudo questão de vontade. A equipe não pára de aumentar para ficarmos mais relaxados, mas sim pra conseguir mais trabalho!

Lembrem-se bem: Os anos podem passar, seu cabelo cair, você ter filhos… Mas hoje, as diferenças são cobertas por uma paixão única. Coisa que compartilharemos hoje e sempre, além da memória.

Fernando Belucci tem 25 anos, estudante de jornalismo, diretor e apresentador do ActionCast, escritor,responsável também pelo podcast Na Latrina, e acredita, que a maior Verdade do action182 é seu slogan: somos sim “Movidos por uma só Paixão”

Como acontece o Action182.com

Tuesday, January 5th, 2010

Essa coluna é baseada na reprodução de 2 emails simplesmente para que explique como o Action182 funciona, já que algumas pessoas não concordam, outras tem curiosidade de saber, e outras nem imaginam.

A pessoa acusou o site de fazer as coisas por dinheiro, e que um fan-site não deve fazer isso, e que pedimos dinheiro as pessoas. E a resposta que dei foi explicando e argumentando, que não é isso que o Action182 faz.

Ocultei o nome da pessoa por simplesmente não ser necessário, e pelo motivo que pessoalmente acho que está já estava querendo arrumar confusão e popularidade quando começou com o papo no twitter, pedi com que se gostaria de uma argumentação não mandaria por twitter pois não caberia em 140 caracteres, e que se realmente quisesse ter uma argumentação, que mandasse um email digno para isto. A pessoa me mandou, e eu respondi logo após. Os emails estão intactos e depois de reler a minha resposta, achei que seria de alguma forma útil divulgar esse fato para que as pessoas ficassem por dentro do que rola aqui.

Acho mais útil isso ser baseados em fatos reais e com uma argumentação para uma pessoa qualquer, do que montar uma história em uma coluna e parecer algo montado, premeditado.

Realmente achei que ficou muito útil para vocês visitantes do site saber um pouco mais sobre o Action182, apesar de grande, tirem um tempo para ler que vocês ficarão sabendo de várias coisas!

Em 04/01/2010, às 22:34, XXXXXXXX escreveu:

Ola

Gostaria da argumentação a qual foi proposta no twitter a respeito de arrecadação e direcionamento de verbas por parte do website Action182.Por favor se possivel descrever o plano admnistrativo do mesmo.

Muito Obrigado

Att
XXXXXXXXXX

Ps: só busco por uma conversa rica em argumentaçao sem briga.

RESPOSTA:

Cara,

Vou tentar ser bem objetivo, mas certas coisas eu não preciso, e nem deveria te apresentar, como o plano administrativo ou o valor de certas coisas, vou explicar e argumentar o processo, e o motivo de que é feito isso.

Acho valida a sua opinião de ir contra, mas acho que você deveria saber de uma coisa: O Action182 NUNCA pediu dinheiro pra ngm, tanto que vc nunca deu 1 real ao site. Estou certo até aqui? Ok, então vamos lá!

Oferecemos o serviço de camisetas, adesivos… enfim, a LOJA do site. Eu produzo as estampas. Eu mando imprimi-las (precisa ser quantidade minima, ou seja, o custo não é barato, é dificil formar estoque). Eu respondo emails. Gasto TEMPO, GASOLINA, LUZ, TELEFONE… enfim… tem várias coisas. Ok?

Dai temos o preço de CUSTO do produto, e o de VENDA. Sendo o lucro que você mencionou. Dai vamos aos meus GASTOS que citei a cima. Tempo é trabalho. Dai vem o LUCRO para mim, e no caso quem ajuda na LOJA.

Agora vamos a parte final em que você falou que devemos assumir isso porque queremos fazer só pelo dinheiro. Posso discordar?
Ai vem um ponto importante: O blink-182 não vende produtos oficiais no BRASIL. Vende pela internet do site deles, mas fica um preço mto caro, com produto, frete, alfandega. Tudo em dólar. Não pegamos as estampas deles e fazemos pirataria, criamos estampas que remetem a banda.
Muitos fãs, mas muito mesmo nos pediram esse tipo de coisa, O SHOP, pois encontram a dificuldade em comprar coisas da banda que gosta, e as coisas de camelo, pirataria e tal, a qualidade é ruim. Pode fazer uma pesquisa das pessoas que já compraram conosco. NENHUMA vai faltar que o produto é RUIM, a qualidade RUIM, camiseta RUIM, malha RUIM, é QUALIDADE total. Isso te garanto.

O lucro existe, porque é uma LOJA. E não o FAN-SITE… não estou cobrando pelo FAN-SITE, pelo acesso ou seja algo do tipo. E sim pelo produto que a PESSOA escolhe COMPRAR. Compra quem quer. Paga quem quer. Gasto meu tempo com a LOJA, ganho com a LOJA. O site há 6 anos existe, e sempre foi fan-site, DIFERENTE DOS OUTROS, sim, afirmo isso pois eu fui ousado o bastante a fazer a coisa de forma diferente, e alcançar esse objetivos.

Ou é todo dia que MARK HOPPUS, te envia uma encomenda pra SUA CASA, em SEU NOME, com a LETRA e NOME DELE, e pede ajuda no seu projeto pessoal?
É o caso do THE OCTOPUS, o tal dos pendrives. E isso só conquistei, porque fui ousado, fui atras e além de tudo, fiz acontecer, e por amor.

O Mark me enviou os pendrives, e quando chegou em casa, paguei 100 reais de ALFANDEGA, sabe porque? Porque eram produtos de informatica e precisavam ser descritos. E paguei 100 reais do meu bolso. E depois fiz 2 jogos e os pendrives foram entregues a FANS, sem custo nenhum!

Sabe porque? Porque faço isso com amor, e pelos fãs… Sim, faço!

Voltando a LOJA, também faço ela pelos fãs, mas nesse caso, com todo o gasto que tenho. Acho que um lucro, seja de 10 reais ou de 10 mil, é mais que justo, já que paga quem quer.

Alias, com o dinheiro fazemos muitas coisas boas pros fãs. Pagamos o site, fazemos promoção. DOAMOS PARA FAMILIAS E CRIANÇAS CARENTES no natal 25% da renda.

Agora outro PONTO MUITO IMPORTANTE, você cita no Twitter que ganhamos dinheiro as custas do blink-182.

Você já parou pra pensar no papel que o Action182 fez em 6 anos? Digo de divulgação pro Blink-182, o numero de fãs que não pararam de gostar da banda ou dos membros por causa da parada deles? Que estava lá pra explicar e divulgar notícias e deixar todo mundo por dentro de tudo?

Se você consegue ir até sites gringos, tem acesso a todas informações sem o Action, tem gente que não tem.

Falo e afirmo, além de ter provas só de ver comentários das pessoas no site falando isso mesmo, que fizemos um grande papel ajudando a manter vivo o espirito do Blink em muito fã por aí.

Agora se for falar da LOJA, vamos ser frios. Uma pessoa que sai com uma camiseta do blink-182 feita pelo Action182 na rua divulga a banda. Pessoas olham, lembram da banda, passam a conhecer, vão ouvir, seja lá qual for o caso… ajuda a banda.

Esse é o papel do Fan-Site… porém você não concorda com a parte financeira. Como disse, paga quem quer, compra quem quer. Não obrigamos nem pedimos.

Talvez você queira saber tudo isso pra tentar fazer igual, saber de como é feio, de como conseguimos ser pioneiros (sim, ou me cite algum site que montou uma loja, um fanclub com carteirinha, uma revista sobre a banda, que cobriu os shows da banda NO PAIS DA BANDA) e tentar ser bom, o tanto quanto eu, e MINHA EQUIPE, meus amigos que fazem parte disso comigo. Alias, sobre os outros sites, antes que pensem, existem muitos sites por aí realmente MUITO BONS, porém não conheço nenhum que produziu projetos desse tamanho.

Tem muitas pessoas que não gostam de mim por ai, eu sei, mas é pela minha personalidade, pelas minhas conquistas, pela minha ousadia, e por minha forma de pensar. Eu penso grande, pois quero ser grande.

De qualquer forma o Action182 só gera dinheiro com o que produz, com o que vende, não obrigando ninguem a pagar  pelo conteúdo do site.

Quanto ao direcionamento, eu já falei um pouco sobre isso, e já doamos, assim como eu pago as contas do site, que não são poucas e ao longo de 72 meses são mais de 5 mil reais só de hospedagem.

Tudo isso sempre tirei do bolso, pois tenho um trabalho, onde me sustento, saio, pago minhas contas, e faço o que quero com meu dinheiro.

E sinceramente, acho que sua argumentação e reclamação por não concordar em que o Action182 ganhe dinheiro pois é um FAN SITE e acha que deveriamos deixar explicito falando que fazemos isso por dinheiro e somente por isso é fraca pois você não acha certo que eu faça isso por que gosto e ainda consigo ganhar algo em cima.

É aquela história do “faça porque você gosta, que o resto é consequência” – Sinceramente, se há lucro, é consequência.

Do mesmo modo em que estamos produzindo projetos da Revista reverter lucro, assim como a Radio e o PodCast… e ngm vai pagar por isso, pois não são mercadorias, e sim conteudo que ofereceremos. E vamos ganhar com publicidade, propaganda, patrocinio. E melhor, antes que fale “mas só vc ganha”, digo VAMOS GANHAR pois quem está envolvido NESTES PROJETOS que falei, ganhará. A loja só eu cuido DE TUDO. Só eu ganho. A revista algumas pessoas criam. Algumas pessoas ganharão. E assim será.

Lembrando que estamos em 2010. Um mundo capitalista, tudo se custa dinheiro, a minha conta de telefone, a sua, a sua faculdade ou escola, TUDO.

Mas mesmo assim, encontrei algo que faça porque eu GOSTO, porque eu AMO minha profissão, e fui inteligente o suficiente para ir atras e realizar essas coisas.

Enquanto você fica procurando argumentação, para o que você acha errado no seu modo de ver seu mundo.

Não quero te agradar, muito menos fazer aceitar a minha pessoa, a loja ou o sócio. Porém essa é a verdade, de que aconteça e de como é feito no Action182. Por quem cria e sabe o que está falando e vive há 6 anos esse mundo.

Aguardo uma réplica a este email, mesmo que ache díficil.

OBS: Não irei falar ou citar cifras, valores, como mencionei no inicio do email, pois não é pro teu interesse, pois não tenho a minima afinidade com você e nem devo explicações desse tipo. E acredite, esse meu ar de “não humilde” (já que algumas pessoas me classificam assim, como não me conhecem realmente) é somente pra você, pois acredito em mim, na minha argumentação, e além de tudo me orgulho e faço questão de mostras as coisas boas que faço.

Um abraço,
Bruno Clozel

BRUNO “BLD” CLOZEL tem 21 anos, faz as coisas por merecer e tem o devido reconhecimento por simplesmente ter batalhado por isso. Pensa grande para ser grande. Faz o que faz simplesmente porque gosta. Reclama na cara quando não está satisfeito ou faz algo por obrigação. É sincero. Amigo. Honesto. Alegre. Feliz e tenta passar todo esse seu lado positivo de alguma forma legal. Não necessáriamente pela internet. Mas quando o contato é ao vivo, quem conhece sabe que a vibe é positiva e pra frente. Pela paz, pelas pessoas, por um mundo melhor. Não deseja mudar o mundo com o Rock, igual a Tom DeLonge, pois não tem poder para isso. Não quer mudar as pessoas pelo seu site. Somente quer passar uma boa mensagem para quem puder. E agradece a todos que já passaram pelo Action182, sejam aqueles que ainda estão aqui ou que não estão mais e ainda tem contato um grande abraço e um eterno agradecimento, mas principalmente pela pessoa – amizade-  e grande ou pouco contato que tive. E aos que já passaram por aqui, e hoje me odeiam pelo meu modo de pensar e conquistar as coisas, um abraço e que sigam felizes em suas vidas, e façam algo de bom, pelo menos para alguém que os ame.

Gosta de perder tempo, polêmica, trocar informações uteis, saber de novidades do Action182, do blink-182, ou seja lá o que for. Me siga no Twitter: @brunobld

Assim se faz o futuro

Sunday, January 3rd, 2010

Lembro como se fosse hoje. Ela andando pelo calçadão, trajando aquelas roupas antiquadas e desbotadas, com o passo lento e o olhar vago. Creio que ela nunca tinha destino, que apenas saia a caminhar.

