Blink-182 na Kerrang! (Parte II)

Autor Por daniimarconato em 07/10/2011

O Blink-182 foi capa da Kerrang! no mês de outubro. Confira, logo abaixo a tradução da segunda parte da matéria. Você pode conferir a tradução da primeira parte aqui.

Kerrang: Como foi gravar juntos pela primeira vez após oito anos?

Mark : Nós começamos a escrever as novas músicas assim que nos reunimos, mas isto era muito novo. Nós estávamos um tanto quanto muito bonzinhos um com o outro. Se alguém tocasse uma ideia, todos diziam “Isso é legal, muito legal”. “Eu acho que após umas quatro ou cinco músicas na gravação, isso realmente acabou, pois ninguém estava preparado para a tensão que precisávamos (para gravar). Foi quando saímos em turnê e eu acho que estávamos realmente bem um com o outro. Nós continuamos tendo discussões, continuamos tendo discussões acaloradas, mas eu nunca sinto que estamos em um ponto em que vamos parar de tocar.”

Kerrang: Vocês sabiam qual tipo de álbum vocês queriam gravar assim que voltaram?

Tom : É estranho, se você tivesse me perguntando há um ano e meio qual tipo de álbum nós gostaríamos, bem, eu saberia qual tipo de álbum eu queria escrever. Mas eu tive que aprender a entregar o controle da minha arte. Com o AngelsandAirwaves eu tive que mover as coisas em uma direção especifica. Com o Blink, há três pessoas e o compromisso que achamos (entre nós) é a mágica do que a banda tem. Então, eu tive que aprender a ficar tranquilo com esse compromisso e estar animado para isso.

Kerrang: Vocês gravaram em estúdios diferentes. Como isso funcionou?

Tom : Nós tivemos que estar bem com o fato de que moramos em diferentes lugares. Eu estava em San Diego, que é 2 horas ao sul de Los Angeles, e o Mark e o Travis têm um estúdio por lá. A cada duas semanas, Mark estava voando pra NY para fazer o programa de TV; Travis estava terminando o álbum dele e indo para turnê. Eu estava preparando e marcando o lançamento de um filme nos cinemas. Em algum lugar disso nós estávamos escrevendo o CD do Blink. “Em seis meses, nós percebemos que a melhor forma de trabalhar seria se tivéssemos os dois estúdios trabalhando ao mesmo tempo. Isso na verdade foi muito produtivo. Normalmente, se um está gravando a guitarra os outros dois estão sentados ao redor. Dessa forma, enquanto estou gravando a guitarra, Mark pode estar cantando em outro estúdio e Travis fazendo a bateria, então isso foi super produtivo.”

Kerrang: Vocês ficaram impressionados com a grandiosidade de estar fazendo músicas do Blink-182 de novo?

Tom: Eu parei de me importar com a grandeza disso tudo. Eu me diverti com isso. Porque o que quer que isso seja, está destinado a ser. Nada vale a pena uma briga nesta banda, foi o que eu aprendi. Eu sinto como se não precisássemos brigar mais por qualquer coisa. Qualquer coisa que qualquer um quiser está bom. É estranho chegar a esse ponto. Não é apatia, é apenas compromisso.

Kerrang: As tensões que separaram a banda já chegaram a ressurgir?

Tom: Ninguém quer que a banda se separe de novo, ninguém quer brigar de novo, ninguém quer chutar a bunda do outro de novo porque nós curtimos isso. Nós gostamos do que isso é. Então nós não vamos tratar uns aos outros tipo, “Você é a porra de um babaca, mas que caralho?”. Nós sabemos que isso pode desaparecer rapidamente, então nós valorizamos isso muito mais agora. Por causa disso todos são muito respeitosos um com o outro. Nós continuamos batendo cabeças, nos chateamos, podemos ir a outra pessoa pelas costas do outro, mas depois nós voltamos e dizemos “cara, é isso que eu quero, vamos resolver isso”

Kerrang: Essas tensões são a força motriz da banda?

Mark: “Sim, acho que por esse motivo o disco soa como soa. Quando a banda acabou, nós passamos o tempo fazendo outras coisas. Aprendemos com aquilo que cada um trouxe e nos tornamos muito mais tolerantes. Na verdade, o que me incomoda no Tom é exatamente o que ele traz de bom para o Blink. As coisas que me frustram no Travis são as mesmas que o tornam ótimo. E, então, quando nós estávamos gravando esse disco, fomos muito mais compreensivos e tolerantes a respeito de idéias diferentes.”

Kerrang: Em que pontos vocês são diferentes?

Mark: “Tom tem ambição; eu sou a força centralizadora. Tom é uma pessoa ambiciosa que impulsiona tudo; eu sou como uma pedra pesada, difícil de mover. A tensão que eu, Tom e Travis temos faz o Blink ser o que é.”

Kerrang: Qual foi a pior das discussões?

Mark: Creio que a maior delas foi o adiamento da turnê do Reino Unido. Foi uma merda. Tínhamos milhares de ingressos vendidos, tínhamos nossas datas agendadas. As pessoas já tinham reservado sua passagem de avião, mas o disco não estava pronto. Travis foi, na verdade, o primeiro a dizer: “Olhem! O disco não está pronto”. As pessoas gritavam para nós: “Vocês são idiotas? Vocês precisam fazer esses shows.”

Kerrang: Por que vocês não foram em frente e fizeram a turnê mesmo assim?

Mark: “Prometemos que não sairíamos em turnê até que tivéssemos um disco pronto. Cancelar a turnê foi uma decisão dolorosa – e cara, pois custou-nos muito dinheiro. Além disso, arriscamos a boa vontade dos fãs que, por duas décadas, tinhamos conseguido conquistar.”

Kerrang: Qual foi o pior momento?

Mark: “Eu estava em Londres, na época procurando por uma casa. Lembro-me de ter uma péssima conversa (por telefone) a respeito da turnê e de andar pela Rua Carnaby depois disso. Entrei numa loja e um rapaz me disse “Cara, tenho ingressos para o seu show. Vou vê-lo nesse verão. A essa altura, ainda não tínhamos tomado a decisão final, mas me senti um merda. Lá estava alguém tão entusiasmado para ir a um de nossos shows… e eu estava realmente com vontade de fazer os shows, porém, ao mesmo tempo, sabia que essa pessoa que tinha comprado os ingressos seria decepcionada. Foi uma merda.”

Kerrang: Cancelar a turnê foi a decisão correta?

Mark: “Acredito que funcionou bem. Foi a decisão certa, mas foi difícil também. Não acho que algum de nós tenha saído feliz desse cancelamento. Tom discorda de mim, mas acredito que algumas das melhoras músicas do disco foram escritas naquela época em que cancelamos a turnês da Europa.

Tradução: Alan Amâncio de Souza

Join the Forum discussion on this post