Blink-182 na Kerrang! (Parte I)

Autor Por nath em 03/10/2011

A capa da revista Kerrang! da primeira semana de outubro é dedicada ao Blink-182. Você pode conferir os scans da matéria neste post e a primeira parte da tradução logo abaixo:

Nos bastidores do Susquehanna Bank Center em Camden, Nova Jersey, Mark Hoppus, tira um momento pra refletir quão grande o retorno da banda é. Com os ingressos esgotados, 25.000 fãs estão embalados, esperando impacientes pelo grupo de pop-punk mais importante do mundo, Blink-182. Eles esperaram por tempo suficiente.

Mark se estende e dá uns goles em um gin. Depois com um suspiro, ele recorda a alma pertubada de 2005 quando as coisas chegaram a um impasse bagunçado. Companheiro de banda e guitarrista, Tom DeLonge pediu um tempo da banda que com 13 anos de estrada e cinco álbuns de estúdio – sem mencionar as vendas globais de mais de 27 milhões de discos – praticamente tinham o mundo aos seus pés. As brigas internas que os atingiram por tanto tempo se tornaram muito espinhosas, muito cruas. Blink-182 havia acabado; “Eu não tinha ideia do que fazer,” diz Mark hoje. “Depois que o Blink se separou, eu perdi minha identidade e meu propósito. Eu apenas sentia um vazio enorme. Isso foi o que eu senti quando o Tom chamou e disse, ‘Eu não vou mais fazer isso’. Eu nunca teria imaginado que nós estaríamos neste palco essa noite tocando novas músicas na frente de 25.000 pessoas. Agora, cada show é como um sonho que vira realidade.”

Esse Mark está aqui, ao lado de Tom e do baterista Travis Barker em um Blink-182 reformado, e é uma das maiores notícias do rock nos últimos 18 meses. Não só por causa de seu status de uma das bandas mais influentes no rock moderno, mas também por tudo que eles tiveram que fazer entre eles mesmos pra que isso acontecesse. De algum modo, apesar da separação, lutos e de um acidente de avião que quase matou Travis em 2008, o Blink-182 ressurgiu visivelmente energizado.

Além disso, eles são tão importantes hoje do que quando romperam, mantendo-se frescos por uma geração de novas bandas – You Me At Six e All time Low entre elas – preenchidos pelo espírito de seu álbum de descoberta de 1999 Enema of the State e do subsequente Take of Your Pants and Jackets (2001).

Blink-182 não apenas voltou para uma lucrativa turnê. Eles marcaram seu épico renascimento com o lançamento de “Neighborhoods”. Um CD que inflama com os mesmos riffs atrevidos e refrões ‘chama-e-responde’ que marcaram seus álbuns clássicos. Mas a idade também trouxe um espírito inventivo : sintetizadores e a guitarra eletrônica de Tom DeLonge. Entretanto as cicatrizes de um década sombria trouxeram um vibe de morte a uma banda que antes estava ligada a piadas sobre pinto e a um linguajar vulgar.

“Neighborhoods é muito sombrio” diz Tom. “A separação, o acidente do Travis, a perda de Jerry Finn e o que aconteceu em nossos relacionamentos nos últimos 20 anos fizeram um álbum sombrio, mas nós não sabíamos disso na hora.”

Você está dizendo que simplesmente aconteceu, acidentalmente?

“Sim, eu não sabia até 5 dias atrás, quando as pessoas começaram a alegar que era super sombrio. Eu disse “Sério?” e o Mark disse “ Sim, escute sobre o que você acabou de escrever”. E depois ele listou todas as vezes que tínhamos dito a palavra ‘morte’ e eu pensei, ‘Oh meu Deus, eu não percebi isso!’ Não é estranho?”

“É como quando você está escrevendo um romance, e enquanto você está nisso, você está vivendo o momento na página. Mas, no momento em que você termina a última página, você o lê e fica “no que eu estava pensando?” É como se você estivesse em uma bebedeira por uma noite e você realmente não percebesse o que estava escrevendo até que você leia. Isso é mais ou menos como eu me sinto, como se estivesse lendo nosso livro. Isso me choca um pouco.”

O rosto dele muda de um olhar confuso para um sorriso de orelha a orelha.

“O que aconteceu com as piadas sobre pintos?” Ele ri alto. ““Eu tinha algumas ideias sobre piadas de pinto, mas nós não tínhamos tempo…’’

Se existe uma divisória entre o Blink-182 depois de todos esses anos separados, então é baseada no espaço físico em vez de feridas de uma amizade irremediavelmente danificada ou inquietação emocional. Idade e experiência trouxeram entendimento: a banda parece feliz de co-existir à distância. “Nós temos sorte” diz Mark. “ Muitas bandas fazem turnês e não possuem espaço e eles brigam. Quinze anos atrás, eu, Tom e Travis, tínhamos uma van, a estrada aberta, nada de dinheiro, e dormíamos no chão de amigos, tudo ótimo. E hoje eu sinto que nós temos o mesmo entusiasmo, mas sinto que hoje temos espaço.”

Hoje, como com a turnê de reunião pelo Reino Unido em 2010, boas vibrações e um clima descontraído permanecem sempre presentes. Mark permanece no camarim com amigos, Tom entretêm a Kerrang! no seu ônibus de turnê. Apenas Travis se afasta de Susquehanna Bank Center, primeiro para embarcar em sua corrida diária de três quilômetros e um esgotante exercício de 200 abdominais, e depois gravar um vídeo para Just Chill – outro single de seu CD solo, Give the Drummer Some. Sua escolha para locação? Uma prisão de segurança máxima local, onde a equipe de filmagem e o elenco devem entregar seus celulares, cigarros, isqueiros e computadores à segurança antes de entrarem no prédio.

“Foi muito louco” diz Travis, relaxando em seu camarim, onde, em uma TV, um ataque particularmente brutal do Ultimate Fighting Championship está se desdobrando. “Nós andamos pelo pátio e havia pessoas batendo nas janelas”

Esse recém-descoberto sentido de espaço e admiração pelo outro se estendeu para a gravação de Neighborhoods, a qual ocorreu em dois estúdios – em um espaço em San Diego, do qual Tom é dono e no estúdio de Mark e Travis, em LA. Entretanto, a banda manteve seus projetos paralelos de longa data: um CD do Angels and Airwaves e um filme (Tom), TV ( o programa do Mark, Hoppus on Music) e o CD solo do Travis.

“Isso foi ótimo, cara” diz Travis. “Eu amei fazer a turnê de reunião e tocar as músicas velhas, mas, para mim, era a “hora de música nova”

 

Tradução: Alexia Mendes e Priscila Galas.

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