E ela fazia isso todos os dias, sempre com aquele olhar vago, como se estivesse prestando atenção para além do foco. Vivia tentando imaginar o que ela estaria pensando, mas nunca consegui ir muito longe – minha imaginação não era tenaz o suficiente para driblar aquela expressão misteriosa. Ela não demonstrava ter anseios, nem desejos, nem perspectivas. Ela simplesmente seguia o seu caminho, que não parecia ser planejado, talvez nem quisto. Era o vento que a carregava.

Aquela moça não esperava glórias, não pedia por recompensas, não se importava com resultados. Ela apenas caminhava. Um passo depois do outro, depois do outro…

Um dia eu tive a vaga impressão de que nossos olhares se cruzaram. Não sei se realmente aconteceu, se ela não estava apenas olhando o infinito. Mas, na fugacidade daquele instante milesimal, compreendi que, apesar de não conhecer seu destino, ela sentia a necessidade de continuar. Ela sentia o dever de trilhá-lo. E assim o fez.

Todos os dias, com chuva ou com sol, ela vestia aquelas roupas antiquadas, calçava suas sapatilhas surradas e saia a caminhar.

Hoje, lembrando dela, entendo que o destino só se faz caminhando. Que, embora o futuro seja incerto, a passos lentos, porém decididos, chegaremos lá.

Tenham todos um ótimo 2010.

Leandro Dani tem 22 anos. Sigam-me os bons: @leandrofeh

Uma auto-crítica de 2009

Thursday, December 31st, 2009

Você já fizeram sua auto-crítica alguma vez? Uma geral assim, de um ano todo talvez eu nunca tenha feito… talvez seja um belo exercício a se fazer. Vou tentar ser obejtivo e sem muitos blablabla. Gosto de ser assim!

Falando no geral, foi um ano sensacional, aquele típico ano que você coloca na cabeça, pensa “vou fazer isso”, e no final do ano, tudo que você traçou, imaginou, planejou, está feito e marcado na história. Foi um ano de conquistas, pessoais e também uma bela realização profissional. Começando pelo profissional, realizei diversos tipos de trabalhos na minha área, que é Design Gráfico, tendo reconhecimento tanto pelo trabalho, como também financeiro, que no final, acaba sempre ajudando. Acabei também entrando de vez na área de Fotografia, como um trabalho, pois antes era apenas por gostar e admirar esse modo de utilizar a luz para tornar eterno um momento.

Mudando para a parte pessoal, com certeza 2009 foi um ano em que conheci com certeza muita gente, e muita gente boa. Tive também a honra de tornar alguns colegas antigos, amigos de distância e que falava mais por MSN, grandes amigos, parceiros, que terei para toda a vida. Fora as surpresas, que o Real Madrid me fez um favor de liberar seu camisa 10, e deixá-lo vir até em casa… bom, esse é o caso do nosso querido Afonso! Dentre outras grandes amizades também, que conheci em Florianópolis em uma ida mais que rápida, praticamente um bate volta a trabalho e lazer. Não vou citar nomes, mas aqueles de quem estou falando, sabem quem são, uns vão ler isto, outros não… não hoje!

Dois mil e nove me marcou, definitivamente por um acontecimento único, eterno e inesquecível. Blink-182 Summer Tour, essa ficou para história… em fevereiro recebi a notícia, como todos vocês, exatamente no dia 8 (9 aqui no Brasil), que o blink-182 estava de volta. E a partir daí, eu coloquei na minha cabeça: Vou aos shows. E foi assim que ocorreu. Não foi tão simples, aconteceram alguns imprevistos, e quase, quase que o meu visto não sai, quase que meu passaporte tem problema semanas antes de viajar. E quase meu querido cachorro come minha carteira com meus documentos, ANTES DE VIAJAR! Bom, a carteira ele comeu, os documentos não… talvez fosse o destino, um ser que acredito e muito.

Sei também, que se não fosse pelo Mau – cujo é igual, menos, ou mais retardo que eu – e pelo Marcelo – que é estranho em um primeiro momento, esquisito em um segundo, porém uma das mais sinceras amizades no terceiro – estarem comigo nessa viagem INSANA, nada seria a mesma coisa, nada seria tão eterno, nada ficaria tão marcado. Com o Mau vivi alguns momentos engraçados, ou quase todos, e muitos deles quem causou foi o tal do Marcelo. Com os 2 passei um dos 14 melhores dias da minha vida, mais alucinantes e mais sem rumo de toda história, não da Terra, mas de nós três.a l

Não queria alongar muito a coluna, não sei se mudei de assunto no meio dela… mas aconteceu, esse assunto me empolga… e vou precisar de umas 4 ou 5 colunas pra contar tudo. Vocês querem?

Bom, para finalizar, acho que seria legal para cada um que ler para pensar um pouco sobre como foi seu 2009, e como mudar e o que fazer para 2010 ser melhor… pare 5 ou 10 minutos de seu dia e pense, se tiver mais tempo, escreva… e releia talvez daqui 365 dias, é muito bom. Um ano todo não se resume por apenas um dia, e sim por aquele sentimento que você sente no último deles… e agora estou arrepiado, pois foi simplesmente excelente.

Muitos de vocês fazem parte disso, de pequeno ou grande modo, mas fazem, pois estou escrevendo aqui, e isso só é possível pois vocês tornaram o Action182 (que com certeza foi uma das grandes coisas que aconteceram em 2009 para mim também) mais que excelente.

Que 2010 seja simplesmente muito bom para todos vocês, que vocês e toda sua família tenham saúde, paz e amor, pois o resto corremos átras!

Muito obrigado e até amanhã, ops… 2010!

Me siga no twitter! – @brunobld

Observações
- Vou deixar algumas fotos aqui que nunca divulguei do momento que mais me marcou em 2009, minha viagem!
- As fotos em que o Marcelo aparece geralmente são meio gays, mas pois selecionei essas só por sacanagem com ele – ele vai querer me matar depois!
- Ai tem foto de celular, de camera, de tudo… as vezes na emoção, as vezes na razão. O importante é eternizar o momento. E já digo, todas estão completamente aleatórias… e as fotos do blink-182, são de autoria minha, podem usar a vontade.. só deêm os créditos! :P

BRUNO “BLD” CLOZEL tem 21 anos, é proprietário do Action182 e deseja um sincero 2010 muito bom para todos! Além de achar que você deve seguir seu sonhos, e realiza-los… sem medo de ser feliz!

Morte

Saturday, December 26th, 2009

Tive a infelicidade de encontrar a morte, direta e indiretamente, algumas vezes neste ano. Estava em Nova York, em agosto, junto ao Bruno e ao Mau, em meio à alegria de assistirmos aos primeiros shows do blink-182 de nossas vidas, quando fomos surpreendidos por uma triste e inesperada notícia. DJ AM havia morrido. De todas as semanas possíveis, de todos os lugares do mundo onde podíamos estar, estávamos eu, Bruno e Mau em Nova York, exatamente onde DJ AM estava no momento de sua morte. A notícia foi um choque, algo que nunca poderíamos esperar. Logo nos perguntamos: “E o show? Haverá alguma mudança?”

Apenas no dia seguinte teríamos nossa resposta. Deu-se início ao show como de costume. Já sabíamos a ordem e a forma como tudo se daria. Se no começo, nos primeiros shows do blink, eu mal podia esperar para que o trio entrasse logo no palco, agora já me divertia também com as bandas de abertura. Havia alguma graça particular em saber as músicas que tocariam, em já prever suas performances e em antecipar suas falas. Sabíamos o momento em que o Weezer sairia do palco, e voltaria apenas o vocalista, tocando cada um dos instrumentos de uma vez, primeiro a bateria, depois o baixo, e em seguida a guitarra, para montar a música aos poucos, unindo-a como mágica aos olhos dos espectadores. Sabíamos quando pediriam que pulássemos. Éramos especialistas naquele show. No entanto, ignorávamos como seria a apresentação do blink.

“Será que dirão alguma coisa?” nos perguntávamos. “Talvez fingirão que nada aconteceu”. Só podíamos supor. Quando o blink-182 finalmente entrou no palco, a princípio parecia que nada havia mudado. A energia era a mesma, nossas preocupações tinham sido em vão. As três primeiras músicas irromperam como uma explosão em nossos ouvidos. Dumpweed, Feeling This, The Rock Show. Conhecíamos a ordem em que seriam tocadas, mas nossa emoção renovava-se a cada novo show. Passaram-se mais algumas músicas, até que por fim tocaram Stay Together For The Kids. Quando o último acorde esmoreceu no ar, Mark se aproximou do microfone. Até então não haviam falado mais do que rápidas piadas e breves agradecimentos. O que se seguiu, porém, foi algo novo.

Mark iniciou dizendo que aquela era uma noite difícil para a banda. Eles haviam, afinal, perdido alguém querido. Não irei transcrever aqui tudo o que foi dito, muitos vídeos no YouTube o farão melhor do que eu. Poderei, no entanto, tentar descrever como me senti naquele instante. Mark, em meio às suas palavras, engasgou-se e chorou. Pude experimentar, junto a milhares de outras pessoas, ver meu ídolo de anos, ali diante de mim, chorando como o mais comum dos homens. Seu choro foi sincero, suas palavras, tocantes. Jamais me senti tão próximo a ele como naquele momento. Não conhecia a sua dor, mas via-o como tão humano e frágil quanto qualquer um. Não posso responder pelas opiniões do Bruno ou do Mau. Sei apenas como eu mesmo me senti. Foi um momento único, um terrível acontecimento que marcou nossa viagem e nossa experiência nos Estados Unidos. Em seguida, quando as luzes se apagaram e Mark pediu um minuto de silêncio, todos nós experimentamos aquela angústia misturada a uma natural confusão, por estarmos vivendo aquele momento tão singular. O show continuou, mas a reação do público havia mudado. Podíamos perceber no ar um certo embaraço e estranhamento por parte de todos. Era como se ninguém se permitisse demonstrar muita felicidade, agora que havíamos prestado aquela homenagem ao DJ AM.

Depois de mais alguns dias aproveitando a cidade e, como todo bom turista, consumindo muito, voltamos para nosso amado Brasil. Voltávamos às aulas, e a um lugar onde o blink não se apresentaria quase todos os dias. Voltávamos à nossa velha rotina. Exatamente uma semana após nosso regresso, minha avó faleceu. Ela morava conosco havia já três anos, desde que sofrera um derrame. Sua morte, porém, foi uma surpresa a todos nós. Havia tempos que sua saúde estava estável, e ela não demonstrou sentir qualquer indisposição naquele dia. Foi um dia como qualquer outro, sem qualquer indicação do que nos esperava. Na noite do dia 11 de setembro, saí com alguns amigos para jantar no Pizza Hut. Minha mãe e meu irmão também haviam saído de casa, portanto minha avó ficara sozinha. Depois de muita pizza e conversa, meus amigos me deram carona para casa. Ao nos aproximarmos de onde eu morava, contudo, nos deparamos com uma cena incomum. Alguns vizinhos estavam na rua, e um carro de polícia estava estacionado bem em frente à minha casa. Após nos informarmos sobre o que havia ocorrido, entrei correndo em casa para descobrir minha avó desmaiada na sala, lívida. Não desejo contar aqui em detalhes o que se passou. Colocamos ela no carro, e voamos para o hospital. Ela ainda respirava. No entanto, não fomos capazes de salvá-la. Algumas horas depois, com minha mãe já entre nós, recebemos a notícia de que ela havia falecido.

Cerca de um mês e meio depois, tive um novo contato com a morte e o luto. No início de agosto, um grande amigo meu, o qual conheço há mais de uma década, descobriu que sua mãe fora diagnosticada com câncer de pulmão. O que se seguiu foi uma dura luta contra essa terrível doença. Sua saúde degenerou-se em um ritmo por demais veloz e cruel. Em fins de outubro ela veio a falecer. Difícil perder a própria mãe, ainda mais quando se é filho único e quando moram apenas os dois juntos. Não posso fingir conhecer a dor que ele sentiu e sente ainda. Só aqueles que o experimentam sabem. Espero, no entanto, que ele seja capaz de reconstruir para si sua vida, mesmo diante das dificuldades que o encontraram. Ele terá sempre o apoio de todos os seus amigos e família.

