blink-182 fala sobre novo álbum e piadas para a Rolling Stone

Autor Por Danilo Guarniero em 16/10/2013

blink182-600x400-1379013163

Demorou mas saiu! A entrevista é de setembro, mas tem bastante coisa interessante que merece atenção. Tenha uma boa leitura!

_

Em uma entrevista recente para a Rolling Stone, o blink-182 falou um pouco sobre os planos futuros, novo álbum, e sobre as piadas que a banda conta no palco. “A guerra na nossa banda o tempo todo é: nós cantamos sobre foder cachorros ou sobre crescer em um mundo sombrio?” – Tom DeLonge.

Leia a tradução completa abaixo:

Tom DeLonge teve um momento engraçado durante o show do blink-182 no Starland Ballroom, Nova Jersey. A banda tinha acabado de tocar Carousel, primeira música que Mark e Tom escreveram juntos, em 1992. “Eu fiquei extremamente  cativado pela forma com que o público reagiu a ela,” ele conotou à Rolling Stone, sentado ao lado de Hoppus em Brooklyn, numa casa com capacidade de aproximadamente 600 pessoas, no Music House of  Williamsburg, onde a banda iria tocar um show beneficente.  “Fui envolvido pelo entusiasmo na noite passada, tentando entender como aquela música ainda faz sucesso.”

Enquanto o som da banda de abertura e discípula do Blink, New Beat Fund, tremiam as paredes do clube, DeLonge e Hoppus deram uma entrevista bem abrangente, revelando para a Rolling Stone que eles estão na cidade se encontrando com gravadoras para o próximo álbum da banda, no ano que vem (eles saíram da Universal Music Group recentemente, após 15 anos com eles) e se abriram sobre o processo criativo, o seu status como pioneiros do pop-punk, os primeiros anos da banda e sobre como é a relação entre os três. “Todos são tão diferentes,” disse Hoppus. “É o que separa a nossa banda e também o que nos faz ótimos.”

Já fazem 21 anos que vocês formaram o blink-182. Vocês não acham louco?
Hoppus: Eu acho normal; não sei. Penso desde o primeiro dia, é como se o Tom e eu estivéssemos destinados a escrever músicas juntos. A primeira vez que nós nos encontramos, já começamos a compor músicas. Nós ainda tocamos “Carousel” nos shows hoje em dia.

DeLonge: é como família, sabe. Digo, boa ou ruim, você nasceu com ela.

Você mencionou Carousel, a primeira música que vocês compuseram. Vocês se sentem conectados a essa música ainda? 
DeLonge: Ah sim, eu me sinto totalmente. É estranho. Eu pensei exatamente nisso quando tocamos ela na noite passada. É como sair do meu corpo, uma coisa estranha.

É uma parada de amor e ódio. Para mim, foi uma questão meio filosofal. Sempre imagino que poderia ter escrito letras melhores, e ainda assim, na época, era tão diferente para o pop punk. Era tão rápida… Mas, como tocamos hoje em dia, tanto tempo depois, e tantas pessoas gostam? De qualquer forma, seja qual tenha sido sua pergunta, eu tive um momento interessante com essa música na noite passada, tentando entender porque ela ainda está por aí.

botton_quadrado

Leve as piadas internas do blink-182 sempre com você. Clique na imagem.

Tenho vários momentos assim com músicas do Enema e do Take Off Your Pants. Especificamente antes do Self-Titled, me sinto conectado a eles de uma forma bem ‘moleque punk rock’. Aqueles se parecem mais comigo, por alguma razão. Mesmo que as coisas que eu mais gosto de tocar e as que eu mais curto estão a partir do Self-Titled e tal, a maior parte do meu DNA está naquelas músicas [antigas], se é que isso faz sentido. O resto sou apenas eu tentando ser algo que eu não sou. (risos)

Eu ouvi seus álbuns antigos de novo recentemente e ainda é legal depois de 20 anos. Qual é a magia do Blink, para você?” 
DeLonge: Legal você dizer isso. Espero que seja o que os fãs pensam, também. Esse é o propósito. A única meta é fazer sua arte durar no futuro. Então, se você acredita nisso, obrigado!

