Blink-182 na Alternative Press (Parte I)

Autor Por nath em 12/09/2011

“É um dia meio agitado”

Chris Holmes não está brincando. Enquanto chegávamos em um local não descrito de ensaio cercado por móveis de armazéns e shoppings, o engenheiro estava no telefone com Travis Barker, rabiscando notas a respeito sobre alguns retoques que o  baterista queria fazer na atual mixagem de “Up All Night”, single de retorno do Blink-182. É uma manhã quente no início de julho e, no atual momento, o novo álbum da banda, “Neighborhoods”, ainda não está finalizado. Na verdade, neste exato momento, ninguém da gravadora do Blink, Geffen Records, ouviu a nova música, apesar do seu lançamento marcado na rádio KROQ para alguns dias depois.

“Ok, então é uma alteração na segunda batida?”, Holmes pergunta a Travis, que supostamente está a caminho do local de ensaio. (Ele eventualmente apareceu quase três horas mais tarde). O engenheiro desliga o telefone e acena levemente com a cabeça antes de fazer uma ligação para Tom Lord-Alge, o cara responsável pela mixagem em questão para transmitir as preocupações. No local, também se encontram um punhado de técnicos arrumando os equipamentos para o ensaio da banda mais tarde, assim como um grande número de gestores, publicistas e alguns puxa-sacos – mas nenhum membro da banda. Apesar de alguns reclamarem que o rock ‘n’ roll em si está morto, o tempo do rock ‘n’ roll está vivo e bem.

Mark Hoppus é o primeiro a aparecer, um pouco depois das onze da manhã com sua esposa e seu filho. O baixista está vestido com uma camisa preta e um short cinza. Ele cumprimenta calorosamente sua equipe e rapidamente pega o seu baixo, aquecendo com “Carousel”. Seu parceiro de crime dos últimos 20 anos, Tom DeLonge, chega em seguida com uma camisa branca acompanhada por uma touca preta, jeans e sapatos, com um café gelado na mão. Quando Barker finalmente chega, ele é arrastado para longe da equipe da AP antes mesmo da gente cumprimentá-lo – e tem um motivo para isso.

Enquanto o Blink-182 está se preparando para o ensaio de hoje, eles também se reuniram para a entrevista que é a capa desta edição e também para uma sessão de fotos. Mais cedo esta manhã, o publicista de Barker – a mesma pessoa que se juntou a nós na entrevista para a edição nº 252 da AP para evitar qualquer pergunta sobre o acidente de avião – nos instruiu explicitamente para não perguntar nada sobre a morte do parceiro musical e amigo de Barker, Adam Goldstein (DJ AM). A sua morte, devido a uma overdose acidental, aconteceu durante o bem-sucedido retorno da banda em 2009 e resultou em alguns cancelamentos de shows. Além disso, desde a morte do DJ AM, a música “Adam’s Song”, que fala sobre depressão e suicídio, não é mais tocada pela banda.

Após explicarmos ao publicista de Barker que essa matéria era sobre o novo álbum e tudo que estivesse relacionado a ele, ele deixou a sala. Alguns minutos depois, fomos saudados pelo empresário do Blink-182, Paul Rosenberg – que nos informou que Travis não falaria conosco hoje.

A partir desse momento, o clima fica melhor descrito como uma “hostilidade educada”. A sessão de fotos para a capa, originalmente marcada para durar duas horas, foi cortada para menos de 40 minutos; apenas duas músicas (“Up All Night” e “Ghost On The Dancefloor”) foram tocadas para nós, ao invés do álbum inteiro; e tivemos apenas 30 minutos para entrevistar Hoppus e DeLonge numa entrevista conjunta. (Mais tarde, tivemos negado o nosso acesso para assitir o ensaio da banda, mesmo após Hoppus ter nos convidado). De qualquer forma, com um novo e ainda não finalizado álbum para lançar, uma grande turnê norte-americana para preparar e vários negócios para tratar, está claro que, hoje, a banda mal tem tempo para respirar, quem dirá para fazer uma sessão de fotos.

“Nós estamos gravando…e ensaiando…e fazendo shows, e planejando entrevistas e sessões de fotos,” diz Holmes, rindo. “Não seria divertido se fosse de outra forma”. Holmes é a única pessoa que está lá desde as origens de “Neighborhoods”, mas está impossibilitado de falar sobre isso com qualquer outra pessoa. Ele parece genuinamente entusiasmado quando fala sobre as novas músicas do Blink-182. “Tem coisas de todas as épocas; tem coisas que são como se eles tivessem gravado “Josie” hoje; tem algumas coisas mais lentas – algumas delas são as melhores coisas lentas que eu já ouvi,” disse o engenheiro, “A origem desse material é o que eles teriam feito após o “Self-Titled”, da mesma forma que relembra todas as épocas.”

Infelizmente, para nós, parece que vamos ter que ouvir uma outra hora.

“Eu queria que fosse ‘Carmageddon’ todo dia!”

Já faz cerca de três semanas desde o nosso primeiro encontro e Mark Hoppus está se dirigindo para o Gelen Center da Universidade do Sul da Califórnia, onde sua banda está realizando ensaios de produção total para o Honda Civic Tour. De acordo com o baixista, o “Carmageddon” – apelido dado pela mídia quando um segmento da rodovia 405 foi temporariamente fechado para reparos – “foi a melhor semana de tráfego de todas. Eles assustaram todo mundo, então não tinha ninguém na rodovia e não tinha trânsito. A cidade estava morta; estava perfeito.”

Hoppus está com um espírito brilhante, mesmo nesse momento, em que eles estão a 48 horas do dia 31 de julho, a data limite dada pela gravadora para a entrega de “Neighborhoods” para, dessa forma, realizar o lançamento no dia 27 de setembro –  e o álbum ainda não está pronto. “Definitivamente, vai ficar tudo certo até lá,” ele admite, explicando como ele está lidando com os ensaios, a produção do álbum e a mudança para Londres com sua família.”É um lugar que sempre gostamos de ir e as pessoas lá são muito legais, e é sempre divertido,” explica Hoppus, dizendo que ele e sua família tem planos de ficar por lá por pelo menos um ano – possivelmente mais, dependendo de como eles vão aproveitar a experiência. “Vai ser divertido tentar encontrar o nosso caminho por lá, é tudo parte de uma aventura.”

Você pode conferir os scans dessa reportagem neste post!

 

PARTE II EM BREVE!