Por que decidi por este tema, para minha primeira coluna retornando ao Action? Acho que não poderia falar sobre nada mais, até tirar isso de minha frente. Livro-me, assim, de um peso em minhas costas. Duas vezes neste ano vesti-me para o luto, três vezes presenciei o choro dos que perderam alguém amado. Não desejo aventurar-me a filosofar sobre a morte, pois não penso que esta seja a coluna correta para isso. Prefiro deixar aqui um espaço para todos os que experimentaram alguma difícil perda, e os que conhecem a dor que a acompanha. Sabemos como a morte é inevitável, destruidora, porém natural. Quando enfim nos deparamos com ela, contudo, por mais que nos preparemos, o conforto das palavras ou de um ombro não deve ser desdenhado.

MARCELO CAMARGO tem 24 anos, estuda atualmente filosofia, mas não sabe exatamente o que quer da vida. Adora ler, escrever, ir ao cinema, ouvir música, jogar video-game e conversar com amigos. Espera que o Action182 possa ser um lugar aberto à reflexão assim como à diversão. Espera também, lá no fundo, que alguém tenha sentido a falta dele.

Inconstantes

Thursday, December 17th, 2009

Tive uma ideia! Não, não se desespere. Juro que ela é interessante – ao menos foi pra mim. Escute bem. Certa madrugada, numa dessas madrugadas de primavera, estava eu em frente ao computador com um copo de cerveja pela metade. Enquanto batia furiosamente com os dedos na mesa, uma ideia tomou minha mente por assalto. Por que não escrever o que vem à cabeça, sem filtrar nada? Bem, isso não daria muito certo – aliás, nem um pouco certo. Embora eu tenha certa liberdade para criar as colunas, não posso simplesmente me entregar a qualquer insanidade minha. Não, acho que posso. Aliás, talvez eu até deva. Mas a falta de criatividade estava me deixando um pouco nervoso, e meus dedos já estavam vermelhos de tanto batucar. Foi aí que, em um espasmo de criatividade inovadora (que suprimiu minha humildade), surgiu a ideia de escrever o que vier à mente enquanto escuto músicas do Blink-182. Pra ficar mais divertido, decidi que teria apenas o tempo da música para escrever algo – ou seja, cerca de três minutos para criar. Sem medo, apertei o botão ‘play’ e estiquei os dedos. O resultado você verá a seguir, música por música, frase por frase.
Para a sua experiência ficar completa, experimente ler cada texto – ou textículo, embora não soe muito bem – ouvindo sua respectiva música. Lembrando vocês de que as músicas e os significados de suas letras não foram levados em conta na produção dos “textículos”. Pelo menos, não conscientemente.

- A new hope:
Qual seria a verdadeira trilha do amor senão a nascida do toque? A sensação da tez suave e escorregadia, o calor da respiração ofegante esquentando o pescoço. Qual seria a verdadeira razão de amar senão sentir? Teria motivo preocupar-se com o amanhã sem a possibilidade do gozo? Como ser inconstante que sou, às vezes esbarro na delícia e encontro o sentido e o fim do viver no simples sentir. Amém – ou, amem.

- Anthem, Pt. 2:
De eleição em eleição celebramos o bem maior do nosso Estado. Entre dossiês, acusações, falastrões, desinteresse público e pesquisas forjadas, a democracia encontra seu caminho para obter, mais uma vez, glória. A glória dos analfabetos e dos famintos. Nossa democracia não é democrática. É hipócrita.
P.S.: 2010 está aí e, ao contrário do que muitos pensam, não é o ano apenas da copa do mundo de futebol. Sim, crianças, 2010 tem eleições e precisamos ser conscientes ao escolher nossos representantes.

- I Miss You:
Adeus, minha querida! Hoje estou de partida. Vou pra bem longe, onde os teus olhos não conseguem alcançar. Não sinta a minha falta. Quando o vento bater na tua porta, abra. Será um pedaço meu que voltará com um recado. Abra a porta e feche os olhos, sinta o vento. Escute com muita atenção. Limpe a sua mente, não pense em mais nada. Agora, você consegue escutar? É uma canção que eu fiz especialmente pra ti. Ela fala de amor, de solidão. Fala de saudade, de impossibilidade. E ela fala, acima de tudo, de uma pessoa que te ama. Que canta ao vento, esperando que a canção chegue ao seu destino. Que canta o destino, que nos afastou tanto. Preste bastante atenção, sou eu chorando. Mas não chore, minha pequena. Eu tenho esperança! Abra os olhos, vê o horizonte? Eu estou lá, de braços abertos, com o coração acelerado, correndo em tua direção.

- Stockholm Syndrome:
Consequência de anos no exílio, vindo dos subúrbios fétidos e úmidos do coração de uma antiga paixão, renasci das cinzas do que um dia foi um homem. Carne e ossos separados para sempre. Um facho de luz inabalável. O cerne de todo um ser na mais imponente casa do conhecimento. Sou aquele que ousou despertar na hora de dormir. Incrível besta dos sete chifres. Incansável curandeiro das trevas. Eu sou aquele que está por trás do seu fracasso. Sou a causa do seu eventual sucesso. A única esperança para o seu futuro. Sou a enfermidade e a cura. Sou o infinito e o nada. Enquanto os outros comem inércia, eu cuspo caos e excitação.

- Story of a Lonely Guy:
Ela passa sempre sem me notar, naquela quase negação da minha existência. Encolhe os passos pra se fazer vista e lança um sorriso malicioso que diz saber muito sobre mim. Meus olhos apontam o caminho, enquanto meus pés correm no sentido contrário. Preciso de um drink, um empurrão qualquer em sua direção.

- What’s My Age Again:
Ela sentiu que tinha falado demais. Calou.
Virou o rosto e escondeu os olhos atrás do cabelo.
Ele percebeu alguma coisa a mais. Sorriu.
Secou a palma da mão na calça jeans e disse:
- Eu sempre soube que seu irmão é gay.

- Not Now:
E quantos segredos traz o coração mais sincero? E quantas surpresas traz a vida mais monótona? E quantas belezas traz a estação mais fria? Quanta alegria traz apenas uma noite de carnaval? Se existe medição para o existir, que tragam a menor régua. Todo o resto é lucro.

- M+M’s:
O ponteiro do velocímetro marca 130 km/h. Abro a janela do carro, sinto o vento varrer minhas preocupações. Se existe liberdade, ela é uma pista livre que aponta ao infinito.

- M+M’s 2:
Um, dois, três goles e nenhuma consciência. Um, dois, três beijos e nenhuma preocupação. Três, dois, um dia a menos para curtir o verão.

Mural do Colunista:

P.S.: dependendo do retorno de vocês, pode vir mais.

P.S. 2: estou pensando em fazer uma versão para cada álbum. Claro, aí viraria um conto. Enfim, o futuro está por ser escrito – não por mim, mas por alguém mais caprichoso e onipresente.

Leandro Dani (leandro.feh) tem 22 anos. E, desde já, deseja um feliz natal a todos vocês! Curtam, bebam, façam festa. Só não esqueçam a prudência na gaveta das cuecas. Sigam-me os bons: www.twitter.com/leandrofeh

Já deu um abraço em alguém hoje?

Saturday, December 12th, 2009

Hoje é dia mundial… Ou nacional… Ou, que seja, hoje é dia do abraço! Isso é piegas, é clichê, é cretino e é batido, mas sério, eu sou daquelas que acha que um abraço é a melhor coisa do mundo, principalmente quando se precisa de um. Um abraço de um amigo, de um pai, de uma mãe, de um irmão -  seja porque vocês se reconciliaram, porque estão há muito tempo sem se ver ou só porque acabaram de ganhar uma partida no videogame – pode ser um remédio ainda maior do que se espera.

Das duas uma: Ou você leu isso e disse “Que gay” ou “Own, que fofo!”; que seja. Assim como alguns dizem que através dos olhos podemos ver a alma, eu digo que através de um abraço podemos sentir se podemos contar com aquela pessoa ou não. Ainda acho que um abraço é a expressão máxima de uma amizade – porque, fala sério, se você abraça (com vontade) alguém que não é nem sua mãe, seu pai, namorado(a) ou parente, é um amigo que você preza demais. É uma das poucas formas onde você pode quase sentir o carinho entre você e aquela pessoa fluir e, para aqueles que não são adeptos do FREE HUGS, no te preocupes: Seus amigos não vão demonstrar a sua amizade só nos abraços.

No fim, você vai, além de compreender, ver que aqueles que são de verdade seus amigos souberam respeitar seus sentimentos, seus delírios e suas limitações. Souberam lidar com elas e permanecerem ao seu lado, independentemente das consequências. Eles não se importaram em ouvir as suas mesmas histórias e desabafos milhões de vezes e até ensaiaram sorrisos – mesmo que forçados – para demonstrar que estão ali, te ouvindo. Eles não se sentiram na obrigação de te proteger como se você fosse uma criança indefesa e sem consciência dos seus próprios atos, tampouco procuraram justificativas para os seus ataques infantis; eles te trataram com o devido respeito e souberam apontar seus erros e equívocos, sem a intenção de te magoar ou encher: Apenas com o intuito de te fazer melhorar e crescer.

Eles souberam rir e chorar, mesmo que inconscientemente, junto com você e, embora pareça piegas, você sabe que nada teria sido a mesma coisa sem eles ali. Imaginar uma ocasião, um momento ou uma situação sem a lembrança de algum deles com você lhe é inviável e até intragável. A sutil diferença entre um amigo e um colega não denota-se apenas na forma como eles te abraçam, mas também reside na forma como o amigo se posiciona perante as situações mais difícieis: Se ele escolhe aquilo que é mais cômodo a ele – como um colega faria – ou se ele cogita os seus sentimentos e opiniões antes de questioná-los ou descartá-los. Vai doer assistir aqueles que você julgava amigos demonstrarem o mesmo senso de noção e compaixão que amebas – mas vai servir para você notar quais eram aqueles que realmente valeram toda a confiança que você depositou neles.

Por mais que soe óbvio, no fim, amigos serão amigos – e, se eu fosse você, corria para dar um abraço em um hoje.

Laís Cerqueira Fernandes tem 16 anos, é estudante do Ensino Médio, futura estudante de Jornalismo e aspirante a escritora. E sim, super se aproveitou desse espaço para tentar fazer um apelo: Dê mais valor aos amigos… E aos abraços!

Das Telas Para Os iPods

Saturday, December 12th, 2009

E o ganancioso mundo da indústria fonográfica acaba de ganhar mais uma estrelinha de Hollywood: Robert Patinson declarou que pretende lançar um álbum após o término da gravação dos filmes da saga Crepúsculo. Esse tipo de notícia não é nada recente, são vários os atores que se aventuram no mundo da música e vice-versa.

Esses atores aproveitam de sua fama pra se intrometer em outra área na qual eles conquistam fãs com sua imagem e não com sua música. Por mais que eles sejam ótimos em seu mundo, a grande maioria não possui talento algum e acabam apelando para músicas comerciais, sem qualidade alguma.

O pior de tudo são os programas e filmes feitos com a intenção de lançar futuros “músicos” a partir desta pré-divulgação da imagem de “ator/atriz”, remetendo a questão da praticidade defendida por mim na minha última coluna.

Ainda que existam casos em que pode-se captar uma qualidade sonora no trabalho desenvolvido por alguns desses atores/atrizes, os casos são raríssimos e ocorrem com maior probabilidade em filmes no qual a intenção não é lançar uma banda real, e sim interpretá-la. É caso da banda de George Clooney em “O Brother, Where Art Thou?” (2000) e de William Lee Scott em “Killer Diller” (2004).

Pena que são essas bandas medíocres pré-produzidas que são valorizadas atualmente e roubam a cena de novas bandas que possuem talento, como “White Lies” e de projetos paralelos de músicos renomados, como o Them Crooked Vultures, que reúne nada mais nada menos do que Dave Grohl (Foo Fighters), Josh Homme (Queens of the Stone Age) e John Paul Jones (Led Zeppelin) em uma mesma banda.

Matheus Jordão
tem 17 anos, é estudante  do Segundo Módulo do Curso Técnico em Mecatrônica e tem uma irmã retardada.

O Processo Evolutivo

Saturday, December 5th, 2009

A adaptação é um processo de mutação randômico cujo todos os organismos estão sujeitos. Tais adaptações podem ser tanto benéficas como maléficas de acordo com o meio em que ocorrem, sendo que tais são selecionadas pelo próprio ambiente, o que garante a perpetuação da espécie adaptada até que tais características desenvolvidas sejam tão numerosas a ponto de gerar uma nova espécie. Este processo é conhecido como Evolução.

