blink-182 fala sobre o futuro da banda na Kerrang!

Autor Por Maria Alice Azevedo em 16/10/2014

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No mês de agosto, a Kerrang! entrevistou os integrantes do Blink-182 durante a passagem da banda pela Europa. A tradução demorou, mas está saindo. Abaixo você confere a primeira parte da matéria, que dividimos em três partes, e que serão publicadas ao longo das próximas semanas!

Após encerrar o verão com um grandioso show no festival Reading and Leeds, a principal questão para o blink-182 agora é: “O que vai vir a seguir?”. Matt Allen recebe o trio para falar sobre isso com um merecido sorvete – e também para se desculpar.

No começo deste ano, o baterista Travis Barker e o guitarrista Tom Delonge saíram para jantar. O objetivo do encontro era “relaxar, se divertir e conversar” de uma maneira descontraída. E apesar da dupla – e do baixista Mark Hoppus – ter construído uma das maiores bandas de pop-punk do planeta, outros assuntos também foram discutidos. Os dois falaram sobre filhos, a nova casa de Tom, em San Diego, e a volta de Mark Hoppus para Los Angeles, após ter passado um tempo morando em Londres.

Durante o encontro o guitarrista percebeu uma coisa estranha: “Tom falou, ‘Eu acho que nós nunca jantamos juntos’”, disse Travis Barker para a Kerrang!, em Londres, às vésperas das apresentações no Reading and Leeds. “Eu estive com o Mark no mês passado, mas nós já saíamos quando ele morava em Los Angeles. Mas já eu e o Tom… isso nunca aconteceu na existência da banda – nunca mesmo. Foi legal saber que nós podemos sair para jantar normalmente. Nós nos divertimos”.

De alguma maneira os influentes integrantes conseguem se encontrar diante de uma confusa afinidade. E mesmo após 22 anos e seis álbuns, o trio ainda é citado por diversas bandas, que vão desde o alternativo You Me At Six até o pop 5 Seconds Of Summer, além de se manter constantemente ativo ao lançar grandes álbuns, singles de sucesso e comandar importantes festivais. Mas também são protagonistas de desentendimentos, uma conturbada separação e uma cuidadosa reaproximação. Eles não têm um minuto de sossego.

“Mas eu acho que gosto disso”, diz Mark, ao explicar os altos e baixos do blink. “Os amigos que você tinha no final do ensino médio – com quantos deles você ainda fala depois de 22 anos? Com quantos deles você mantém um negócio depois de 22 anos? É uma situação que muitas pessoas não conseguem entender”.

“Mesmo depois de tudo o que passamos: faculdade, primeiro emprego, primeira casa, a primeira paixão verdadeira, o casamento e os filhos… Nós ainda somos três caras que curtem tocar juntos”, ele sorri. “É simples assim”.

Mas felizmente a vibe atual da banda é positiva. O sucesso alcançado pelo álbum Neighborhoods, de 2011, provou que o trio é perfeitamente capaz de trabalhar sob alta pressão criativa mesmo depois de tanto tempo separados. Atualmente, a temperatura em torno deles é amena. Quando se encontraram para os shows de Brixton, em agosto, Mark até levou mel caseiro para todo mundo (“Eu tenho duas colméias em casa”). Mas isso não significa que a banda esteja amadurecendo. As constantes piadas sujas que caracterizavam os primeiros lançamentos da banda ainda não desapareceram.

“Você pode vender esse mel como lubrificante sexual”, Tom fala rindo. “Não é uma comida séria se ela é colocada em genitais…”.

Apesar das brincadeiras, esse é um momento decisivo na existência cheia de nuances da banda. Já faz três anos desde o lançamento de Neighborhoods, e cinco desde a triunfante turnê de reunião. O próximo passo agora é gravar mais aproveitando a harmonia gerada durante a gravação de Neighborhoods e do EP independente, Dogs Eating Dogs – o primeiro projeto da banda lançado sem a participação de uma gravadora.

“Nós só queríamos nos divertir juntos”, diz Mark. “Tom me procurou no final de outubro [2012] e falou, ‘Vamos gravar um EP de Natal’. Nós não precisamos pedir a permissão de ninguém. Eu peguei o avião, nós entramos no estúdio, trabalhamos por duas semanas e conseguimos cinco músicas. Foi interessante e fácil”.

Até mesmo a resistência do Travis em voar – fobia causada pelo acidente de avião sofrido pelo baterista e que tirou a vida de quatro pessoas, em 2008 – tem sido administrada com uma compreensão que só é gerada diante de uma amizade verdadeira. Devido a esse medo a banda passou por uma situação complicada quando foi chamada para tocar no festival Soundwave ano passado, na Austrália, já que era impossível para o baterista realizar a viagem de navio. Mas o show aconteceu mesmo sem ele, e em seu lugar tocou o lendário baterista punk do Bad Religion, Brooks Wackerman. Apesar de tudo, Travis não ficou magoado.

“Nós conversamos sobre isso”, afirma Travis. “Eu não consigo voar por causa do que aconteceu. Mas tem lugares que você não consegue tocar se não for de avião, e já estava claro que eu não conseguiria viajar. Então eles perguntaram, ‘Tudo bem se levarmos outro baterista?’. E eu respondi, ‘Claro, sem problemas’. As minhas chance de voar eram mínimas.”

“Eram de mínimas a zero. Antes da turnê atual, há mais ou menos um mês, eu perguntei aos meus filhos o que eles achavam de ir pra Europa de avião. Meu filho concordou, mas minha filha não quis de jeito nenhum. Uma semana depois ocorreram quatro acidentes de avião e isso me fez pensar ‘Quer saber? Não era mesmo pra acontecer’. Agora vou de barco para qualquer lugar.”

Agora a pergunta de 1 milhão de dólares – aquela que os fãs vem repetindo há quase um ano: quando vai sair a próxima gravação do blink-182? Recentemente a banda fez alguns comentários no Instagram, além de colocar algumas pistas e até mesmo fotos no estúdio, mas apesar de tudo o sétimo álbum ainda nem começou a tomar forma, mesmo que já tenha se passado cinco anos desde o último lançamento, o mesmo período de tempo que durou o temido hiato. O que está acontecendo afinal?

“Quando nós voltamos pra casa depois da última turnê européia [2012], Tom não estava no momento de gravar”, diz Travis. “Foram necessários três ensaios para que ele dissesse ‘Eu quero gravar agora’. Com o blink nós fazemos diversas coisas individualmente que nos mantém ocupados e felizes. No fim das contas nós somos apenas músicos e amamos isso. Você nunca quer obrigar ninguém a fazer nada”.

“Eu me sinto mal pelos fãs, porque prometemos há uns dois anos atrás que começaríamos a gravar. Mas nós não podemos forçar. Eu amo tocar com o Mark e o Tom, eu amo tocar com o blink, é ótimo quando temos shows marcados ou eu recebo um e-mail dizendo que vamos entrar no estúdio. E eu estarei sempre com um sorriso no rosto e pronto para começar. Mas até que aconteça, a vida é muito curta pra se preocupar tanto.

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