Blink-182 na Billboard (Parte I)

Autor Por nath em 09/10/2011

Confira abaixo a primeira parte da tradução da matéria publicada pela Billboard:

É 3 de setembro e o Blink-182 está prestes a rasgar hinos irritados e, sua marca registrada, as piadas sobre masturbação durante o show deles em Salt Lake City’s USANA Amphitheatre. Horas antes do show, o baixista Mark Hoppus está sentado ao lado de fora, com uma blusa preta e óculos dourado, bebendo uma garrafa d’agua e conversando sobre algumas faixas angustiantes do novo cd da banda, “Neighborhoods”.

“Eu não consegui”, diz ele, “escrever uma canção feliz para esse CD”

Todo mundo fica velho. Mas quando o Blink-182 o fez, se tornou tão sério? Afinal, estamos falando de uma banda que corria por aí nua no seu mais icônico clipe (What’s My Age Again?”) e intitulou um de seus álbuns de “Take Off Your Pants And Jacket”.

“Como pessoas e como artistas, ainda existem coisas que precisamos ajeitar e ainda temos muito a crescer.” Diz Hoppus, 39, via Skype. [O álbum] é liricamente pesado em muitos sentidos. Talvez seja onde estamos com nossas cabeças. Nós passamos por muita coisa nos últimos anos. Estamos em um lugar melhor por causa disso tudo, mas nós passamos por muita merda.”

Fãs de pop-punk que continuam a sussurrar “Whats My Age Again?” e “All The Small Things” não vão achar uma única ensolarada ou imatura em Neighborhoods. Sob explosões de uma guitarra intransigente e batidas de címbalo, as letras se demoram em inquietação e ressentimento. Como diz o refrão do primeiro single: “and all these demons they keep me up all night”.

Hoppus, DeLonge e Barker poderiam ter feito um CD ainda mais sombrio – ou nunca ter feito de forma alguma. Um hiatus indefinido que começou em 2004, só teve fim após Travis sobreviver a um acidente de avião na Carolina do Sul. A tragédia acabou com 4 vidas e deixou o baterista na unidade de terapia intensiva por meses com queimaduras graves.

E quando os membros do Blink-182 se reuniram em 2009, eles enfrentaram um futuro sem Jerry Finn, o produtor de longa data deles que morreu em 2008, após sofrer uma hemorragia no cérebro. A banda também retornou à Intersocope, a gravadora que em 2003 ajudou o álbum Self-Titled a vender 2,2 milhões de cópias. Isso depois que a situação das ‘’maiores’’ gravadoras mudou drasticamente. “A gravadora em si não tem recurso ou capital algum pra fazer o que eles costumavam fazer” diz Delonge sobre a situação da atual gravadora da banda. “Eles simplesmente têm você preso em um contrato.”

Mas os oito anos passados também fizeram do trio do sul da Califórnia melhores compositores. “Neighborhoods” é facilmente o álbum mais firme da banda até agora. E os membros provaram que continuam podendo invocar uma grande platéia. A turnê norte americana de retorno em 2009 vendeu 93% dos ingressos disponíveis nas datas informadas de acordo com Billboard Boxscore. Desde então, o Blink-182 tem fixado parcerias com AT&T e Best Buy e os membros incorporaram os seus empreendimentos pessoais, como a Famous Stars and Straps e Macbeth Footwear como promoção da banda. O clipe de “Up All Night”, o primeiro single do “Neighborhoods”, acumulou 2.300.000 visualizações no YouTube nas duas semanas desde sua estréia, tudo on-line.

Blink-182 rompeu quando o quando pop-punk ainda estava no seu auge.  Hoje em dia, as outras bandas do gênero experimentam uma queda livre nas vendas. De acordo com a Nielsen SoundScan, Good Charlotte já vendeu apenas 52 mil cópias de seu álbum de 2011, “Cardiology”, depois de vender 3,5 milhões de cópias em 2002 com “The Young and the Hopeless”; o mais recente do Sum 41, “Screaming Bloody Murder”, vendeu 36 mil cópias, muito longe das 1,9 milhões de unidades vendidas no lançamento da banda em 2001, “All Killer, No Filler”.

A julgar pelos números da recente turnê da banda e das vendas avulsas, no entanto, o tumultuado tempo separado do Blink-182 pode ter sido a melhor coisa para a sobrevivência da representação do pop punk. “Se você pegar o tipo de separação que eles tiveram, é nesse ponto, onde os fãs antigos ainda estão envolvidos, que o mito da banda só cresce durante o hiato”, diz Dennis Dennehy, vice-presidente executivo de marketing e publicidade da Interscope Geffen A & M. “Eles souberam quando dar um passo atrás, e eles souberam quando dar um passo a frente de novo.”

No final de 2004, o Blink-182 estava saindo do lançamento de um álbum que tinha rendido três músicas no top 10 da Billboard Alternative Songs (“Feeling This”, “I Miss You” e “Down”) e de um verão com uma turnê co-estrelada com No Doubt, que arrecadou US $ 8,5 milhões, de acordo com a Billboard Boxscore. O Blink-182 tinha exibido um lado sombrio, adulto da banda, e estava a caminho de vender 2,2 milhões de cópias. Hoppus e Barker estavam se preparando para uma planejada turnê na primavera de 2005 e tinham algumas idéias para um novo álbum, mas DeLonge precisava de uma pausa estendida para passar o tempo com sua família. A turnê foi cancelada, e DeLonge, frustrado com a recusa de seus colegas de banda para fazer uma pausa, parou de falar com eles.

Os membros rapidamente moveram-se para projetos paralelos: Hoppus e Barker formaram a banda de rock alternativo +44. Seu álbum de estréia em 2006, “When Your Heart Stops Beating”, vendeu 274 mil cópias, enquanto DeLonge trouxe Angels & Airwaves e a vendeu 589 mil cópias do álbum de 2006 “We don’t Need to Whisper”, de acordo com a SoundScan. “Eu tinha a  mentalidade que Blink nunca iria voltar”, diz Barker, que também gravou com o grupo punk-rap, The Transplants, e com DJ AM no tempo inativo,  “e isso estava no próximo capítulo da minha vida”.

Barker e DeLonge não se falavam há quase quatro anos, quando um Learjet 60 em que o baterista estava à bordo caiu durante a decolagem em Columbia, SC, em 2008. Coincidentemente, DeLonge estava embarcando em um avião na Carolina do Sul com o resto do Angels & Airwaves, quando a notícia chegou. Em poucos minutos, ele estava chorando em seu assento. “Eu pensei que ele ia morrer”, diz DeLonge, que rapidamente estendeu a mão para seu colega de banda. “Imediatamente após a queda do avião, eu estava tipo, ‘Hey, eu quero tocar música com ele novamente.”

 

Tradução: Priscila Galas

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