Em outras palavras, a evolução nada mais é do que o resultado de adaptações positivas acumuladas ao longo do tempo. Não existe definição melhor do que é essa para expressar em palavras o que todos estão observando neste momento.

Ao longo de seis anos, este site vem propondo mudanças e transmitindo informações que são classificadas e selecionadas por todos vocês. Essa resposta da opinião pública atua como sendo o meio seletor, decidindo o que deve ser mantido e o que deve ser reformulado.

Nesta amostra da nova versão, procuramos integrar tudo que foi considerado de qualidade por vocês junto às novas adaptações que passarão pelo mesmo processo anteriormente descrito. Pretendemos demonstrar o motivo pelo qual a Action182 é o Maior Portal da América Latina Sobre Blink-182, e nada melhor para comemorar seis anos de existência do que uma reformulação total do layout do site junto da integração de novos membros da equipe e algumas novidades que aos poucos estão sendo reveladas .Enfim, esperamos que esta amostra seja suficiente para mostrar o potencial da nova versão que sai em breve.

Sejam bem-vindos ao preview do novo Action182.

Matheus Jordão tem 17 anos, acaba de concluir o Ensino Médio e cursa o Segundo Módulo do Curso Técnico em Mecatrônica.

Post produzido com a ajuda da @laisizzle

Praticidade x Qualidade

Sunday, November 22nd, 2009

Foi-se o tempo em que os meios de comunicação transmitiam música de verdade.

Ultimamente, com a ajuda de mecanismos virtuais como o Myspace, Purevolume, Orkut, Twitter e afins, a divulgação de novas bandas tornou-se uma atividade acessível, de baixo custo e cômoda. A praticidade obtida com a evolução tecnológica fez com que a maioria das pessoas deixassem de se empenhar para obter o sucesso através do merecimento. A internet tornou-se um ambiente no qual a imagem é mais valorizada do que o trabalho musical em si.

Muitas bandas produzem sons “coloridos” intencionalmente, pois esse gênero é que está sendo valorizado no meio em que estes divulgam seu “trabalho”. Os integrantes nem ao menos gostam do que estão fazendo, mas ainda assim continuam seguindo aquilo que lhes rende dinheiro. Assim, as bandas que realizam um trabalho admirável são sombreadas por aqueles que vendem seu trabalho pela fama.

Outro ponto interessante é a intensa utilização de sintetizadores e edições de estúdio para produzir aquilo que alguns chamam de “música”. Não existe uma dedicação dos integrantes em produzir uma melodia com seu talento, cada vez mais estes recursos são procurados, tornando a música artificial. Este fenômeno pode ser observado nas apresentações destas bandas, onde o playback e os sintetizadores estão sempre presentes, algo tão desprezível quanto a mentalidade comercial dos que a praticam.

Felizmente ainda existem bandas que continuam a produzir arte ao invés de ruído, mesmo sendo raríssimas no meio virtual. Cabe a nós saber diferenciá-los dos que foram engolidos pelos holofotes. Procurar o conhecimento musical é fundamental para este discernimento, atitude cada vez menos presente no cotidiano desta geração a qual todos pertencemos.

Matheus Jordão tem 17 anos, é estudante do Terceiro Ano do Ensino Médio e do Segundo Módulo do Curso Técnico em Mecatrônica e acaba de integrar a equipe da Action182 como colunista.

Humor é Bom, Para os que Entendem

Wednesday, November 18th, 2009

Estávamos nós todos no twitter, conversando. E Após os recentes eventos, seria óbvio a brincadeira do #DHnoActionCast. Muitos riram pacas, entenderam a piada.

Mas (sempre tem) uns revoltados, acho eu, nunca assistiram programas de comédia. Pânico, CQC, outros tantos.

Quando você faz uma piada e a pessoa não gosta, o que o ser humano faz? Conta novamente. Até a pessoa explodir. Esse é a piada. Não venha me falar que nunca fez isso.

E a Luana Piovani com as sandálias da humildade? E o Clodovil? E o Hector Babenco no CQC?!

Somos auto-suficientes de irritar alguém, pelo amor! Agora essa polêmica BANAL de reclamar? Ter atitude é reclamar? Reclamem de algo realmente mude alguma coisa!

Se não notou, o ActionCast é um programa do Action182, porém humorístico. Vi gente já discutindo no meio dessa confusão toda sobre quem é mais fã, estilos. Galera, é só uma brincadeira. Sempre foi divertido perseguir quem nos odeia pra ver eles mais irritados. Estamos todos envelhecendo tão rápido e deixando o humor de lado, só o lado ranzinza fica?!

Faço das palavras do Danilo Gentili as minhas: “no twitter todo mundo quer pagar de bom homem, politicamente correto” O mundo não é politicamente correto. Se você tenta ser assim, se mata!

O ActionCast é um podcast de humor, talvez o que mais cresça de público atualmente. Se não tem senso de humor, isso não é culpa nossa, vá culpar seus problemas. Pois o humor é rir do lado ruim da vida. As coisas boas já são boas por si só.

Fernando Belucci tem 25 anos, estudante de jornalismo, diretor e apresentador do ActionCast, escritor, roteirista de quadrinho, responsável também pelo podcast Na Latrina, e não: não sou mais fã que ninguém.

Ser Fã é Para Poucos

Sunday, November 15th, 2009

Se você for procurar na Wikipédia – coisa completamente corriqueira, caso você seja um estudante – o que é “”, ela vai te dizer que “é uma pessoa dedicada a expressar sua admiração por uma pessoa famosa, grupo, idéia, esporte ou mesmo um objeto inanimado (por exemplo, um automóvel ou um modelo de computador)”. Se você for até o Dicionário Aurélio e procurar pela mesma coisa, ele vai te responder que fã é um “admirador exaltado”. Se você estiver com muita boa vontade e quiser pesquisar a morfologia da palavra, vai ficar sabendo que “fã” vem de “fan”, que é uma abreviação da palavra americana “fanatic”. Então você pergunta: “Tá, e daí?”. Daí que eu te dei essa mini aula de português só para dizer uma coisa: a Língua Portuguesa é linda, mas deixa a desejar na hora de tentar definir algum sentimento com meras palavras. Porque ser fã não é o tipo de coisa que se define; é o tipo de coisa que se sente.

Sentimentalidades à parte – ou não -, parem para pensar sobre o que é ser fã. Podemos começar pela diferença entre gostar de algo e ser fã de algo; afinal de contas, ouvir uma música “por ouvir” é diferente de ouvir uma música e se identificar com ela, assim como apreciar o lançamento de um single é diferente do que passar dias esperando pelo mesmo – todos aqui que estão aguardando a nossa Up All Night devem entender perfeitamente o que eu estou falando. Não que as pessoas que gostam de algo devam ser desmerecidas. Elas só não são… Fãs! Azar o delas, concordam? Ser fã é algo que é para poucos.

Outro exemplo com o qual vocês devem se identificar é o da mobilização de pessoas no Twitter para tentar colocar tags – #Blinkumentary, #Action182 e #182inBrazil parecem familiar para vocês? – nos Trending Topics do site (se você não entendeu uma única palavra que eu escrevi nesse parágrafo, cara, você está por fora da evolução digital! Orkut is so last season…). Você não precisa correr para o banheiro mais próximo para procurar uma gilete e cortar seus belos pulsos porque se deu conta de que não participou dessas mobilizações e merece morrer porque não é um fã digno – hey, vai com calma, meu conceito de fã não é tão extremista assim! Eu estou usando esse exemplo para que aqueles que participaram consigam se identificar ainda mais com o texto. Tem como descrever a sensação que sentimos quando conseguimos colocar as tags nos TT sem incluir a palavra “orgulho” na descrição? Não mesmo. E nós estamos certos: Se tem algo do qual devemos nos orgulhar, é da nossa, digamos assim… Competência como fãs. A nossa união em busca de um único objetivo – seja ele trazer a nossa banda preferida ao Brasil ou colocar tags nos Trending Topics – é motivo, sim, para orgulho. Já repararam como nós nos sentimos como se fôssemos parte de uma só família quando fazemos isso? Continuamos certos – o conceito de “família”, pelo menos para mim, nada mais é de do que pessoas que compartilham algo em comum. No caso da sua família que é unida por laços de parentesco, vocês compartilham o mesmo DNA – no caso da nossa “Família182”, nós compartilhamos o amor pela mesma banda.

Logo, como uma família, deveríamos agir como tal, certo? Deve ser por isso que eu fico tão indignada quando eu vejo fãs de demais bandas que ao ver o clipe das mesmas na MTV ficam loucamente revoltados porque “agora tal banda vai virar modinha”! Ou então quando estabelecem uma competição entre si para ver “quem é fã de verdade”. Mesmo que existisse isso de quem é “mais fã” ou “menos fã”, qual o problema de mais gente gostar da mesma banda que você? Vai ser bom de qualquer forma. Quanto mais gente gosta dela, mais chances de conseguirem uma vinda da banda ao Brasil. ‘Bora pensar assim e tirar todo esse rancor dos seus coraçõezinhos?

Fãs deveriam se unir, não ficar disputando quem é mais fanático do que o outro. De que diabos isso vai importar? No fim das contas, nós temos algo em comum – e se esse algo vir a ser amor pelo Blink-182, só prova que nós temos bom gosto e deveríamos ser amigos. Sério! Afinal, uma das melhores coisas que nós conseguimos obter nessa de ser fã são as amizades. ‘Bora dar aos mãos e ir em direção ao sol, numa vibe bem Criança Esperança, ao som de I’m Lost Without You ou algo assim? Tenho certeza que vai valer mais à pena do que entrarmos em discussõezinhas bobas.

Conclusão? Ser fã é, sim, um privilégio. E, cá entre nós, que coisa bonita é ser fã, não é? Antes que vocês achem que baixou o Galvão Bueno em mim – que coisa liiiiiiinda, amigos da Rede Glooooooobo! -, deixa eu explicar: quer uma conexão mais linda e complexa do que a que existe entre fãs e seus ídolos? Porque embora eles não se conheçam – mesmo que nunca tenham sequer se visto -, existe essa relação de cumplicidade inalterável. É um vínculo que não pode ser forjado e que nos dá direito a sensações incríveis – quando, por exemplo, ouvir aquela música melhora seu dia; quando aquela frase do seu ídolo sintetiza um sentimento seu que antes você achava inexplicável; quando, um dia, ouvir a introdução de Dumpweed ao vivo vai nos fazer sair de órbita.

Digo e repito: Ser fã é para poucos – mas nós, aqui, somos muitos – e eis um fato do qual nós devemos nos orgulhar.

Laís Cerqueira Fernandes tem 16 anos, é estudante do Ensino Médio, futura estudante de Jornalismo e aspirante a escritora. E não, não é prima do BLD.

Era uma vez um vestido rosa

Thursday, November 12th, 2009

Em um país acostumado à exibição e veneração do corpo, ao biquíni fio-dental e ao tapa-sexo, um vestido curto deveria passar batido. Deveria, mas não foi o que aconteceu alguns dias atrás na Uniban -  a Universidade Bandeirante de São Bernardo do Campo, São Paulo. Pelos diversos meios de comunicação – principalmente pela internet, no YouTube – pudemos observar a nata da intelectualidade tupiniquim regredir várias décadas na evolução dos costumes e tudo por causa de alguns centímetros a menos – ou a mais, depende do ponto de vista – de tecido.

E como poderíamos definir o acontecido, qual a razão de tamanha selvageria? Seria o machismo da sociedade patriarcal brasileira, que mesmo ostentando para si títulos de moderna e progressista não mantém nada mais do que hipocrisia em suas atitudes? Teria a própria estudante culpa ao supostamente ter ofendido alguém, ou mais pessoas, a ponto de causar aquela fúria generalizada? Seria, afinal, o vestido indecorosamente curto, ao ponto de quase causar o linchamento da assustada estudante? E então, qual deve ser o alvo de nossas críticas?

