blink-182 fala sobre o futuro da banda na Kerrang! (Parte II)

Autor Por Isabela Rachide em 16/10/2014

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Em agosto, a Kerrang! entrevistou o blink-182 durante a passagem da banda pela Europa. Leia abaixo a segunda parte da entrevista!

Se você ainda não leu a primeira parte, clique aqui.

Então, o que podemos esperar do novo álbum do blink-182?

Mark: É difícil dizer. Nós três chegamos com diferentes pontos fortes e influências. Tom curte coisas grandiosas, dinâmicas, estádios enormes. Eu prefiro guitarras simples, irregulares, músicas curtas. Já Travis está em todos os lugares, então você nunca sabe o que vai vir com ele.

Travis: Nos últimos dois meses, eu, Tim Armstrong [vocalista do Rancid] e Flea [baixista do Red Hot Chili Peppers] estivemos tocando reggae. Tem sido incrível. Nós estamos tocando todas as sextas-feiras por 6 horas direto. Está sendo muito divertido e tem muitas outras coisas a serem feitas. Pode não ser tão grande quanto o blink, ou pode não ser o que foi planejado, mas é isso.

Mark: Se depender de mim, quero que o próximo álbum seja mais agressivo e carregado de guitarras, mas ainda estamos na fase experimental do processo. Nunca sabemos o que vai sair, porque muitas coisas diferentes podem acontecer a partir do momento em que entrarmos no estúdio. É como Eisenhower [presidente dos Estados Unidos] disse uma vez: “Você pode fazer um plano para ir para a guerra, mas assim que a batalha começa você percebe que foi em vão”.

Você não vê as gravações com o blink como ir para a guerra, vê?

Mark: Às vezes. Não é como se eu estivesse indo para a guerra, mas a cada vez que acho uma música nossa muito boa, tem uma batalha acontecendo. Há a ideia inicial, então tem o que o Tom acrescenta a ela, tem o que eu acrescento e tem o que o Travis acrescenta, então torcemos e extraímos o máximo disso tudo. Não é como se estivéssemos realmente lutando, mas há uma transformação acontecendo quando estamos executando as músicas, especialmente quando estamos juntos no mesmo estúdio. Isso é o que torna o processo realmente interessante e faz com que boas músicas sejam boas.

Vocês já escreveram alguma coisa?

Tom: Depende do que é escrever para você. Estou sempre escrevendo, mas eu não escrevo uma coisa completa, porque o blink não escreve dessa forma. Eu vou chegar e falar “tá, aqui está um riff muito legal no espírito tal… estes são os elementos.” Então, você sabe, isso se transforma em uma música. Acho que é isso que a banda precisa. A banda precisa ter uma parte conceitual, uma parte completamente orgânica e muito bem feita no momento, e partes que fazem todo mundo lembrar o que fomos e o que estávamos fazendo. Travis passa 90% do seu tempo em uma categoria que é totalmente diferente para mim e para o Mark, e nós precisamos disso. Em Dogs Eating Dogs, Yelawolf veio e inseriu seu rap na faixa Pretty Little Girl. Não é o meu estilo de música, mas eu estava interessado nisso porque representa o mundo do Travis, e eu acredito que a banda precisa ter isso. Tem um monte de coisas acontecendo que fazem a banda ser o que ela é hoje. Tudo é importante.

Grande parte do Neighborhoods foi gravado através da troca de músicas por email entre vocês. Qual é o plano dessa vez?

Travis: Acho que a maior parte do Neighborhoods foi feita através de email. Além de músicas como Up All Night, que foram feitas inicialmente no estúdio, enquanto eu ainda estava me curando [do acidente de avião]. Eu tinha dito a eles que eu poderia estar lá e que já estava saudável, mas eu ainda estava machucado, estava um desastre. Eu só queria estar lá.  Nós escrevemos aquilo muito cedo e foi fantástico. Espero que nós possamos estar juntos no mesmo estúdio para o próximo álbum. Esse é meu objetivo…

Mark: Neighborhoods foi bom, porque nós podíamos ficar na nossa zona de conforto e enviar as coisas entre nós. Mas o melhor que fizemos nele, foi feito em um período de cinco dias, quando estivemos todos juntos em um estúdio.

Foi frustrante executar o processo à distância?

Tom: Não é o melhor jeito. Mas, naquele momento, foi bom…

Mark: Naquela época funcionou. Foi uma boa forma de reunir o blink-182 novamente sem ter discussões no estúdio. Pudemos ser respeitosos uns com os outros e ao mesmo tempo conseguir o que queríamos do álbum. Não acho que a distância tenha comprometido o álbum. Ouvi de novo há pouco tempo e estou muito orgulhoso do que fizemos. Acredito que a parte boa da experiência de gravação aconteceu quando estávamos todos juntos. Eu amo músicas que nós não necessariamente escrevemos juntos, mas quando olho pra trás, as boas memórias são de nós três juntos conversando no estúdio.

Houve uma perda de união durante esse processo?

Mark: Não acho que perdemos a união. Eu sentia como todo mundo estava tentando reabraçar o blink-182. É difícil perder grande parte da sua identidade e muito da ideia de quem você é durante um rompimento. Eu sempre pensava em mim mesmo como “o Mark do blink-182”, e passar a não ter isso mais foi um grande, um enorme golpe – bom e ruim. Tinham coisas boas acontecendo, mas houve tempos realmente difíceis também. Então, sobre a volta do blink-182, acho que todo mundo estava animado com a ideia, mas um pouco na defensiva também. Todos pensavam: “Eu realmente quero isso, mas vai explodir tudo de novo? Vai ser legal?” Nós tivemos nossas guerras e nossas explosões e tudo mais, mas eu acredito que nós chegamos a viver com o blink e a ser feliz por estar lá.

Então esse foi um processo de reconstrução?

Tom: Com Neighboorhoods, a gente queria sim fazer um grande álbum, mas queríamos assegurar que isso funcionaria e que o blink poderia estar junto de novo. Não era como se tivéssemos que fazer o melhor álbum de nossas vidas, mas como se tivéssemos que ter a certeza de que a banda poderia continuar e que nós poderíamos trabalhar uns com os outros novamente e reconstruir.

Houve algum momento em que vocês pensaram que não iria acontecer outro álbum do blink?

Tom: Eu nunca senti isso.

Mark: Não. Quer dizer, nós tivemos nossas brigas e explosões e ficamos na garganta do outro…

Na última turnê?

Mark: Não. Desde então. Mas isso é apenas parte de ser uma banda. Eu não acho que algum de nós realmente pensou, um dia, que esse álbum não aconteceria.

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Parte 3