Especialmente como vocês escrevem as músicas juntos – as músicas onde vocês cantam juntos, elas têm uma química. 
DeLonge: Acredito que o ponto forte na nossa banda sempre foi a forma como eu e o Mark nos relacionamos; nós dois temos habilidades bem específicas, mas que, quando misturadas, trabalham muito bem. Se você tivesse duas pessoas na banda que tivessem voz fina e gritante, seria estranho, sabe.

Como é ser uma grande influência para bandas de uma geração que saíram de vocês? Wavves, por exemplo. Conte-nos um pouco sobre como eles são influenciados pelo Blink-182. 
Hoppus: É uma honra. É sempre bom para o ego quando outra banda diz gostar da nossa. E é foda imaginar que fomos uma banda por tempo suficiente para influenciar outras. Quando compomos, também somos influenciados por outros artistas, então pensar que outros músicas estão se baseando em nós para escrever o próprio som é realmente incrível.

DeLonge: Eu deitei na cama por uma hora, ontem, tentando imaginar onde o Ad-Rock mora em NY. Ainda sou muito fã dele. Só quero bater na janela dele. Estava pensando, “Quem eu conheço que pode me contar?” E então, como o Mark disse, ainda estamos de olho nas bandas que amamos. É estranho que alguém esteja nos olhando como se gostasse da gente.

Vocês já começaram a compor para o próximo álbum? 
DeLonge: A forma como nós sempre funcionando é quando eu e o Mark pegamos nossos violões na sala com nossas famílias. E assim que começamos a construir algumas coisas, ficamos mandando mensagens e e-mails, e aí os assessores aparecem. Daí precisamos conversar, fazemos isso quando entramos em turnê. Então estamos uns três ou quatro passos nesse sentido. Só falta sentarmos em uma sala e começarmos a ver o que ainda falta, mas será bem em breve. Será o próximo passo, na verdade.

Gostei do EP Dogs Eating Dogs. Ficou interessante; “Boxing Day” acústica com bateria eletrônica… 
DeLonge: Era uma piada, no começo. A guerra na nossa banda sempre é, “Cantaremos sobre foder cachorros ou sobre crescer em um mundo sombrio?” Essa era a única música que nós podíamos ser engraçados, mas acabou virando uma música bem legal. Que bom que você gosta del Fico pensando o que os fãs do Blink pensam dela.

Sempre quero fazer coisas diferentes. Sou obcecado nisso, porque eu gosto de tantos estilos diferentes de música… E eu era o único contra fazer esse tipo de coisa antes porque eu era muito estúpido. Eu era tipo, “Punk rock, punk rock, punk rock!” E qualquer coisa que não fosse punk rock, eu achava que era uma bosta. Eu era tão elitista. Agora eu quero fazer tudo, menos punk rock. Na verdade, não é assim totalmente, mas Boxing Day foi diferente para nós.

Vocês já pensaram em qual rumo pretendem seguir no próximo disco? 
Hoppus: Acho que nunca temos nenhuma ideia sobre onde queremos chegar musicalmente. Mesmo em cada música. Não lembro em qual foi, acho que “Stockholm Syndrome”, foi uma música completamente diferente que eu trouxe pro Tom e pro Travis; era bem calma, acústica, e o Tom disse, “Que tal isso?” e mudou completamente para mais ou menos o jeito que é.

DeLonge: Os refrões de “Up All Night” foram o Travis. Estava cheio de sintetizadores e o Travis chegou com a parte dele na bateria, não contou pra nós e só disse, “Acho que deveria soar mais assim”, e foi absolutamente a melhor coisa a fazer na música. E, como o Mark disse, você sempre acha que sabe como deveria ser, mas aí ocorre uma reviravolta e sempre fica melhor.