É difícil entender como pessoas tão jovens e instruídas possam ter dado tal vexame. Depois de ficar sabendo do ocorrido na Uniban, tratei de me certificar de que se tratava de uma universidade brasileira. Não consegui acreditar que no país do carnaval, dos biquínis mais reveladores do mundo, pudesse ocorrer uma basbaquice e uma bestialidade daquelas. Depois de ter me certificado da localização daquela instituição de ensino “superior”, tratei de fazer uma brevíssima incursão no mundo do meu “eu interior”, como chamam os gurus por aí, para descobrir o que eu penso sobre o assunto. Não demorou muito para eu ter certeza de que aquele vestido e aquela moça poderiam, no máximo, virar a minha cabeça na direção em que seguissem. Talvez eu abrisse a boca para tecer um comentário assaz habitual, do tipo “que saúde” ou ainda o afamado “ô lá em casa”, com algum colega de gênero que estivesse mais próximo. Minha reação seria cotidiana, breve, assintomática e bem-humorada – a moça e seu vestido não sobreviveriam muito tempo em minha memória e em meus diálogos. Mais um dia, mais uma mulher bonita e sua roupa provocativa (no melhor sentido que essa palavra pode trazer).

Enfim, não consigo ver o porquê daquela reação sem concordar com Gustave Lebon, que definiu uma massa de pessoas sob o ponto de vista psicológico da seguinte maneira: “Uma massa é como um selvagem; não está preparada para admitir que algo possa ficar entre seu desejo e a realização deste desejo. Ela forma um único ser e fica sujeita à lei de unidade mental das massas. No caso de tudo pertencer ao campo dos sentimentos, o mais eminente dos homens dificilmente supera o padrão dos indivíduos mais ordinários. Eles não podem nunca realizar atos que demandem elevado grau de inteligência. Em massas, é a estupidez, não a inteligência, que é acumulada. O sentimento de responsabilidade que sempre controla os indivíduos desaparece completamente. Todo sentimento e ato são contagiosos. O homem desce diversos degraus na escada da civilização. Isoladamente, ele pode ser um indivíduo; na massa, ele é um bárbaro, isto é, uma criatura agindo por instinto”. Ou seja, é o velho tesão reprimido atingindo níveis catastróficos no ABC paulista – isso para ser bem-humorado e extremamente positivo na minha análise. Para alguns conterrâneos extremistas meus aqui do sul, sei que diriam que o que faltou foi laço (eufemismo para “uma bela e merecida surra”) nos agitadores. Tendo a acreditar que o que faltou para aquela massa enfurecida de estudantes universitários é exatamente o que eles foram buscar quando acordaram para ir à universidade naquele fatídico dia: conhecimento, sabedoria e educação.

ATUALIZAÇÃO

Agora a pouco li, abismado, em um grande portal de notícias da internet, que a moça do vestido curto está sendo assediada para, dentre outras propostas, participar de programas de TV, como Altas Horas e Ana Maria Braga, da TV Globo, para posar seminua para marcas de lingerie, para lançar uma linha de bijuterias, para estrelar uma campanha de minissaias e, a mais atordoante de todas, para ser musa de uma letra de música de um grupo de axé. Obviamente, ouvi falar que a revista Sexy também está tentando um ensaio com a moça nua… tudo de muito bom gosto, é claro. E agora, quem é a vítima? Uma coisa é sofrer preconceito por usar uma determinada roupa – o que é absurdo -, outra coisa é se beneficiar por ter sofrido tal preconceito. No fim, a única coisa que aprendemos é: lucre sempre, lucre o máximo que puder, não importa como.

LEANDRO DANI (leandro.feh) tem 22 anos e apóia a causa das minissaias e microvestidos.

Biografia de Bruno “BLD” – Por Laís

Sunday, November 1st, 2009

Fui entrevistado por Laís Fernandes para um trabalho pessoal dela, e ela acabou fazendo uma biografia minha que achei muito interessante… como faz tempo que não escrevo por aqui, vou deixar minha biografia feita por ela e apartir da semana que vem vou escrever sobre as histórias da Summer Tour entre outras coisas. Aproveitem:

Bruno “BLD” Clozel Marques, ou apenas “BLD”, nasceu no dia 26 de julho de 1988 na cidade de Santo André, localizada no estado de São Paulo.

Decidido e disposto a “ir até o fim” quando deseja algo, BLD lista como seus maiores interesses a música (pela qual se considera “fanático”, apontando a bateria como seu instrumento preferido), fotografia e design – este último, ele diz exercer como profissão e paixão, uma vez que não o faz por obrigação, e sim por prazer. Ele admite sempre ter tido certa facilidade com a criação, além de querer ter como base do seu sustento o seu trabalho como designer e fotógrafo. “Quando tiver uma vida estável”, acrescenta, “vou ter um estúdio em casa e mexer com música, também. Mas como hobbie!”, conclui. Ainda no que se diz respeito à música, diz ter como maior inspiração para tocar bateria (ou ser um “tocador de tambores e fazedor de barulhos nas horas vagas”) o “mestre” Travis Barker, pois começou a tirar músicas no instrumento após acompanhar Barker tocando.

Além de se dedicar aos seus principais interesses, aos serviços que pega para fazer e também à faculdade, BLD administra em parte do seu tempo livre o maior Portal da América Latina sobre a banda norte-americana blink-182, o Action182. Influenciado por Tom, Mark e Travis inclusive no jeito alegre de agir e de se vestir (sem ultrapassar as barreiras da normalidade para um fã, ele assegura de uma forma bem-humorada) e admirador do trio desde os onze anos de idade, ele diz que o site surgiu na “hora certa”, um pouco antes do lançamento do Self-Titled, CD que seria o último da banda antes da mesma passar por um “hiatus” de quatro anos. Na época, BLD diz que a ideia surgiu justamente pela falta de sites sobre o blink-182 que estivessem à altura dos fãs. No início, quando ele mesmo pagava o site (e causava muita “dor de cabeça para os pais”), a divulgação foi a parte mais difícil; porém, com a ajuda dos amigos, da namorada e dos próprios pais, que o auxiliavam desde críticas construtivas até à parte de logística do site, o Action182 terminou por ser a maior referência online para os fãs de blink, reconhecido inclusive em um prêmio do iBest, que tem como objetivo descobrir novos talentos e premiar os sites que estão “fazendo a história da Internet no Brasil”. BLD acredita que o diferencial do Action182 é a interação com os próprios usuários e a busca contínua por formas de inovação na hora de informar os fãs e, é claro, o comprometimento da equipe do Portal – além do fator “sorte”: a volta da banda no início de 2009 não poderia ter contribuído de uma forma melhor para o Action182.

Ainda sobre seus ídolos, os integrantes do blink-182, BLD afirma que, se tivesse a oportunidade de conversar com eles, levaria um papo “normal”. “Para mim, não seria um bicho de sete cabeças”, assegura. “Mas iria aproveitar, claro”, acrescenta. Essa oportunidade ainda não chegou, mas a de acompanhar alguns shows do blink-182 durante a Summer Tour ’09 nos Estados Unidos, sim – fato que ele considera uma das suas maiores realizações até o momento, além de ter sido um sonho concretizado. Afinal, a chance de assistir a primeira turnê da banda após a sua volta ao mundo da música, fora do país e com entrada VIP, é algo que se enquadra na categoria de “sonho” de todo fã do blink-182 que se preze.

Porém, esse era um, e não o único, dos sonhos de BLD: outra oportunidade muito almejada é a de poder viajar pelo mundo e, dessa forma, conhecer novos lugares e culturas diferentes. Seus próximos projetos, além do crescimento e expansão do Action182, visam seu próprio trabalho e sua marca pessoal.

Ao ser perguntado sobre como ele mesmo se definiria, BLD (após arriscar uma resposta com um “perfeito” e dizer que isso era uma brincadeira – ou não, vai saber? – logo em seguida) utiliza, principalmente, os adjetivos “decidido”, “dedicado”, “extrovertido” e “perfeccionista” (este último, inclusive, reflete na parte visual do Action182, administrada por ele mesmo), características facilmente perceptíveis quando se tem o mínimo de proximidade com ele, além da alegria e sinceridade aparentes. Ele se considera, inclusive, uma pessoa muito feliz, e assegura que não mudaria coisa alguma pela qual já tenha passado durante toda a sua vida – afinal de contas, todos os momentos pelos quais já passou fez dele hoje a pessoa que ele é.

Além do seu próprio trabalho e o legado que deixou para os fãs de blink-182 sendo o mentor do que, atualmente, é a maior fonte de informações online sobre a banda, BLD gostaria de ser lembrado, de uma forma menos específica, como uma pessoa que “fez algo bom por aí, pelo mundo ou pelas pessoas, seja lá o que for”. Se houvessem mais motivos para que as pessoas achassem que valeria a pena conhecê-lo, seria, certamente, a sua originalidade. “Eu sou eu, e isso faz com que as pessoas tenham certeza que vale a pena me conhecer”, completa. Não restam dúvidas sobre isso.

Siga no twitter: @brunobld

Site pessoal: http://www.brunoclozel.com.br

Biografia por Laís Cerqueira Fernandes

A Importância do Bem

Saturday, October 24th, 2009

Pessoal, só eu noto ou o mundo todo se importa só com coisas ruins?! Se algo é bom, tá… É bom. Se algo é ótimo, legal: ótimo! Mas se a coisa for ruim… Sai da frente, você é a pior pessoa do mundo. E a notícia vai render a eternidade.

Temos milhões de anos e não evoluímos nada! Ninguém é obrigado a concordar com ninguém, ninguém é obrigado a ler nada. Agora neguinho falar coisas assim: eu odeio tal banda, eu tenho todos os CDs e nenhum é bom. Odeio essa série, to na 3ª temporada e não me prendeu. Odeio tal cara, leio todos os textos dele e não gosto.

As pessoas são treinadas desde a infância a crucificar (e contraditoriamente venerar ao mesmo tempo) o errado e o certo deixar pra lá: já que tá certo, foda-se, não há problema nenhum. Sim não há problema nenhum, então por que não se focar nesse acerto? Tratar este sim como um exemplo. Um cara ajuda famílias, há anos em certa região de São Paulo, mas ninguém filma isso, ninguém comenta isso. Tem 20 câmeras num assalto, num acidente. A repórter na tevê fala: “por favor, gente se você não é jornalista fazendo seu trabalho e só é curioso, deixa um espaço pro cara.” E quem está sintonizado no canal não é curioso também? Quem compra um jornal pra ler notícias como essa, só pra poder falar: “nossa o mundo tá perdido” também é curioso! Deveria sim o jornalismo atual ser usado para bons exemplos. Pra unir a sociedade, não separá-la. A opinião foi feita pra discutirmos e chegarmos num conceito mútuo, não numa guerra ofensiva que sempre torna essas brigas sem utilidade nenhuma.

É assim com religião, é assim com política, assim com futebol, até com música. Assuntos proibidos? Só se nós somos estúpidos suficientes pra não entender que a outra pessoa não é obrigada a gostar das mesmas coisas que você. Tenho amigos de outros partidos, tenho amigos que me zoam por algumas bandas que gosto, tenho amigos que eu zoei pela banda que gosta, pelas atitudes. O importante é sabermos que essa diferença é a vantagem. E se tornarmos essa diferença positiva, não só pra trazer o mal do mundo e do ser humano, que depois de tanta guerra, inquisição, tortura já conhecemos demais esse lado.

Vá ajudar de verdade alguém, vá falar: “o cara que eu odeio ganhou na eleições, mas se ele fizer um bom governo eu agradeço” porque esquecem que a idéia da eleição não é a do futebol: É na verdade o bem estar geral. Poucos se lembram que certo e errado são relativos. Só existe essa diferença absurda de bom e mal lá na Malhação. Todos são cheios de qualidades e defeitos. Se em 2012 o mundo acabar, é porque nem um milhão de anos foi suficiente pra entrar isso nas nossas cabecinhas.

Fernando Belucci tem 25 anos, estuda Jornalismo, é  escritor e roteirista de quadrinhos, um blog de contos… E feliz com a novidade: a partir da semana que vem no comando do ActionCast!

Isabel, Isabel

Friday, October 9th, 2009

A porta estava entreaberta. Não dá para descrever a minha reação, misto de surpresa e medo. Vocês sabem que não é difícil me assustar. Mas aquela era a porta da minha casa. O local onde eu guardo a minha cerveja, os vinis do Elvis e, o mais importante, as minhas cuecas limpas. Enfim, tudo o que é importante pra mim está guardado lá.

