A Day To Remember entrevista Mark Hoppus

Autor Por brunobld em 10/05/2012

A banda A Day To Remember entrevistou nosso querido Mark Hoppus, e o site ADTR Brasil traduziu a entrevista e também mandou pra gente.

Jeremy, do A Day To Remember, teve a oportunidade de entrevistar seu ídolo, e conversaram sobre como é ter uma banda, seus trabalhos e o que planejam fazer no futuro.

Entrevista feita na revista Revolver do mês de Março/Abril desse ano. Leia toda a entrevista logo abaixo:

Como qualquer fã pode provar, de Ocala, Florida o quinteto A Day To Remember trasmite algum dos mais massantes mosh-pits cobertos de breakdown. Mas a banda também é viciada em otimismo, melodias euforicas, no qual, no mundo de grupos de metalcore, não fariam essa única fusão exceto que o ADTR tem um feliz tapa na cara que não soa nada como influência emo, refrões limpos do Killswitch Engage ou As I Lay Dying. Eles são mais inspirados no auge do pop-punk dos anos 90 do Pennywise, Millencolin e especialmente o blink-182.

Quando eu era calouro no ensino médio, um amigo meu me mostrou o blink-182, quem eu realmente comecei a me relacionar” disse o vocalista Jeremy Mckinnon.”Eu pensei: é exatamente isso que eu quero fazer, entrar em uma banda e começar a compor músicas de punk rock“. Hoppus, que formou o blink-182 em 1992 com o guitarrista-vocalista Tom DeLonge, se sente lisonjeado por ser grande inspiração. “É uma grande honra“, o baixista e cantor disse. O grupo dele se reuniou em 2009 depois de quatro anos em hiato e lançaram seu primeiro novo álbum em 8 anos, Neighborhoods, no último ano. ”Nós lembramos de quando ninguém gostava da nossa banda e todo mundo ria de nós, cuspia na gente, ou não nos dava a mínima atenção. Ter bandas como o A Day To Remember que são fãs do Blink que tem ido e feito suas próprias coisas é maravilhoso. ”Animado em conversar com seu ídolo, McKinnon está perguntando sua lista de perguntas sobre o passado do Blink, o presente e o futuro. Ele estava nervoso no começo, sua voz sumia. Com 20 anos estão fazendo a entrevista um com outro (atualmente no programa do canal Fuse, Hoppus on Music), o cantor do Blink-182 esta relaxo e paciente, e logo McKinnon irá parar de se atrapalhar com suas perguntas e simplesmente deixará rolar a conversa. No processo, ele descobriu que sua banda não é diferente da banda do seu ídolo.

Confira a entrevista na íntegra:

Jeremy McKinnon: Por que você começou a tocar música?

Mark Hoppus: Foi quando eu estava no primeiro colegial. Eu descobri the Cure, the Smiths, the Jesus and Mary Chain, e Pink Floyd. E eu ganhei um baixo quando tinha quinze anos. Então, no segundo colegial, minha namorada me deu uma fita do Descendents, que mudou tudo pra mim. Eles foram a primeira banda de punk que eu sentia que falava comigo e cantava sobre coisas que eu gostava: meninas, comida, amigos, família. Assim eu toquei em algumas bandas de punk rock, então eu conheci o Tom e nós formamos o Blink.

McKINNON: Uma das primeiras músicas que eu aprendi a tocar na guitarra foi a sua música “Dammit” (do álbum de 1997 do blink-182, Dude Ranch). Aquela música foi a primeira grande oportunidade da banda?

      HOPPUS: “Dammit” foi definitivamente um grande passo para um grande mundo pro blink-182. Aquela foi a       primeira vez que nosso clipe passou na MTV e nossa música tocou no rádio. E “What’s My Age Again?” (do Enema of the State, de 1999) era um grande sucesso, mas eu ainda sentia que como nós fossemos aquela banda de punk rock. Mas quando “All the Small Things” (do Enema Of The State, de 1999) atingiu as paradas, atravessou as rádios de pop e rock, aquilo foi inevitável para o verão de 1999 e aquela música explodiu tudo para abrir nossas portas. Aquilo nos levou a tocar em grandes casas de show,  abrir grandes turnês e ser headliner de grandes arenas.

