Carta aberta aos fãs do blink-182

Autor Por brunobld em 02/03/2009

Hoje apresentarei para vocês um novo colunista do Action182 e postarei em nome dele. O nome dele é Leandro, e em breve ele mesmo estará escrevendo suas colunas aqui e respondendo aos comentários. Seja bem-vindo Leandro!
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Bom dia, boa tarde ou boa noite! Sim, sou o filho temporão das colunas do Action 182, aquele que chegou atrasado no próprio nascimento e duas horas depois da final do campeonato. Mas não é por isso que meus textos serão menos afiados e polêmicos. Aliás, para ficarmos mais íntimos, vou a uma pequena apresentação. Meu nome é Leandro, tenho 21 anos e sofro com o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Nas horas vagas curso Direito e estou à disposição para algum eventual perrengue judicial. Por aqui vocês podem me reconhecer por leandro.feh – fé na volta do Blink… deu certo, salve!
Caso se sintam sozinhos numa noite chuvosa e queiram trocar figurinhas sobre blink-182 (ou outro assunto), meu email/msn é leandrodbr@hotmail.com. Sintam-se livres para me adicionar.

Costumamos nos reconhecer pelo exterior – uma criança recém nascida não tem consciência do seu “eu”, nem do seu corpo. O seu ego é criado no contato com outras pessoas, como, por exemplo, sua mãe. No entanto, como a maioria das pessoas a quem me dirijo já compreende, a busca pelo “eu” atinge seu clímax na adolescência. Nessa fase procuramos nos desligar do que imaginávamos e aderir novas formas de entender a vida e nos relacionar com as pessoas.

Nós, fãs do Blink-182, entramos nessa fase numa época de explosão tecnológica, principalmente no que diz respeito aos meios de informação. Fomos, portanto, buscar o nosso “eu” em uma época onde tudo nos impedia de alcançar esse objetivo. Afinal, como se encontrar em uma sociedade que não nos dá espaço para refletir? Somos de uma geração que se cansou da rebeldia sem sentido, afinal, isso é apenas a face de uma mesma moeda. O rebelde de hoje não é o político de direita de amanhã? O final da década de 1990 trouxe uma ânsia por vida. Longe dos “problemas”, longe das angústias que assolavam o mundo. Todos partimos em busca do nosso “eu” com uma coisa em cabeça: quebrar as correntes do pensamento médio. Deixar para trás as antigas convicções sobre comportamento, sociedade… decidimos enterrar o status quo.

Nossa busca, exclusivamente a nossa busca, esbarrou na alegria e espontaneidade de três jovens americanos, que, como seus antecessores, refletiam um novo modo de pensar e de agir perante a vida. Mark, Tom e Travis não são grandes filósofos, sociólogos ou free-thinkers que nos alertaram para o caos em que vivemos. Disso, todos já estávamos carecas de saber. Não, eles nos alertaram sobre o momento. Sim, essa é a grande contribuição do Blink a qual eu me refiro. A capacidade de aproveitar o momento ao máximo, sem máscaras, com espontaneidade. A capacidade de viver no presente, sem ressentimentos. Ser alegre porque o agora exige que assim sejamos.

Há quem dirá que em 2005, quando do hiato indefinido e das acusações de ambos os lados, tudo ruiu. Eu penso de outra maneira. Vejo tudo como mais uma demonstração de como aproveitar o momento com intensidade, deixando o falso de lado. Tudo na vida chega a um momento de saturação. Assim como a economia, a vida e os relacionamentos também são cíclicos. O Blink “acabou temporariamente” porque não existia mais nada a fazer naquele momento. Mark, Tom e Travis viveram, novamente, intensamente durante aqueles momentos pós-banda. Tom disse que ia fazer a maior banda de rock do mundo. E estava errado? É claro que não, pois a maior e melhor coisa do mundo tem de ser feita no presente, pois o passado morreu. A mensagem que nos passaram é a de buscar o melhor todo dia, abrindo espaço no tempo, buscando o futuro. Eles fizeram isso. E nos ensinaram isso. Fazer o melhor hoje, o maior hoje.

E agora, como se já não bastasse tudo o que nos ensinaram, nos trazem uma nova lição: perdoar, esquecer o passado, mas não esquecer de celebrar os bons momentos que surgirão. Eu considero a capacidade de perdoar como a maior prova de amadurecimento de uma pessoa. Esqueçam os valores religiosos, vivam apenas os valores de bem-querença, amizade, lealdade. Amor. O trio, como nós, sentiu a fragilidade da vida no acontecimento trágico da queda do avião. A volta do Blink é a maior prova de que o orgulho, em excesso, serve apenas para bloquear a visão do que realmente importa. Mark, Tom e Travis nos ensinaram mais uma lição, a maior de todas, mas não diferente daquilo que eles sempre pregaram: viver o momento, com intensidade, fazer valer a vida. Vamos jogar uma pá de cal no passado, celebrar o que há de bom, e abrir caminho em direção ao futuro.

Foi assim que nossa “turma” abriu caminho para o que hoje sabemos ser a eterna busca do “eu”. Aprendemos a ser espontâneos, leais às nossas convicções (embora preparados para largar tudo quando o entendimento assim comandar). Aprendemos a repudiar a rebeldia e o sentimentalismo insosso quando sem bases, a viver o momento com intensidade e a perdoar quando a vida nos ensinar sua verdadeira face de fragilidade.
Eu proponho um brinde, que tal? Um brinde à volta do Blink. Um brinde à única coisa que temos: este momento.
Nossos mestres nos passaram a lição. Amém.

LEANDRO D. (leandro.feh) tem 21 anos, sofre com o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.  Nas horas vagas cursa Direito e está à disposição para algum eventual perrengue judicial.