Hoppus: Nós nunca saímos falando tipo, “Isso vai ser um álbum de rock progressivo.” Acho que o mais perto que chegamos de fazer isso foi no Self-titled, o qual pensamos em fazer algo parecido com o The Wall, onde há interlúdios e uma mulher lendo uma carta. Queríamos ter um álbum mesmo, não só mais uma coleção de músicas. Queríamos que ele tivesse coerência em seu próprio contexto.  Então eu não sei, a melhor parte do Blink é que somos todos tão diferentes. É o que nos separa e o que nos torna ótimos. Então, o que nós achávamos que iria sair no disco pode soar totalmente diferente.

Vocês ainda têm o mesmo senso de humor que tinham há 15 anos? 
Hoppus: Infelizmente.

DeLonge: É o que mantém a banda unida.

Como que as piadas no palco se tornou uma parte tão importante da banda? 
DeLonge: Acho que o Travis nos acha engraçados pra caralho. Ele me liga umas duas da manhã dizendo “Quero rir tanto, até chorar.” Ok, tô brincando. Mark e eu crescemos com um pessoal assim. Eu não diria crescemos… Quantos anos você tinha quando nos conhecemos? 18?

Hoppus: 20.

DeLonge: Você tinha 20 anos? Quando eu tinha 16 e até os 21, quando o Blink realmente virou uma coisa de tempo integral, nesa época, eu digo que cresci com eles. Nunca digo que cresci com o pessoal da escola. Digo que cresci com essa galera que eu ainda vejo regularmente e são bem ativos na minha vida, particularmente. Esse grupo de pessoas, e o Mark é uma dessas. Nós nos divertimos demais andando de skate a noite toda, jogando bebidas e comidas em seguranças que nos perseguiam nos shoppings, andando de skate às 4 da manhã, comendo donnuts nos lugares, esquentando donnuts perto da praia, invadindo escola e procurando lugares para andar de skate em escolas sem iluminação… ou então apostando corrida pelados em estacionamentos no centro de San Diego. Foi incrível durante todos esses anos e foi definitivamente a base do que essa banda foi. E ainda bem que muitas pessoas se identificaram com isso. E uma dessas coisas é o humor, sabe.

Quão próximos vocês dois [Mark e Tom] estão hoje em dia?
DeLonge:  É a mesma coisa, sabe… Não falamos tanto quanto deveríamos, mas o Mark provavelmente nunca vai se livrar de mim.

Hoppus: Quando não estamos juntos, estamos com nossas famílias. Moro no Reino Unido, Tom em San Diego e Travis em Los Angeles, então falamos por mensagens de texto com frequência. Mas assim que estamos juntos, é como uma viagem no tempo,  como se nada tivesse acontecido. Como se tivéssemos acabado de voltar de uma turnê. Talvez pelas primeira meia hora ficamos tipo, “E então, como vão as coisas?” e aí começamos a tocar e tudo fica normal.

Então… ano que vem, novo álbum? 
Hoppus: Sim.

DeLonge: É o plano.

Vocês têm um produtor?
Hoppus: Não. Estamos conversando sobre isso, mas ainda não decidimos sobre ninguém. Essa turnê nos preparou para o próximo disco. Nos reunimos com gravadoras, falamos sobre produtores, fazendo tudo para planejar internamente qual vai ser o plano para o Blink.

Vocês acham que vão entrar para outra grande gravadora?
Hoppus: Não sei… estamos abertos às opções. Estamos conversando com as gravadoras.

DeLonge: Nós não somos contra grandes gravadoras.

Hoppus: Não somos contra. Se for a gravadora certa e a parceria certa, com uma vibe legal… ou então podemos fazer nós mesmos, ou usar uma distribuidora. Existem muitas alternativas para as bandas hoje em dia.

DeLonge: Não tem essa de simplesmente ser independente ou estar em uma gravadora. Há muitas nuances para você usar as gravadoras somente para o que realmente precisa, ou terceirizar. Muitas opções, e não somos contra nenhuma delas.

piadas_fullLeve as piadas internas do blink-182 sempre com você nessas camisetas exclusivas!

_

Você também pode gostar de: 

Mark e Tom falam sobre shows beneficentes do blink-182