McKINNON: O que o manteve interessado em continuar tocando?

HOPPUS: Eu gosto de criar coisas novas e coisas que eu pensava que não poderia fazer. Eu acordo todos os dias pensando que eu nunca vou conseguir escrever alguma coisa boa novamente. Toda vez que eu termino uma música, eu penso “Esta é a última música que eu vou escrever” e eu não gosto de pensar desta maneira, de ter esse sentimento, então eu tenho que lutar contra ele.

McKINNON: Eu posso me dedicar 100% em relação aos shows. Nos últimos anos, temos vindo a crescer de forma constante e venho me preparando para atingirmos o ponto máximo e começar a descer do outro lado. Então, toda noite eu digo “Talvez hoje seja a noite em que as coisas começam a ir na outra direção e as pessoas deixam de se importar, de cuidar.” Felizmente, isso ainda não aconteceu e isso não é o ponto. De qualquer forma, outra do seu CD que eu realmente amo, qual é o seu álbum favorito do Blink?

HOPPUS:  Pra mim, muda o tempo todo. Voltando lá atrás para [Blink em estreia em 1994] Cheshire Cat, que foi divertido porque nós não tivemos que ter nenhuma responsabilidade, nem ninguém. Até mesmo nossa gravadora, que mal cuidava de nós. Por isso, tivemos  liberdade total para fazermos qualquer coisa que quiséssemos. Mas quando eu escutei Enema of the State, eu pensei sobre como aquele álbum nos expôs para cada cidadezinha no mundo, onde pensei que nunca nos escutariam. Houve uma singularidade do efeito durante esse período de tempo, o qual foi emocionante. E o [2003] Self Titled foi ótimo, também, porque queríamos tanto fazer algo diferente e único e realmente nos instigar. Então, há bons momentos sobre esse período. Você se sente desta maneira sobre suas músicas, suas gravações, seus discos?

McKINNON: Sim, há um conjunto de completamente diferente entre coisas negativas, que envolvem problemas, e positivas em casa disco, música e etc. Mas quando se trata de escrever uma nova música,  eu não aceito opinião de ninguém a não ser a nossa.  São os elementos essenciais  que compõem a nossa banda, vale tudo!

HOPPUS: Eu penso da mesma forma. Toda vez que uma banda tenta escrever uma música, eles pensam no que as pessoas querem, e isso transparece. Você pode dizer quando alguém escreve uma música que realmente significa alguma coisa para ele, está próximo do coração e da mente. Nós não podemos adivinhar o que as pessoas vão querer ouvir daqui seis a oito meses no futuro, ver o que a música vai almejar, então nem tentamos. Eu seria uma pessoa “A&R” terrível, porque eu ouço tudo isso e digo: “Ah, não tem como, ninguém nunca vai gostar dessa porcaria”, e então eles  sempre acabam sendo a banda mais popular.

McKINNON: Como as pessoas reagiram com Cheshire Cat quando saiu pela primeira vez?

HOPPUS:  Nós éramos párias.  A comunidade séria da música pensava que éramos uma brincadeira, uma piada, porque fazíamos músicas engraçadas. As pessoas que tocavam o ethos punk rock pensavam seriamente que éramos uns estúpidos, porque não cantávamos sobre política. Jornalistas musicais odiavam a gente simplesmente porque cantávamos mal, escrevíamos músicas “vulgares” e não éramos bons nos instrumentos. As pessoas que gostaram de nós eram grupos de skateboarders e  só queriam ter um tempo bom e “foda-se essa merda”.  Parecia um bom grupo de amigos, legais, divertidos, que nos acompanhou nesta jornada.

