blink-182 fala sobre o futuro da banda na Kerrang! (Parte III)

Autor Por Jorge Ferreira em 18/10/2014

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Salve, galera. Finalmente, aqui está a parte final da entrevista que o blink-182 fez para a Kerrang! em agosto. E se você não leu ainda as outras partes, é só clicar aqui para a primeira e aqui para a segunda.

 

Houve alguma perda de união nesse processo?

Mark: “Eu acredito que não – era como se todos nós estávamos tentando resgatar o blink-182. É difícil perder a sua identidade [durante o hiato] e aquela ideia do que você é. Eu sempre me considerei o “Mark do blink-182”, e não ter aquilo, na época, foi um choque – tão bom quanto ruim. Muitas coisas boas aconteceram por causa disso, mas eu também tive momentos difíceis.

“Mas voltando ao blink-182, acho que todos nós estávamos bastante empolgados com tudo, mas também um pouco apreensivos. A gente pensava ‘Eu realmente quero fazer isso, mas será que vai dar certo? Será que vai ser legal?’.  Tivemos nossas brigas e discussões no passado, mas eu acho que amadurecemos e aprendemos a ser felizes com o blink de novo.”

Então foi um processo de reconstrução?

Tom: “Com o Neighborhoods, queríamos fazer um álbum bacana, mas, além disso, também ver se aquilo estava funcionando e o blink poderia voltar de verdade. Não era pra ser o melhor álbum das nossas vidas, só precisávamos ter certeza que a banda podia continuar e que poderíamos trabalhar juntos novamente.”

 Houve algum momento em que vocês pensaram que outro álbum do blink não fosse acontecer?

Tom: “Eu nunca pensei nisso.”

Mark: “Não, quero dizer, teve alguns momentos em que a gente brigava e esganava um ao outro…

 Na última turnê?

Mark: “Não, desde antes. Mas isso faz parte de ter uma banda. Eu acho que nenhum de nós nunca pensou que outro álbum não fosse acontecer.

 A vida está tranquila para Tom DeLonge ultimamente. Com 38 anos, pai de família e considerado porta-voz de uma geração punk, ainda possui uma casa no litoral onde ele pode levar seus filhos para surfar. Além disso, o blink-182 parece estar se reerguendo de novo. Uma vida equilibrada e feliz.

“Estou empolgado com o futuro,” ele sorri. “Muito empolgado. Eu estava lendo sobre numerologia [o estudo da relação ‘especial’ entre números e eventos] e a definição das pessoas. Para mim, a definição ideal acontece entre os 35 e 45 anos, então eu venho tentado encontrar uma zona de conforto onde eu possa ter atividades extracurriculares que não atrapalhem o caminho que o blink-182 precisa estar.”

No entanto, são essas atividades extracurriculares que acabaram atrasando um pouco as gravações. Afinal, todos os três membros do blink-182 são pais e possuem seus próprios projetos além da banda. Tom com o experimental Angels & Airwaves, Travis com o seu punk mordaz dos Transplants, e Mark com sua nova banda Nothing And Nobody. E ainda existem os restaurantes e marcas de roupa, estúdios e talk shows. É uma agenda bem cheia.

“Quando você começa uma banda, você não tem nada além de um ao outro,” afirma Tom. “Vinte e poucos anos depois, você tem uma vida. Então cada pessoa traz consigo essas experiências fantásticas e tem que encaixar tudo para dar certo. Essa é a grande diferença. É um trabalho duro, mas ainda damos conta.”

Encaixar tudo para dar certo envolve muita comunicação. Devido às distâncias geográficas que os separaram nos últimos anos, parece incrível como eles conseguiram resolver tudo. Mas ligações frequentes, e-mails e mensagens engraçadas acabaram criando um padrão de regularidade entre os três.

“Tom e eu nos enviamos imagens aleatórias da internet de vez em quando,” gargalha Mark. “A maioria são imagens de animais…”

Tom mostra em seu celular a imagem de um gato suspenso sob um castelo de cartas. “É engraçado,” ele diz. “Chega um ponto onde a conversa através de mensagens pornográficas bizarras, envolvendo merda e sangue, perdem a graça. É mais engraçado mandar um gato fofinho cantando. É um passo adiante termos chegado a esse ponto.”

Se esse novo estilo de comédia irá afetar as letras das próximas músicas é uma questão que divide opiniões entre a base de fãs fervorosos da banda – aqueles que louvam o humor boca-suja e malcriado que nos brinda com piadas envolvendo pintos e mães, e os que apoiam a nova fase da banda, mais madura emocionalmente. E tanto Tom quanto Mark estão conscientes da mudança de imagem da banda.

“Eu acho que as pessoas sabem que as piadas de pinto são a base de tudo”, afirma Tom. Mark concorda: “É o alicerce. Alguém me perguntou sobre isso noutro dia, e eu acho que nós amadurecemos muito liricamente, só porque eu não faço mais músicas sobre estar no colegial. Mas, ao mesmo tempo, eu ainda tenho aquelas memórias, e acontecem coisas comigo que me fazem sentir do mesmo jeito como quando eu estava no colegial e tudo era bem ridículo.

“É claro que eu não vou escrever uma música sobre estar brabo com os meus pais, até porque eu me dou muito bem com eles agora,” ele ri. “Mas podem existir músicas sobre memórias de quando eu sentia raiva deles. Eu ainda sinto que tenho muito para dizer, acontece que são sobre coisas diferentes agora.”

Finalmente, o mundo deu voltas e os aterrissou por aqui: pelo visto, o blink-182 parece estar fervilhando de ideias, esperanças de um futuro grandioso e engatilhados numa plataforma que pode projetá-los de volta para as grandes altitudes nas quais se encontravam antes da sua pausa em 2005. Eles acabaram de tocar por duas noites seguidas na London’s O2 Academy Brixton com um set repleto de músicas antigas, e agora conquistaram o Reading & Leeds. O sentimento agora é de antecipação: o seu próximo disco, seja quando for lançado, poderá nos entregar outra levada de hinos pop-punk, maiores e melhores do que tudo que já fizeram antes.

Agora isso pede um jantar de celebração!