E agora? Não tinha como escapar. Eu tinha que entrar. Isabel estaria me esperando dentro de alguns minutos. “E ela não gosta de esperar” – pensei. Dei o primeiro passo em direção à porta. Parei. Escutei. Silêncio. Dei o segundo passo e mais alguns. Espiei pela fresta. Não consegui enxergar nada, estava tudo muito escuro. Respirei lentamente, procurando não fazer barulho. Estiquei o braço e empurrei a porta. “É melhor parar por aqui” – pensei, enquanto a porta rangia na direção oposta – “como vou saber se não tem algum psicopata esperando eu passar pela porta para me acertar com um abajur”?

Enfim, agora era tarde, a porta já estava escancarada e alguma luminosidade já adentrava a sala. “Se tivesse um maluco, ele já teria pulado pra fora”, pensei aliviado. Foi quando ouvi um barulho. Alguém estava na cozinha. “Só pode ser o louco procurando uma faca”! Dei dois passos para trás e esbarrei na parede, fazendo cair um quadro. Gelei. “Droga, agora o maníaco sabe que estou em casa”. Ouvi alguns passos e pensei estarem vindo em minha direção. “Puta merda, fodeu” – não que eu já não estivesse todo borrado, mas essa foi a gota d’água… ou a descarga? – “é melhor eu pegar alguma coisa para me defender”. Agarrei a primeira coisa que vi, que, por uma coincidência não natural, era a minha Colt 45 pronta para entrar em ação. Com a arma na mão, cantei de galo. “Viu, seu filho-da-puta, é melhor sair engatinhando, ou eu estouro o que tu chama de cabeça”! Apontei a Colt na direção da porta. O que saísse de lá, sairia pra morrer. Fiquei uns bons minutos na mesma posição. Cheguei a bocejar algumas vezes. “Porra, que merda. O que diabos esse cara tá fazendo? Será que pulou pela janela? Mas é impossível. São dez andares!”. O que eu tinha que fazer ficou muito claro na minha mente. “Tenho que entrar atirando”. Corri e pulei porta adentro, numa cambalhota meio desajeitada. Esvaziei o tambor. O que estivesse por lá, já estaria na merda. Levantei e me recompus, dei uma olhada em volta. “Caralho, é a Isabel! – gritei, espantado – “Que merda, mulher, o que tu tá fazendo aqui? E por que tu nunca tira essa porra de fone de ouvido das orelhas?”, perguntei várias vezes. A porcaria da mulher não se levantava, nem sequer se mexia. “Tá morta”. Corri pra área de serviço, peguei uma lona que eu deixava por lá e enrolei a Isabel nela. “Droga, tá chovendo”. Fui até o meu quarto e peguei a chave do carro. Soube, naquele momento, que aquela seria uma noite longa.

“Isabel, Isabel… tu sabe que eu odeio sair em noites chuvosas. Olha o que eu tenho que fazer por tua causa” – disse, olhando pra lona. Bosta de mulher.

LEANDRO DANI (leandro.feh) tem 22 anos. Pronto, quebrei o gelo.

Nem Festa, Nem Fossa

Tuesday, August 25th, 2009

Atitude você não compra, não vende. Atitude é algo que nasce em você, seja hoje, seja amanhã. Tudo que é cultural nos ajuda a definir isso dentro de nós… Ou não.

Falei que essa seria uma coluna musical, e será. Pois, atitude tudo tem com música. O ato de ritmar sons já foi de muitos fodões com atitude. Tocar, escrever é fácil, difícil é fazer esse trabalho bem feito.

O mundo tá perdido mesmo. Os aviões caem, o Dólar cai… Só o Sarney que não. E isso porque ele é o mais velho dos três. O Gugu ta na Record, O Justus virou funcionário, Os porcos nos matam e Edir Macedo precisa de R$100.000 pra manter o blog… Que dó!

A tevê, a música, a moda… O que vemos, o que cantamos, e o que vestimos… Não nessa ordem. Estamos vestindo tevê, cantando moda e assistindo música. Acho (ACHO) que o primeiro estilo que se focou principalmente em mostrar atitude na mescla de tudo foi o punk. Se atualmente andar com esse cabelo diferente AINDA é diferente, imagina esse mesmo cabelo moicano no começo dos anos 80, quando nem eu pensava em nascer? É, isso é atitude. Não, não digo que não tenhamos… Leia bem: se alguns de nós temos atitude, imaginem aqueles caras! Eles torciam por mundos com pessoas seguindo seus ideais. E cá estamos nós, certo? ERRADO.

Eu já não sei mais diferenciar bandas, Fresno parece Nxzero, Strike é um Charlie Brown jr. novo… (a patricinha que adora um vagabundo) Cine, revelaram no twitter que é na verdade os Menudos (mas também parece MUITO uma outra banda do momento).

Criativas (não boas, já que bom e mal é relativo… aprendam isso) são aquelas bandas que você não consegue explicar em uma frase ela por inteira e no final solta: “ahhh só ouvindo!” Hoje esse estilo ta perdidamente confuso no mundo, todo mundo usa um moicano até pagodeiros do Cabral em, São Paulo. Ok, eu não uso mais nenhum artefato assim (o piercing na língua tirei esses tempos) mas os ideais permanecem. Dá medo quando alguém se veste como tal e nem sabe o que realmente significou tudo aquilo no passado. É como ver os Teletubbies discutindo geopolítica: não se encaixa no conceito proposto! Antes de roupas, vem pensamentos! Não dá pra se vestir como tal e ganhar a inteligência de tal. As roupas de Einstein venderiam horrores se assim fosse.

O que será lembrado daqui anos da gente? As milhares de correntes com cifrões e a Black Music? Os topetes, olhos pintados e a palavra proibida: Emo (que, quando citada acompanha sempre uma discussão banal sem um fim lógico)?

Resposta: Não sei. Pois se eu soubesse não teria a curiosidade de perguntar. Mas peço que primeiro de tudo, essa geração se mostre um pouco solidária e menos prepotente. Ganhemos pensamentos, não só bandanas, munhequeiras e cortes de cabelo. Músicas tristes são boas pra fossa, músicas de putarias são bons pra festas. Mas são momentos, e sua vida não é só festa ou fossa. Na verdade ela nem é isso, isso você cria pra se aliviar das verdadeiras preocupações. É quando vemos que a imagem nossa não é nada se dentro da caixa de isopor que vestimos não há nada de novo pra ser dito. Nós somos a linha tênue entre “o que ME agrada” e “o que LHE agrada”. Se quiséssemos nos levantar hoje e tirar o Sarney, tiraríamos… Somos muito mais, somos a massa. É como o rebanho de 180.000.000 de ovelhas se rebelando contra o pastor. Nada pára. Aí você decide. Chorar ou curtir em excesso não resolve o problema de ninguém. É levantar a cabeça e seguir de cara no caminho de pedras.

Me diz aí: o que você ouve e fala: “letras inteligentes, ritmo marcante e ainda consegue ser uma trilha sonora da minha vida, independente que alguém mais curta” Não vale Blink porque essa resposta eu já sei, né?

Fernando Belucci tem 24 anos, estuda Jornalismo, é  escritor e roteirista de quadrinhos, um blog de contos… E procurando se há algo mais depressivo que cantar em turma: “Perdoa por eu não poder te perdoar… Dói muito mais em mim não ter a quem amar.”

Exclusive Interview with Mark Hoppus

Wednesday, August 19th, 2009

We’ve heard about your solo project a little while before the whole blink-182 reunion/continuation started. What can you tell us about it? Any chances of it happening?

Before blink-182 got back together, I had been working for a few months on a project of my own.  I had about 12-15 ideas in various stages, and when blink-182 started up again, I brought all of those ideas to the table. I don’t know if I will continue down the road of doing an album on my own or not.  Right now I’m concentrating on the tour, the new record, producing, doing remixes, and everything else.  I have been talking with Chris Holmes about the idea of recording an entirely electronic album on tour, just to pass the time, but we will see if that comes to pass.

Do you have any current political, social or environmental concern? What do you do about them? What about the participation of you and other famous people in debates like it just happened with Prop 8? How important is it?

I rarely voice any of my personal political beliefs.  To me, the prop 8 issue was not political, it was more about basic civil rights in the United States.  I am also very concerned and involved in trying to help our environment.

How do you handle to manage your time among rehearsals, productions, blink-182 and family?

I don’t need a lot of sleep to function, and I am very busy from the start of the day and into the night.  I try and balance everything.


What’s the line to get stuck in our heads from the new single? What can you tell us about it?

The hook of the song is “it keeps me up all night.”  I’m super stoked on the way this song is turning out in the recording, and also the way I think it’s going to translate in the live show.  Lots of energy, very dynamic.  Kind of the next step from where we left off on the last blink-182 album.

Next month Enema of the State is turning 10. Definitely it was the biggest step to blink-182’s success. Why do you think that is?

Hard work, catchy songs, the right timing, and a whole lot of luck.

Tell us about “The Octopus”. Where did it come from, what does it really mean and what are the projects related to it? Is any more mystery around it yet to come?

I am the octopus.  That is all.

The Octopus in Brazil was a total success. Did you plan on making Brazil part of it, or it was just something you decided to do since the chance came up with Action182.com?

I had always wanted to octopus drives to be international.  Brazil has always been a huge supporter, so I wanted to make sure that the drives made their way down there. Specifically with the action182 people who have been supporters for so long.

More than 1000 people went after the 2 flash drives in Brazil. How do you take this kind of thing?

Amazing.  I can’t believe how incredible the fans in Brazil are.  I can’t wait to get down there.

And at last, we wanted to say thanks again, for all the attention and for the 17 years of blink-182 you, Tom and Travis are keeping up. Could you leave a message to all the Action182.com visitors?

Thank you very much.

O Interlúdio da Queda

Monday, August 17th, 2009

Desculpem-me pela presente interrupção da programação habitual. Continuaremos após este breve interlúdio.


Viver é caminhar para a morte, para o fim completo de nossa consciência. Estar vivo é aguardar o momento em que nos uniremos indistintamente à terra úmida e escura. Não há suporte para nenhuma outra afirmação, o resto é crença. No momento de nosso nascimento, somos arrancados para a vida, e condenados a morrermos de pouco a pouco e, o pior, sabendo de tal destino! Ao contrário de outras formas de vida, não ignoramos nossa sina. O sofrimento humano origina-se devido a este ponto: somos tão falíveis, tão finitos como o mais insignificante inseto, porém, de posse de nossa ridícula racionalidade, nos projetamos sempre para o infinito, para a eternidade. Somos larvas que se imaginam deuses. Não há como suportar a visão da inevitável queda ao fim de nossa caminhada.

De que serve os vãos esforços humanos de conquistar uma impossível imortalidade, deixando para trás inúteis marcas no mundo? Com o tempo tudo se esquecerá, a poeira cobrirá as pegadas de reis, de artistas e de sábios. Tudo é vaidade. A história humana se escreve com base neste único sentimento. A vaidade constrói palácios, provoca guerras, impulsiona a ciência, cria a arte, incita o ódio. A inteligência humana, esse tão distinto fardo que carregamos, faz com que cada homem tenha-se como valioso e indispensável. Dê poder a um deles que sua certeza apenas aumentará. Tire poder e sua mesquinhez se revelará, a dor em seu ego verterá veneno para todos os lados. Tudo é vaidade, em todos os lugares, em todos os rostos, em cada escolha nossa, cada ato humano, vejo a vaidade disseminada como uma peste. Em grande ou pequena escala, não há quem não padeça desse mal milenar. No seio de nações, famílias ou amigos, desenrolam-se lutas e desavenças por conta de tal ninharia. Não vêem que todos nós morreremos, e nada disso será relevante? O nada nos espera, então para que colocar tanta ênfase nesse eu que evaporará?

Sinto que já estou no abismo, descendo e descendo de encontro ao fim. Socorram-me, pois estou caindo, e não tenho mais ao que me agarrar!

O filósofo Kierkegaard já disse algo por estas linhas: onde houver uma multidão de homens que professem certezas, nesse lugar encontra-se a mentira. Somos incapazes de conhecer algo que possamos chamar de ‘verdade’, isso está além de nossa capacidade. Todavia, nossa história é marcada por asseverações desse tipo, e por aqueles que são fortes o bastante para impô-las aos outros. Em sua estúpida fraqueza, o homem tenta agarrar-se ao que pode à sua volta, nomeando aquilo que recai sob sua vista, tomando posse daquilo que lhe convém, construindo o seu próprio mundo conforme seus caprichos. O ser humano falha ao tentar acumular demasiadas certezas em suas débeis mãos. O homem mais seguro do mundo é, em sua essência, um mentiroso. Nada é mais certo que uma torrente infinita de incertezas que nos engolirão do começo ao fim de nossas vidas. Devíamos nos regozijar perante a confusão que nos envolve!