McKINNON: A mesma coisa aconteceu conosco. Éramos a banda que ninguém levava a sério, especialmente a indústria. Todos queriam que fossemos algo a mais. Você ainda tem que lidar com isso ou chegou a um nível onde você pode fazer qualquer coisa?

HOPPUS: O engraçado é que antes de cada álbum, as pessoas perguntavam ”Será que isso vai ser um álbum sério  do blink-182?” Isso aconteceu mesmo através de “Take Off Your Pants and Jacket”. Mas eu sinto que agora nós provamos a nós mesmos porque estamos aí há 20 anos e porque as pessoas que estavam à frente da indústria da música quando começamos, se foram. Os que estão agora são as pessoas que vieram com a gente ao longo dos anos, e eles não têm a mesma visão em preto-e-branco do que é legal ou não.

Quando começamos, você não podia ouvir apenas punk rock. Você tinha que ser um cara Epitaph West Coast ou você era um cara Dischord East Coast. Nós sempre gostamos de Dischord, Fat Wreck Chords, Epitaph Records, e todas essas outras coisas. Agora as pessoas vão ouvir Fugazi e, em seguida, elas vão ouvir Beyoncé e, em seguida, elas vão colocar uma música de metal. Todo o conceito de como as pessoas ouvem música mudou.

McKINNON: Oh, agora eu estou caindo na real. Eu só tenho a dizer que o título Take Off Your Pants and Jacket é tão engraçado e eu nunca sequer pensei sobre o que significava até três anos atrás. Alguém chegou e me contou o que significava, aí eu: “Puta merda, você está brincando comigo?”.

HOPPUS: [Risos] Eu amo quando as pessoas podem ver o título do CD pela primeira vez e em um segundo e meio os olhos deles se iluminam e eles começam a rir. É este momento do “AHA” que realmente faz nosso dia.

McKINNON: Alguem já pediu pra vocês darem um tempo com as piadas sujas?

HOPPUS: Quando o Congresso veio até a gravadora depois de usarmos palavras de baixo calão, [ex-senador de Connecticut] Joseph Lieberman nos chamou, especificamente, como um exemplo do que  estava errado com a indústria da música. Em seguida, a gravadora reagiu, quando gravamos o álbum ao vivo  [2000’s The Mark, Tom and Travis Show (The Enema Strikes Back!)]. Eles mudaram o nome da música ”Dick Lips” para ”Rich Lips” na capa do álbum. Mas nós nunca tivemos que mudar nada nas letras. Nós fomos abençoados porque a gravadora nunca interferiu. Quando começamos, eles não ligavam, então eles começaram a se importar, já estávamos bem sucedidos o suficiente para que soubessem melhor. Eles apenas balançaram a cabeça e viraram os olhos pra nós, e nos deixaram em paz.

McKINNON: O que fez o Blink se separar?

HOPPUS: Honestamente, eu achei que nós nunca iriarmos nos separar. Eu estava indo para um ensaio pra um show que nós iriamos tocar e eu recebi uma ligação do nosso empresário dizendo que Tom tinha deixado a banda. E Tom já tinha mudado seu número de telefone, assim eu não conseguia falar com ele de maneira alguma. E foi isso. Aqui está o que eu vim aprendendo com o passar do tempo. Nós somos uma banda que está lutando todo o tempo. Tem sempre uma tensão nisso. Nós passamos os primeiros anos da banda tentando nos moldar em uma única forma, em que nós estávamos durante Enema of the State. Depois daquilo, tudo mudou. Nós todos queríamos fazer coisas diferentes musicalmente e nós somos tão diferentes diante da personalidade do outro que nós lidamos com a infelicidade de maneiras diferentes. Mas eu aprendi que são essas diferenças que faz o Blink ser excelente, quando ele já é, e são essas diferenças que deixam as coisas mais difíceis com o restante do tempo.

