Absolute Punk entrevista Tom DeLonge

Autor Por rutinha em 13/10/2011

Leia abaixo uma entrevista feita com o Tom pelo site AbsolutePunk.net, onde ele fala sobre a gravação do LOVE Pt. II e do novo álbum do Blink, entre outros assuntos:

Para cruzar os fatos… no momento em que você estava trabalhando no LOVE Pt. II, você também estava trabalhando no novo material do Blink. Eu estou querendo saber, foi difícil separar os dois, ou ajudou em ambos os processos?

Sim, foi definitivamente um malabarismo. A gravação do Blink foi : Mark voaria para a Costa Leste para trabalhar em seu programa e eu iria trabalhar na parte da pontuação, ou no que fosse. Travis saiu em uma turnê de seu novo disco e eu tiraria pedaços da partitura e trabalharia em novas canções. Descobri que ambos ajudaram muito um ao outro. No Blink, sou em grande parte responsável por coisas como arranjos, berros e gritos para empurrar a banda para frente, musicalmente. Estando tão imerso no Angels and Airwaves, não só nos últimos sete anos, não só com o processo do filme e LOVE Pt. II, eu constantemente tinha isso na minha mente e traria os elementos para o Blink. Você pode ouvir isso no álbum. Você pode ouví-lo em “Ghost on the danceflooor”. O mesmo vale para o outro lado. Estava sendo lembrado que o espírito, a angústia, a energia, e a eterna juventude do Blink estava um tanto em falta no Angels and Airwaves que as pessoas provavelmente sentiram falta. Eu fui capaz de ir, “Wow. Esta banda provavelmente pode usar alguma adrenalina.” Isso me ajudou em ambos os lados nas letras das músicas. Agora eu me sinto completamente satisfeito artisticamente por ser o jovem rebelde com o Blink, mas também ser uma espécie de filósofo com Angels and Airwaves. Eu sinto que eu consigo me expressar totalmente.

Uma questão sobre crítica, isto tendo a ver com os dois, Angels and Airwaves e como certas pessoas devem se sentir sobre Blink 182 estar junto novamente e os seus pensamentos sobre Neighborhoods, bem, eu escrevi este artigo de opinião sobre o Blink estar de volta e não importa o que eles nos deram, eles já têm definido o seu nome, assim, em essência, eles realmente não nos devem nada. Como artista que continua a crescer, o que você pensa sobre qualquer tipo de reação. De verdade, e se você não fizesse outro álbum e o Blink continuasse fazendo as coisas deles. Cogitações?

Essa é uma pergunta realmente importante. Eu não esperaria nada menos de um fã incondicional ou um fã parcial ou alguém que é novo na música e não fez a sua cabeça. É nosso trabalho como artista, fazer música que não é facilmente digerível. Se fosse, seria top 40 das maiores besteiras. Seria um filme dos Transformers. Seria um cd da Britney Spears. Material que seria mais divertido, sabe? Como um artista, você está sempre sendo desafiado a apresentar algo que levará algum tempo para a pessoa digerir, possivelmente odiar em um primeiro momento e depois eles vão entendê-lo. Era como o Radiohead foi para mim quando eu estava crescendo. Nós pensamos que era uma merda. Foi shoegazing (rock alternativo, surgido na Inglaterra no anos 80), estranho e experimental. Eu estava errado. Eu estava tão errado sobre isso! Eu nunca tirei um tempo pra ouvir e ler as letras e nem pra entender como eles tinham gravado aqueles discos e como conseguiram aqueles tons. Tanto assim, que Angels and Airwaves – Eu estava pesquisando “Idioteque” e analisando todos aqueles sons e entendendo todos esses sistemas analógicos com componentes que foram feitos à mão e começaram nos anos 60 com a fiação e criando todos esses sinais. Percebi tudo isso e foi foda demais. É em uma música chamada “Clever Love”. Então eu descobri que o Radiohead nem sequer fez aqueles tons, eles pegaram uma amostra de um cara nos anos 60. [Risos] “Porra, eu pensei que vocês eram os gênios! Você só ’pegaram’ de outra pessoa.” Eu aprendi muito. Eles são gênios. O ponto é que eu acho aquilo muita arte agora. É incrível. É como Pink Floyd. Eu não gostava de Pink Floyd quando eu era jovem. Eu gostava de NOFX, Bad Religion, The Descendents. Eu era PUNK PUNK PUNK. Então um dia você pode realmente sentar e ouvir The Wall e ficar tipo, “Oh meu deus. Oh, meu Deus.” É uma loucura pra mim, como eles chegaram àquilo naquela época com aquela película. Isso é o que eu quero fazer com o Angels and Airwaves. Eu quero cair em passos como esses. Não quero cair nos passos de bandas punk que nunca saíram de clubes e têm muito medo de mudar. Eu os conheço, porque eles são meus amigos e eu tenho discussões com eles. Eles são muito inseguros. Eu não posso dizer quem são. “Eu não tenho uma boa voz. Eu não sei se precisamos de um show de luzes, etc…” Você parece uma menina chorando. Vá até lá e seja um artista e desafie as pessoas. Se você quiser continuar pequeno e anticorporativo e chateado porque é isso que está em seu coração, então tá legal. Não faça isso porque você está com medo. Não se contente porque você está com medo de irritar um garoto punk rock que não sabe nem o que quer.