Há aqueles que sorriem presunçosos, certos de que mantêm a própria vida nas rédeas. Ignoro como isso é possível, e rio-me de tais tolos, pobres ingênuos que sofrerão ainda mais com o aproximar-se da morte. Eu digo, já entorpecido de fúria: querem possuir pleno controle da própria vida? Há apenas uma maneira, matem-se! Completem o inevitável círculo, e com o benefício de o fazerem com as próprias mãos. Provem-se donos de si mesmos, e evitem de uma vez os sofrimentos que não tardarão a os assombrarem.

Minha visão torna-se já turva, a vertigem adormece meus sentidos. Estou cercado por meus próprios fantasmas. Alguém me agarre, estou caindo!

Não é o fim que me apavora, mas tudo aquilo que o precede. Mesmo que eu seja agraciado com uma doença fatal, conforme o rolar dos dados do acaso, mesmo que morra mais cedo e sofra mais agudamente no que restar de minha vida, digo: ao menos me enganei menos, e pude perceber aquilo a que a realidade se reduz de forma mais contundente, descobri antes aquilo que você descobrirá no último segundo. Sua queda será maior.


Muito obrigado pela paciência. A programação habitual prosseguirá como de costume.

MARCELO CAMARGO tem 23 anos, estuda atualmente filosofia, já iniciou faculdade em cinema, porém sem completá-la, adora artes, como cinema, literatura, música e video-games. Espera utilizar seu espaço no Action182 como um lugar de reflexão, e gostaria de motivar outros fãs a fazerem o mesmo.

Leis do Bom Convívio

Thursday, August 13th, 2009

O quanto vale uma amizade? Quais são as obrigações dela? Aliás, existem obrigações?
É sim um assunto complexo, pelo menos para os dias de hoje. Pegamos-nos nessas frases: “olhe o lado dele” “Será que ele achou chato isso?”.
Na época distante de anos, não era assim. Amizade era alguém que pode contar. Alguém que vai lhe contar qualquer coisa que for melhor pra você e você fará tudo também. Mas atualmente é comum mesmo as tais Amizades Unilaterais: aquela que você se mata pela pessoa e quando espera o mesmo de volta ouve algo do tipo: “Desculpe, mas não dá, tenho que fazer algo” ou pior: “ele é mais amigo meu”.
Sou do tempo que a idéia era resolver problemas, não olhá-los de certa distância segura e deixar feder. Claro, não iremos pular na frente de balas, mas há sempre o que podemos fazer pra ajudar.
Amizade é o relacionamento não-familiar mais duradouro que um ser poderá ter, depende só dele mesmo. Um namoro de um ano é grande coisa, uma amizade de um ano é quase nada, por isso sempre falamos: “Nos conhecemos faz uns meses, mas parece mais tempo!” Podemos ter milhares de amigos e ao mesmo tempo só podemos ter uma namorada, um casamento (de acordo com as leis monogâmicas e monoteístas). Fora isso, é traição. Amigos reais e leais sempre perdoam, por mais aja merda no ventilador. Relacionamento às vezes nem começar começa com confiança. E há traumas. Amizades falhas nos fazem ver como somos superiores: “é um idiota, ajudei ele pacas e o cara quer me ferrar”, relacionamentos falhos: “mas tudo era tão bom… Por quê?” Tentamos ver onde erramos, e na amizade ligamos o “foda-se” e falamos: eu sou assim, e pronto.
Sabemos que o perdão poucas vezes funciona nesse mundo. A maioria desses pedidos vem anteriormente de tudo acontecer de novo… As mesmas pessoas, os mesmos problemas. A palavra perdão não vale de nada se não vem acompanhada de atitude e mudança.
Não deveria haver níveis de amizades, só no Orkut. Amizade é amizade, pronto, acabou! Somos todos racionais? Que sentemos e resolvemos as coisas… Somos amigos? Melhor ainda! Pena que não é assim… Sempre tem retardados suficientes pra criar uma discussão por você falar algo… Existem idiotas sempre esperando algo pra eles entrarem e gritarem: “Você está falando merda!” Bem, é direito de cada falar a merda que bem entender, e saber que opinião não é universal, graças a Deus. Não concordou? Fale! Não basta falar? Ache um muro e dê de cabeça. Criar discussão não te mostra mais inteligente (apesar de muitos em algumas colunas atrás pensar assim).
Amizades e racionalidade é a chave do mundo. É estúpido ver pessoas se degladiando num mundo onde a lei deveria ser olhar para trás e vermos quantas cagadas os nossos antepassados já fizeram. “Ninguém é melhor que eu, eu não sou melhor que ninguém”. Esse é o lema. De resto é só manter o respeito (“dig dig dig”).
Semana que vem tem coluna e será sobre música, guardem as facas ou as levantem de vez, como diria uma música: “Hipocrisia não é mais cinismo, eu chamo de multi-lateralismo”.
Aliás, me add no twitter: @fernandobelucci. É propaganda, eu sei.

Fernando Belucci tem 24 anos, estuda Jornalismo, é  escritor e roteirista de quadrinhos, um blog de contos… Espera não ofender muita gente, só espera. E acha que discussões são sempre bem vindas se essas vêm acompanhadas de conteúdo.

Sobre velhos e crianças

Tuesday, July 28th, 2009

A diferença entre um velho e uma criança reside somente na carteira de identidade – as datas não mentem. Todas as outras coisas são iguais: cabelos claros, boca sem dentes, corpo minguado, gosto pelo leite, não falam coisa com coisa e têm memória curta – nenhuma na maioria dos casos. Quanto mais velho fica o velho, mais se assemelha à criança. Até o ponto em que a vida se cansa desse martírio. Porque quem cansa é a vida, não o velho. O velho ainda acha que pode. Para ele, tudo continua o mesmo, tirando as ‘bolas murchas’ e o gosto pelos esportes – canastra e bingo.

Velho adora contar histórias. Quer uma dica? Nunca pareça desinteressado ouvindo seu avô. Faça cara de atento e olhe para o infinito. Não suspire. Se o velho estiver contando vantagem, não se aproxime. Aliás, caso se aproxime,  não discorde. Você vai desejar nunca ter entrado na conversa. Se o Brizola era o tal, e o Getúlio um semi-deus, não duvide. Nesses casos, mais do que nunca, concorde. Dizer que o Getúlio era populista pode ser o seu fim.

É claro que estar velho não é só tristezas. Depois de uma vida de trabalho, ele pode, enfim, ter o descanso merecido. Claro, isso se esse velho em questão mora no Canadá, na Alemanha… aqui no Brasil o velho perde 2/3 do seu tempo em alguma fila. Seja na fila do INSS ou na fila do SUS.

Mas, não tema. Assim como a criança deixa de ser criança, o velho também deixa de ser velho. Claro, um passa a ser adolescente enquanto o outro passa a ser indigente em algum cemitério qualquer desse nosso querido Brasil.

Entretanto, o meu objetivo hoje é outro. Não estou aqui para falar apenas dos nossos queridos velhinhos. Estou aqui para tomar uma posição, declarar algo para vocês. Vim dizer que sou infantil e que assim pretendo continuar, porque aqueles que “adultos” ficam só vêem a lua, não mais enxergam o luar.

Obviamente que não estou querendo passar um atestado de irresponsabilidade ou fazer uma ode à basbaquice. Todos devem, em determinado momento, assumir diversas responsabilidades – uns mais cedo, outros mais tarde. Isso é a vida, e a vida é um jogo duro.

Todavia, ninguém precisa deixar de lado o que há de melhor na infância – a paixão pela vida. E ninguém deve deixar seus sonhos de lado para se tornar uma pessoa chata e sem brilho. Não podemos esquecer que, embora sempre tenhamos a impressão de que a vida mudará para melhor, isso nunca acontece de verdade. O horizonte, por mais rápido que sejamos, sempre continuará intocável – apenas um longínquo e onipresente lembrete.

Então, já que dias melhores nunca virão, temos de nos resignar com nossa mísera condição de mortais. No entanto, embora sejamos apenas pó, ainda temos um coração pulsando dentro de nós. E, não nos resta nada senão seguir em frente. Mas, ainda assim, podemos escolher como viver nossas vidas: de mente aberta e espírito livre ou fechados como uma concha, cercados pelo  mundinho que criamos.

Espero e desejo que a maioria escolha a primeira opção. Entretanto, sei que isso é difícil de acontecer – as amarras são muitas. Mas, para aqueles que resolverem dar uma chance a si, quero que leiam com muita atenção as próximas linhas.

Não sei o que é felicidade. No entanto, por ser mais palpável, conheci seu oposto. Sei como é tenebrosa a perspectiva de viver na mais profunda tristeza. Também não conheço nenhum guia para o bem viver. Mas, sempre tentando ouvir mais do que falar, juntei algumas poucas peças desse quebra-cabeça.

Os mais sábios dizem que, para levar uma boa vida, é preciso ser livre no pensar e no agir. Que, antes de qualquer coisa, é necessário jogar fora qualquer idéia pré-concebida. Ouvi e compreendi que é preciso viver para aprender a viver, portanto, jamais se esquive da vida. Faça parte dessa dança – a música não vai durar para sempre.

Então, dance na chuva, beije na chuva. Mergulhe, veja o pôr-do-sol. Lute e acredite nas suas causas perdidas. Seja comedido, mas também saiba que, às vezes, faz bem exagerar. Conforme-se com o efêmero. Tudo é passageiro, até a mais sólida rocha, um dia, vai virar poeira. Aprenda a sorrir não só com os dentes, mas com a alma.

Escute com humildade, observe com atenção, opine com sinceridade. Sonhe, acredite, construa. Lembre-se sempre que a superficialidade domina os fracos e que o moderno padroniza. Seja paciente com a dor, ela será sua maior professora. Enfim, cresça no tropeço. A vida é rápida, o tempo é curto.

Claro, siga seu coração, continue infantil, mas seja maduro para prever e se responsabilizar pelas conseqüências de suas atitudes. E, por último, lembre-se que um pouco da felicidade é hipocrisia. Mas, muito da tristeza também.

LEANDRO DANI (leandro.feh) tem 22 anos. E você que tem 95?

Por Uma Vida Menos Ordinária

Wednesday, July 15th, 2009

Em meio um mundo novo, com internet acessível à (quase) todos, downloads de músicas, filmes séries, revistas, livros, HQs, até uma pizza se possível, vemos como estamos evoluindo (regredindo, diriam alguns) cada vez mais rápido. Não faz que era comum ir ao cinema, mais do que atualmente, existia videocassete (agora virou lenda, tente procurar um… É mais fácil encontrar uma loira de vestido branco no banheiro masculino), nem faz tempo que comprávamos CDs!

É mesmo, não faz tempo que pagávamos uma nota por CD com 12, 11 até 10 músicas, delirávamos no encarte, aprendíamos a gostar até das músicas menos legais do álbum. Hoje baixamos coletâneas inteiras de algumas bandas, nem ouvimos, temos tanta coisa pra fazer neste PC e ao mesmo tempo: NADA.

Como ouvi uma vez: estamos na era em que há mais disponibilidade de informação e há mais gente desinformada. Não falo saber notícias, da morte do Michael Jackson (uma grande perda), não falo sobre o jornal da tarde, da noite, do Sarney. Falo do demais, a internet é como um carro com tanque cheio e temos um mundo todo pra conhecer, e no máximo damos uma parada no UOL e vemos como anda as coisas. Tanto assunto interessante pra aprender, não podemos esperar uma pessoa falar que algo é interessante para começarmos a nos interessar. Já que existe uma infinidade de informação, que pelo menos não sabemos só o que nos querem contar, conheceremos o desconhecido, já que levamos só isso da vida mesmo.

Se você conhecer lugares bacanas e diferentes, entrar em um site de armazenamento de músicas para bandas independentes, como no caso do site “trama virtual”, vemos que o mundo (principalmente musical) não existe só naquela casca que mostram pra gente. Muitas bandas saíram daquele poço negro, que preferimos esperar alguém tirar uma balde do fundo dele e falar: “nossa, isso é bom!”

