“A morte e todos os seus amigos”.

Autor Por Márcio Medeiros em 17/09/2011

James Montgomery, da MTV norte-americana, fez uma crítica do álbum Neighborhoods do blink-182. Confira a tradução do texto logo abaixo:

Neighborhoods do Blink-182: A morte e todos os seus amigos
Nós fizemos uma crítica do, tão aguardado e decididamente sombrio, álbum de retorno do Blink, no Bigger Than The Sound.

Em algum momento por volta de 2003, o blink-182 decidiu que era o momento colocar seu doutorado em piadas sujas na parede (presumivelmente em seus respectivos escritórios, que é para onde vão os diplomas de todos quando acabam seus cursos) e passar para uma roupagem mais séria. As razões por trás dessa decisão foram muitas – a nova perspectiva que veio com a partenidade, uma década na estrada, gravação com Robert Smith [vocalista do The Cure] – embora, verdade seja dita, sua roupagem sombria nunca pareceu encaixar, visto que, naquele momento, a banda era conhecida por colocar artistas pornôs em seus clipes e por escolher Take off Your Pants and Jacket e Enema of the State como títulos de seus álbuns.

É claro, oito anos desde o último álbum, muita coisa mudou. O blink-182 se separou em 2005, na sequência discutiu através da imprensa, tentou conquistar o mundo com um projeto que não era o blink, suportou a morte de seu produtor de longa data, Jerry Finn, e seu amigo próximo, Adam “DJ AM” Goldstein, e no final de 2008, o baterista Travis Barker se feriu gravemente em um acidente de avião que matou quatro pessoas, incluindo dois de seus amigos.

Não é preciso dizer, eles ganharam o direito de ser sérios. E no tão aguardado álbum, Neighborhoods (a ser lançado no dia 27 de setembro),  eles tiraram toda vantagem, passando os últimos 96 meses de dúvida, escuridão e morte em apenas 49 minutos – essa é a duração da versão deluxe –  e de modo bastante convincente. Pela primeira vez em sua carreira, o blink-182 parece estar confortável em seu traje sombrio. Infelizmente, é porque eles já os usaram em vários funerais.

Em termos de letra, Neighborhoods é a coisa mais desoladora que o blink já fez, assombrado por fantasmas reais – depressão, vício, perda – e imaginários. A morte está constantemente próxima, aparecendo em músicas como a fulminante “Natives” (“Maybe I’m better of dead”), a ruidosa “After Midnight” (“Standing close to death”) e a áspera “Hearts All Gone” (“Let’s drink ourselves to death”). Até o primeiro singel, “Up All Night” é realçado por um refrão: “All these demons / they keep me up all night”. Há uma razão para a primeira música do álbum se chamar “Ghost on the Dancefloor”:Neighborhoods parece menos um álbum de rock do que um exorcismo.

Sonoramente, é praticamente noturno, misturado aos toques eletrônicos do projeto de Mark Hoppus e Barker, o +44, e aos lasers do Angels & Airwaves do Tom DeLonge em um som que lembra nada mais do que ruas escuras, principalmente do subúrbio (a parte de trás do 7-Eleven, iluminada pelo poste único, etc.). Até os acordes – e há diversos – são sombrios, como se DeLonge tivesse colocado sua Epiphone Gibson dentro de uma tinta. O baixo de Hoppus soa ameaçador e as batidas de Barker deslizam, raspam e francamente assustam em algumas partes.

Dito isto, o álbum não é tudo desgraça e melancolia. O blink continua sabendo como escrever grandes refrões, e, muito parecido com os acordes, há muitos em Neighborhoods. Na maioria dos casos, eles fornecem breves intervalos entre as desolações: “Whishing Well” tem um DeLonge que vai no “la-da-da-da-da”, o gancho para “Love Is Dangerous” é praticamente flutuante, e, é claro, a já mencionada “Up All Night”, que soa como o blink mais velho.

E falando no blink do passado, bem, eles não estão mais por aqui (os sintetizadores,  na abertura de “Ghost on the dancefloor” serve para você perceber isso). Mas, dado que Neighborhoods entrou em uma gestação lenta – é o tipo de álbum raro que demora para sair que contém uma música, “Kaleidoscope”, que fala sobre o quanto demorou para sair – você certamente vai entender aquela transformação. O blink cresceu, muito mais porque a vida forçou eles a isso, e querendo ou não, aquela maturidade se encaixa.

Neighborhoods é um esforço auto-biográfico profundo, obscuro e franco, e quando Hoppus canta “Hold on, the worts is yet to come” (em “MH 4.18.2011”) você não precisa realmente acreditar nele. O pior já passou. É tudo de bom de agora em diante.

Nota do tradutor: Qualquer erro de tradução, basta avisar pelos comentários. Fiz o melhor que eu pude com o conhecimento que tenho.