Angels & Airwaves: Como Tom DeLonge e Ilan Rubin começaram a trabalhar juntos

Autor Por Danilo Guarniero em 11/12/2014

tom delonge e ilan rubin

A pedido dos membros do fórum oficial da banda, o Angels and Airwaves concedeu uma entrevista exclusiva ao The AVA Movement. Ela funcionou da seguinte forma: integrantes da página postaram questões em um tópico e os moderadores selecionaram algumas para serem votadas. Tom e Ilan responderam as dez mais prestigiadas em uma entrevista de 45 minutos, que foi dividida em 5 partes! A primeira parte acabou de ser lançada e você confere aqui, na íntegra, o vídeo e a tradução:

Lozz182 e StephenCWJ perguntam: “Quando vocês se conheceram? Quanto tempo depois disso o Ilan entrou para o AVA? E como foi a transição até formarem uma parceria para escrever músicas?”

Tom: Eu me lembro quando o Adam (Willard) estava tocando com a gente, nós estávamos dando uma pausa, e eu estava fazendo algumas coisas com o Blink. Isso criou uma situação na qual era difícil, para os outros caras, ficar esperando que eu voltasse e mantermos um fluxo de trabalho consistente. Foi um tempo meio difícil. Então fazia mais sentido o Adam ir fazer outras coisas. Não se preocupe, não há nada de mais pra contar; Nós somos bons amigos até hoje, mas eu não queria estar em turnê e trabalhando em tempo integral. E tem sido difícil desde sempre, pois eu fico indo de um lado pro outro.

Naquele momento, eu estava pensando: “bem, nós obviamente precisamos de alguém pra tocar bateria, mas eu adoraria ter alguém que pudesse acrescentar bem mais do que isso”. Então vários nomes foram cogitados, falei com muitas pessoas diferentes. Mas meu amigo Jimmy, que muitas pessoas conhecem por ele sempre estar com a gente, me disse: “Você deveria falar com o Ilan”. Eu fiquei tipo “quem é ele?”, e ele disse “ah, você conhece o Ilan, ele é de San Diego e toca com o Trent (Reznor, do Nine Inch Nails)”. E eu fiquei “ah, verdade!”.

Então eu estava olhando uns vídeos e fiquei tipo “esse cara é… bonitão pra caralho!”, e eu assisti a maior parte no mudo, porque ele era muito bonito. Daí eu tirei do mudo e fiquei “ah, ele sabe tocar instrumentos também”. E não foi muito pela bateria, porque eu disse “ok, ele é obviamente um ótimo baterista”, mas o que me chamou a atenção foi quando o vi tocando o piano. E fiquei pensando “isso é muito legal, ele tem a habilidade para trazer conhecimento musical ao que estamos fazendo”. E foi em uma época em que realmente queríamos mudar nossa música.

E então eu… como foi que eu entrei em contato com você mesmo?

Ilan: É, você provavelmente pegou meu número com o Jimmy e começamos a nos falar, mas você estava em uma turnê do Blink com o My Chemical Romance…

Tom: Sim.

Ilan: Isso faz três anos ou mais. Então na verdade eu encontrei o David (Kennedy) e o Matt (Wachter) porque Tom estava em turnê, mas o show de San Diego estava chegando, então eu vinha pra cá passar um tempo com Matt e David. Eu já conhecia o David de outros lugares, não lembro quais, mas foi bom ver eles e ter uma ideia de como era o ambiente de trabalho e quais eram os futuros planos.

A turnê chegou em San Diego e fui ao show, e eu e Tom curtimos por lá… e foi muito rápido, porque acho que já era perto do final da turnê, e me lembro que uma ou duas semanas depois nós conversamos, fizemos a primeira leva de fotos pra imprensa e começamos dali…

Tom: Já entramos de cabeça e deixamos tudo pronto!

Ilan: Não tínhamos começado a escrever ainda… Naquele momento os álbuns Love estavam saindo, então estava acontecendo a divulgação daqueles álbuns e um pouco de turnê. Fizemos uns quatro shows menores na costa leste e fomos para a Europa tocar no Reading & Leeds (festivais britânicos), além de algumas outras coisas. Mas depois desses compromissos de turnê, nós inevitavelmente voltamos para San Diego e começamos a trabalhar em material. Não necessariamente com a intenção de escrever um álbum, foi só pra ver como rolava. E enquanto começávamos a empilhar ideias, pensamos “bem, vamos juntar tudo isso e ver se conseguimos lançar um álbum”. E dois anos depois, aqui estamos.