McKINNON: Eu acho que toda banda tem esse problema. Eu acredito que você tem que compor o tempo todo – principalmente porque eu amo fazer isso – então não é como ter um trabalho de verdade. Mas não é todo mundo que vê sentido nisso. Então isso começa ficar estranho, às vezes, porque todo mundo quer compor junto, mas nós não temos mais o tempo para fazer isso tudo. Nós estamos sempre mandando coisas um para o outro e tentando se encaixar e há sempre uma tensão porque todo mundo se sente forte sobre o que quer fazer e todos nós gostamos de coisas diferentes. Então nós tentamos nos comunicar e conversar pras coisas funcionarem o máximo possível. Isso é a única coisa que nos mantém juntos. Mas felizmente não nos separamos como você fez. Por que o Blink decidiu voltar?

HOPPUS: Depois que o Blink se separou, Travis (Barker, baterista) e eu continuamos juntos na [nova banda] +44. Eu fiquei sem falar com o Tom por cinco anos, mas Travis e eu estávamos conversando constantemente e nós ainda éramos grandes amigos quando ele esteve em um horrível acidente de avião (em 2008. Quatro das seis pessoas que estavam no avião morreram). Eu ainda me lembro. Eu acordei cedo numa manhã, com o telefone tocando. Era um amigo que me perguntava se eu estava bem e se ele poderia fazer algo por mim. Eu não entendi nada sobre o que ele estava falando, e foi muito estranho receber uma ligação tão cedo da manhã como aquela. Eu pensei que poderia ter acontecido um terremoto, ou algo assim. Então eu disse, “Por que você está me perguntado isso?” e ele disse “Você precisa ligar a TV e ver as notícias”. Eu liguei a TV e a notícia estava logo ali. Eu peguei o próximo voo para a Costa Leste para ir ao hospital e ficar com Travis. Quando algo trágico te atinge, você esquece sobre todas as pequenas bobeiras que levou ao fim da banda. Então eu comecei a falar com o Tom de novo. Nós nunca pretendíamos estar de volta com o Blink. Nós apenas queríamos ser amigos de novo, conversar e apreciar um ao outro como ser humano. Evidentemente, depois que nós começamos a sair juntos, tinha um grande problema no lugar do blink-182 e da história que nós tínhamos. Nós tivemos várias conversas de coração pra coração e nelas haviam gargalhadas e lágrimas, e finalmente nós decidimos reunir o Blink novamente.

McKINNON: Você sente como se já tivesse aprendido algo pra manter sua banda unida desde a separação?

HOPPUS: Com certeza. Nossa banda não poderia ser o que é hoje sem toda essa merda que passamos nos últimos 8 anos. Dito isso, é um saco. Eu não recomendo isso a ninguém. Eu recomendo que as bandas que estão tendo uma dificuldade devem trabalhar seus problemas, porque é muito dificil ter que separar sua banda. E é realmente maravilhoso pra mim que nós tenhamos tido uma segunda chance.

McKINNON: Eu vou perguntar isso, haverá outro álbum do Blink?

HOPPUS: Nós temos planos para fazer outro álbum, sim. Nós não estamos compondo agora, porque ainda estamos trabalhando o álbum que lançamos no último verão. E sobre você, Jeremy?

McKINNON: Nós estamos tentando colocar juntos várias novas ideias, como nós podemos agora, e com certeza iremos lançar um novo álbum no outono ou no inverno. Será um pouco diferente do último apenas como tudo que nós já fizemos… Minha última pergunta é a mais importante. Por que nós nunca fizemos uma turnê juntos?

HOPPUS: Porque nossos álbuns não estavam no mesmo ciclo.

McKINNON: É, isso é verdade.

HOPPUS: Eu amaria fazer turnê com vocês no futuro. Isso seria maravilhoso.

McKINNON: Eu não vou esquecer que você disse isso. Quando você poder fazer isso, nós estaremos lá.

Tradução: Papusca, Marielle Santana, Bruna Garcia e Thiago Fialho.

Créditos: ADTR Brasil