Há infinidades pros nossos parâmetros, tem milhares de bandas querendo ser ouvidas, milhares de filmes querendo ser assistidos. Milhares de garotas legais querendo ser conhecidas (não larguem as namoradas, garotinhos…).

É chato ver o mundo cada vez mais padronizado, onde fica cada vez mais preconceituoso… Parece que não, mas há mais hoje preconceito com situação financeira, beleza, cor de pele, peso que nunca houve. Enquanto não notamos (incluo eu) que tudo que está na casca não nos interessa, pois daqui a 30 anos esse encontro de fãs de Blink (ou qualquer banda) não terá esse povão bonito, seremos só velhos barrigudos (e barrigudas, garotas) falando sobre algo que passou. Que o respeito venha HOJE, em épocas que ler Marx e conseguir uma receita de bolo tem a mesma facilidade. Cultura e respeito são ruim só pra quem nunca teve. Indecisão e desinformação só existem mesmo dentro de nós, somos nós que decidimos o que é problema na nossa vida.

Fernando Belucci tem 24 anos, estuda Jornalismo, é  escritor e roteirista de quadrinhos, um blog de contos… Espera não ofender muita gente, só espera. E recentemente é o mais novo locutor. Só não vale pedir música pelos comentários.

Considerações de um Desastre

Saturday, June 6th, 2009

Viver é como andar sobre uma corda bamba. Não basta apenas o nosso próprio equilíbrio e, de acordo com o sopro do acaso, caímos e mergulhamos para uma morte certa. Tal foi o recente caso do desastre aéreo do vôo AF 447, da Air France. Aqueles que embarcaram jamais imaginaram o terrível fim que os aguardava. No final da tarde de domingo, às 19 horas, aproximadamente 230 pessoas embarcaram no avião Airbus A330-200, partindo do Rio de Janeiro e com destino a Paris. Quatro horas após a decolagem, não havia mais quaisquer notícias da aeronave. Ainda não se sabe exatamente o ocorrido, e os destroços até o momento não foram encontrados. Apesar disso, não há a possibilidade de sobreviventes.

Havia somente mais um vôo realizado pela Air France nesse dia, deixando o Rio em direção a Paris. O vôo AF 443 saía do aeroporto Galeão às 16h20, e percorreria exatamente o mesmo percurso que o vôo seguinte jamais conseguiu completar. Dentre os ocupantes desse primeiro avião, havia alguém que conheço – meu pai. No dia seguinte, quando as notícias do acidente irromperam nos meios de comunicação, eu ainda estava dormindo. Felizmente, entre o momento em que soube do acidente, e aquele em que recebi a confirmação de meu pai de que ele estava bem, decorreu pouco tempo. Além disso, não poderia imaginar que a Air France mantinha apenas dois vôos com destino a Paris naquele dia, e não me ocorreu que o avião de meu pai poderia ser o desaparecido. A ignorância é felicidade. Meus familiares no Rio, no entanto, não tiveram a mesma sorte. Minha madrasta, meus tios e (prefiro nem imaginar!) minha avó sofreram durante algumas horas de incerteza. E se ele havia mudado de vôo? Numa hora como essa, sempre tememos o pior. Após muitas ligações, meu tio confirmou o embarque de meu pai no vôo das 16h20. Poucas horas mais tarde, meu pai enviou-nos um e-mail, expressando sua surpresa com o ocorrido. Seu vôo havia sido normal, exceto algumas turbulências mais fortes. Neste momento em que escrevo, ele permanece na Europa, saudável.

O que de início não me surpreendeu, após algumas horas pegou-me de surpresa: e se ele houvesse embarcado naquele vôo? Afinal, era uma chance em duas. Ele poderia igualmente ter entrado no vôo das 19 horas – ora, por que não? – e, então, neste exato instante… bom, melhor não imaginar. São tantos os dias em que ele poderia viajar, tão vasto o número de destinos à disposição, de forma que ele escapou por um triz de um fim inesperado e tenebroso. Durante alguns dos dias que se seguiram à tragédia, eu me vi repentinamente cogitando um desfecho mais trágico para o ocorrido. Distraído, tal pensamento surgia em minha cabeça; quando prestes a dormir, invadiam-me idéias das mais terríveis. Não posso reproduzir, em um mero texto, todo o teor das imagens que me assombraram. Não é nada fácil perder um pai, ou um parente próximo. Tais pensamentos logo me levam a todas as reais vítimas do acidente aéreo. Quantos pais, quantas mães, quantos filhos e amigos não foram perdidos naquela noite? E que forma trágica de se perder alguém! Confiamos que, em algumas horas, ela voltará a pisar em terra firme, porém…

Penso, é claro, no acidente que envolveu Travis ano passado. Tendo-se em conta a diferença de escala de ambos os desastres, ele padeceu da mesma dor, pois perdeu dois de seus amigos de modo igualmente inexprimível. As famílias dos falecidos sofreram uma perda irreconciliável, suas rotinas alteraram-se de maneira brusca, um vazio se fez para elas, e nunca poderá ser preenchido. Após “brincar” com as possibilidades que me causariam semelhante lesão, sou capaz de ao menos imaginar aquilo por que passaram todos os familiares dos envolvidos nos desastres. Como eu estaria agora, caso os fatos houvessem se desenrolado diferentemente? Estaria no Rio de Janeiro, com minha família, e todos nós estaríamos acabados. Não seria simplesmente como se surgisse uma pedra em nosso caminho, e precisássemos contorná-la para seguir adiante. Seria como se encontrássemos uma verdadeira fenda aberta por um pavoroso terremoto. Nada mais seria o mesmo.

Movido por uma irresistível curiosidade, perguntei ao meu pai, por e-mail, qual havia sido o motivo por trás de sua escolha do vôo das 16h20, em lugar do das 19 horas. Ele me respondeu que não havia sido ele a escolher o vôo. Ele forneceu a data da viagem a uma agência, e foi ela a responsável por reservar o vôo em seu lugar. Um frio ainda maior percorreu minha espinha. Não havia um motivo razoável para ele ter escolhido um horário em detrimento do outro. Havia sido puro acaso. Um funcionário anônimo de alguma agência escolheu o destino de meu pai, e o que o moveu em sua decisão ao se deparar com os dois possíveis horários nós nunca saberemos. Minha família foi agraciada pela sorte, e nos encontramos agora felizes e aliviados. Outras centenas de famílias, porém, acham-se desoladas neste mesmo instante. O que determina o destino de um ou de outro, o que assegura que um viverá, enquanto outro provará o gosto da morte? Em última instância, parece ser o acaso. Enquanto nos esforçamos por agarrar o tempo, ele escorre por entre nossos dedos, em seu fluir contínuo. Não podemos jamais medir seu término, restando-nos apenas empregar bem o tempo presente, satisfazendo-nos com este pouco que temos em nossas mãos.

MARCELO CAMARGO tem 23 anos, estuda atualmente filosofia, já iniciou faculdade em cinema, porém sem completá-la, adora artes, como cinema, literatura, música e video-games. Espera utilizar seu espaço no Action182 como um lugar de reflexão, e gostaria de motivar outros fãs a fazerem o mesmo.

Um Toque é só um toque

Thursday, June 4th, 2009

O amor é uma coisa engraçada. A gente, antes de culpar o amado, prefere falar que a culpa é do mundo… de qualquer coisa! Seja banda, namorada (ou ex, quando ainda achamos que a culpa é nossa por se ferrar na mão dela… isso é amor ok?) E de onde quero chegar, filhos!

Tá, antes que comecem as acusações (“Fernando, a maioria ou ninguém aqui tem filhos”) vou explicar antes que falo de SER filhos. Coisa que todos somos, querendo ou não.

Um ano atrás, num blog pessoal, comentei sobre uma idéia absurda que vinha circulando nos noticiários: a idéia de proibir as festas “rave” no Brasil (pois muitos usavam Ecstasy durante elas, pois é mais fácil se proibir uma festa, que não mudará nada os usuários de Ecstasy, a que prender traficantes, na cabeça deles). E, claro, essa lei não foi aceita.
Mas atualmente apareceu algo no interior de São Paulo que se assemelha a essas proibições banais.  Uma nova lei, no noroeste do estado, dita que: menores de 18 anos estão impedidos de ficarem nas ruas após as 23 horas já que pais e responsáveis não estariam conseguindo educar seus filhos, e precisariam disso, sim: um Toque de Recolher. A notícia pode se antiga pra quem está longe, mas pra quem mora na região, vê o circo armado há muito tempo.

Notem bem como a irresponsabilidade de alguns afetam todos. Não tenho mais 18 anos, tenho muitos amigos menores e desde que sei sobre educação, sei que cada pais educa seu filho da maneira que acha certo, pois somos diferentes e nossos pais também. A maior responsabilidade de quando tiver um filho é de eu mesmo o educar, isso é fato. Muitos pais estão dizendo: “nossa, isso é ótimo agora fica mais fácil”. Bem, primeiramente quem fala isso está fugindo do auto-compromisso que criou ao ter o filho, esta autoridade estará sendo passada para uma pessoa que você não conhece, que não sabe quem você é, que pega bandidos o dia todo, e vai te tratar muito “carinhoso”, pois essa pessoa, fardada com um revolver na cintura e uma das mais violentas do mundo, vai ser responsável por você, caso esteja fora de casa no horário determinado. Ele te colocará na viatura e vai até sua casa. Existe até esquemas de insistência, de prisões e penas aos pais. Que no final, você não será mais filho, será um fardo.

Já existem problemas demais nas relações pais e filhos, ainda mais nessa idade, e pra que criar mais barreiras?
E os que são bem educados, os pais confiam em sair nos horários que eles mesmos predeterminam? Serão também punidos e terão de pagar por aqueles que nem Deus dá um jeito? O dia em que seu pai liberar você pra ver umas “gatchenhas”, você precisar sair pra ver um amigo, ele confiar em você, a voz dele será mais baixa que a do policial que além de não ser seu pai, nem sabe se você é boa pessoa ou não!

É como se por uma briga de torcida, proibissem o Futebol! Nada se pode generalizar nesse mundo, não se pode falar tudo é X ou tudo é Y.  Se tem Ecstasy nas “raves” é porque passou por várias cidades policiadas até chegar no sítio da festa, ou seja, eles falharam várias vezes no percurso todo e, na cabeça deles, se não tiver a droga, a festa deixa de existir! E se não tiver menor na rua, depois das 23, de certo o (verdadeiro) jovem delinqüente vai deixar de fazer as coisas erradas, ou pior, vai deixar de sair de noite! As pessoas que fazem esse tipo de coisa não fica debaixo da luz conversando e rindo alto, e muito menos: Quem nasceu pra fazer coisa errada, não há lei que o conscientize! Pois, só nós mesmos podemos nos conscientizar (só não vale citar NxZero na abertura da malhação, pra quem entendeu).
As pessoas de má índole aprontam independente de conceitos morais e situações financeiras. Quem assistiu o filme Alphadog (sim, aquele com o Justin Timberlake, garotas) sabe o que eu estou falando: não há riqueza que destrua um ladrão.

Seus pais fazem coisas boas e ruins no seu ponto de vista, ele é humano.  Eles te conhecem, eles sentam pra conversar, ele te xingam de problemas que a gente finge que eles estão errados. Eles te trouxeram ao mundo, eles sabem o quanto são especiais pra eles. Quando se cai na mão de pessoas acostumadas com ladrões e assassinos pra fazer esse tipo de serviço, além de que muitas vezes são bem ignorantes, só cria mais revolta (quem já levou uma batida pode responder). Quem quer usar drogas, vai usar, a hora que vai usar vai mudar, só isso. Quem quiser má influências, qualquer hora é hora. E quem, como nós, tenta viver direito e na lei, engole sapo pelos que aprontam e censura dos que ACHAM fazer a coisa certa.

Essa lei funcionará tanto quando aquela velha história: Sabe aquele papo… Quando vai dormir na casa e uma namorada e mãe dela fala pra você e ela dormirem em quartos separados, ela ta achando que ta resolvendo o mundo. Meus amigos, quando se quer algo, repito: Qualquer hora é hora! Pois, de dia não pode transar?

Fernando Belucci tem 24 anos, estuda Jornalismo, é  escritor e roteirista de quadrinhos, um blog de contos… Espera não ofender muita gente, só espera. E sim: Ouvi isso de uma sogra e eu ri, muito.

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