Punk rock é o que você precisa quando você é uma pessoa jovem e um jovem adulto, porque você precisa encontrar a sua independência e individualidade. Você precisa descobrir quem você é não sendo como todo mundo. É a melhor coisa disso. Quando você tem 30, é melhor você saber quem você é e ter algo a dizer, caso contrário, você estará passando pela vida fazendo nada. Eu acho que meu trabalho agora com Angels and Airwaves, especificamente, é criar coisas que as pessoas não entendam muito bem, mas fiquem intrigadas. Em alguns anos, elas podem olhar para trás e dizer: “Oh, ok, isso foi, na verdade, legal pra caralho e eu entendo agora”. Em algum ponto, levar uma palavra como AMOR e torná-la verdadeira e digerível para muitos dos meus fãs vai ser difícil. Eu sabia também, que se chamasse de qualquer outra palavra que fosse apenas normal e eles entendessem instantaneamente, eles não iriam sequer perceber isso. Se nós nomeássemos esse disco com algo que é difícil de digerir, quando eles realmente digerissem isso, quando houvesse um ‘estalar’, seriam dez vezes mais envolvidos e intrigados e conectados a nossa arte. Isso é o que está acontecendo de uma pessoa à outra.

A última coisa em que quero tocar é sobre a idéia do punk e como você o vê agora, ao contrário de quando você começou no Blink 182. Para mim, acho que estou começando a entender. Eu tenho escrito muito sobre este ano e eu escrevi algo sobre usar seus poderes contra o sistema para o bem maior. Matt Embree do RX Bandits me disse que não somos nós contra eles, mas apenas nós. Você acha que essas ideias rebeldes do que o punk deve ser vão morrer algum dia? Você acha que cada geração vai apenas continuar a ver o punk como sendo uma coisa rebelde até que eles cresçam fora dele, neste ciclo sem fim? Eu daria uma ‘’surra’’ no você de 16 anos? [Risos]

[Risos] Eu acho que não é diferente do ensino médio, da sua primeira namorada – é um direito de passagem. Punk rock é uma categoria para certos tipos de pessoas para canalizar sua angústia, para aprender a controlá-la, para aprender a abraçá-la e encontrar pessoas que pensam parecido que queiram ser parte de uma tribo – uma tribo que não quer pensar como todos os outros. Isso não deixa você, torna-se parte de sua base. Acho que cada geração utiliza-o de maneiras diferentes. Quando eu era um garoto punk rock, todos os punks eram skatistas e ouviam punk de garagem. Então, de repente, a próxima geração ficou mais limpa. NOFX teve alguns discos de realmente grande ressonância, e realmente grandes canções, e coisas realmente engraçadas. Eles não eram realmente tão ‘’irritados’’. Certas canções começaram a ficar mais políticas enquanto os álbuns sairam. Então, Blink 182 era parte disso, a geração que realmente não estava chateada de forma alguma.

Nós viemos de famílias desestruturadas. Eu fui expulso da escola. Mark veio de uma situação horrível no deserto. Travis veio de uma “terra de gangues”, perdeu a mãe e tinha um cenário diferente de todas as suas próprias tragédias. Nós não sentimos a necessidade de estar com raiva. Nós éramos muito inclusos. Todo mundo estava dentro das piadas. Eu acho que isso é o que atribuiu ao nosso sucesso. Nós não éramos elitistas. Nós odiávamos isso em bandas de punk. Nós odiávamos o elitismo da Lookout! Records e toda essa merda. Fomos os marginalizados, e não queríamos nos sentir marginalizados na nossa própria cena. Acho que cada geração de crianças punk rock terá uma forma de conter sua angústia e fazer algo com ela. Eu acho que isso sempre muda de formas. Eu acho que no início dos anos 80 foi uma grande quantidade de drogas e brigas. Nos anos 90 era muito mais divertido, esportes de ação e as pessoas: “eu não vou fazer parte da equipe de futebol, eu vou pegar um skate”, é a Warped Tour e todas essas coisas. Nos anos 2000, são um monte de coisas novas. Muitas dessas bandas de hip-hop e bandas eletrônicas ainda têm toda essa angústia, mas não soam como qualquer coisa que eu conheça como punk rock. Não importa. É uma maneira de pensar. Eu penso como um adulto, a maior banda de punk rock de todos os tempos – The Clash – nunca escolheu essa palavra.

Quando me encontrei com Joe Strummer, a primeira coisa que ele me disse… Eu perguntei: “Como é estar no The Clash?” Ele disse que costumava andar por aí dizendo, “Foda-se, eu estou no The Clash. Foda-se, eu estou no The Clash. Agora que penso nisso, os Talking Heads eram legais pra caralho.” A partir desse ponto, eu parti e assisti ao Oasis – o Blink estava fazendo um show com eles, estas coisas de rádio grande – e eu estava muito atônito pela forma como eles eram bons. Foi a primeira vez que eu abri minha mente além do punk. Então, quando Oasis tocou, eu estava tipo, “Oh meu deus, eu não posso fazer isso.” Esses caras estavam brigando uns com os outros no palco. [Risos] Meio que isso se foi com a música. Então nós tocamos, dissemos algumas coisas realmente ofensivas, alguma merda muito ruim no palco, que foi muito engraçado, e Liam [Gallagher] correu até nosso camarim e eu estava apenas sentado, suando e ele: “Vocês são o Blink 182?” Eu disse que sim. Ele diz: “Vocês são os melhores que eu já vi na América.” Você gosta de nós? “Eu não disse isso, mas vocês são os melhores que eu vi na América.” Foda-se, isso foi muito engraçado. Esses caras são demais, eles me fazem lembrar dos meus amigos. Eles me lembraram das pessoas com quem eu cresci. Eles me fazem lembrar do Fat Mike – apenas espirituoso e louco e totalmente imprevisível.

 

Tradução: Priscila Galas