Tom: E você ainda é bonitão.

Elliot e Skalor perguntam: “Vocês tiveram papéis determinados na criação de elementos particulares de cada música? Com que frequência o Ilan discordava da direção do Tom?”

Tom: O processo de escrever músicas foi muito colaborativo, nós trocávamos ideias direto, debatíamos, discutíamos e tentávamos entender o raciocínio do outro. Demorou um ano para entendermos como o ouvido do outro funcionava e o que inspirava cada um independentemente. Muitos dos instrumentos foram gravados pelo Ilan, porque… ele é muito bom, em muitos instrumentos, e eu pude focar mais nas letras e em fazer os vocais no álbum. Não todos, na verdade, porque Ilan fez vocais de harmonia (backing). Isso me deixou mais livre pra pensar.

Eu estava curtindo muito mais a ideia de ele tocar os instrumentos do que eu mesmo fazer isso, porque nos outros álbuns eu toquei todos, ou pelo menos a maioria deles. E qualquer coisa que o Ilan pudesse fazer parecia nova pra mim. Eu não queria pegar os instrumentos e meio que me repetir outra vez, como eu costumava fazer. Eu abracei a ideia de ele tocar várias coisas, e funcionou muito bem.

Quanto a entender a minha direção… não foi bem a minha direção. Sei que a pergunta diz isso, mas acho que o Ilan naturalmente quer que eu goste das ideias e quer saber o que estou pensando, mas foi muito colaborativo entre nós três. O irmão dele, Aaron, produziu o álbum com a gente e tudo tinha que ser aprovado pelos ouvidos dos três.

Ilan: Acho que as ideias originais vinham do Tom, porque a coisa mais importante de uma música é a melodia e como ela funciona na estrutura de uma música. O escritor tem que estar inspirado para criar as ideias mais importantes, então Tom vinha com uma ideia e ela seria a ‘semente’ que se tornaria a música. Mas dali em diante nós criaríamos o refrão, o pré-refrão, e meio como ele disse, passávamos de um para o outro até a música estar completa.

Uma vez que os vocais dele estivessem prontos, o próximo passo eram as harmonias, que adicionávamos para ver o que aconteceria com a música. É interessante como a mesma ideia pode parecer tão diferente quando você tem dois lados com propostas contrárias. Ela pode tomar cursos realmente diferentes.  A primeira ideia de música que eu lembro de ter levado à mesa inicialmente foi a de “Tunnels”, mas acabou se tornando uma coisa completamente diferente. Lembro que era meio folk…

Tom: E tinha um ótimo riff também, que ainda devia ser utilizado em uma música.

Ilan: Era uma ideia bem folk, Tom adicionou um sintetizador e acabou diferente da ideia original.

Tom: A música se chamava “Folky”. Esse era o nome original mesmo. Nós sempre colocamos títulos que possamos lembrar nas músicas, um título ‘de trabalho’. Mas era bastante diferente.

Ilan: Foi um trabalho muito colaborativo. Independente de quem trouxesse a ideia, ela passava pelos gostos dos dois, até chegarmos a um ponto no qual os dois estivessem satisfeitos.

Tom: Acho que as pessoas estão bastante interessadas nisso, elas ficam tipo “é realmente muito diferente, Tom, que jeito você chegou nessas ideias?”. A relação de trabalho entre nós… não é como se eu tivesse feito a maior parte do trabalho aqui como todos estavam acostumados, é bem o contrário. Eu pude ficar mais em segundo plano e trazer uma abordagem mais nova.

Isso é algo que foi feito porque nós dois tivemos que descobrir, juntos, coisas que ambos gostavam. Uma das coisas da qual mais nos orgulhamos é que não é algo que poderíamos ter feito sozinhos. Eu não poderia ter feito isso sozinho, e é o que eu mais gosto nisso. Eu digo que é uma verdadeira negociação entre dois pontos de vista, e isso é a coisa mais especial desse álbum.

Tradução: Felipe Deliberaes